CCJ0006-WL-PA-08-Direito Civil I-Novo-15837
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dado ao elenco dos 
direitos,liberdades e garan\u19fas individuais.Vamos porém procurar traços que melhor expliquem como se apresenta a situação perante a evolução 
posterior.Não relatamos as posições tomadas pelos Códigos Civis posteriores doutros países. Não pela magnitude da tarefa: espantosamente, a 
produção de Códigos Civis no séc. XX foi exígua. Não teríamos que considerar mais que uma dúzia de códigos. Mas o nosso trabalho não é de Direito 
Comparado.Limitamo-nos a apontar algumas realizações legisla\u19fvas que sejam para nós par\u19fcularmente signi\ufb01ca\u19fvas.O Código Civil italiano, que 
representa um momento notável e in\ufb02uenciou toda a evolução posterior, contempla já alguns direitos de personalidade.O mesmo caminho é prosseguido 
pelo Código Civil português de1966, nos arts. 70 e seguintes. Intervém em dois domínios: 
1) No estabelecimento de um regime comum aplicável aosdireitos de personalidade, o que representa um considerável avanço2) Na previsão 
de alguns direitos de personalidade.Porém, veri\ufb01camos com surpresa que os direitos previstos são a\ufb01nal direitos de certo modo marginais:\u2013 direito ao 
nome \u2013 cartas-missivas \u2013 direito à imagem\u2013 direito à reserva sobre a in\u19fmidade da vida privada.Não estão compreendidas as \ufb01guras mais signi\ufb01ca\u19fvas, 
como os direitos à vida, à honra ou à liberdade.Porque se passa assim? Para além de o ambiente não ser muito favorável a um aprofundamento da 
matéria, fecha-se o pacto com a disciplina cons\u19ftucional. Os direitos que estavam disciplinados na Cons\u19ftuição não são retomados. Disciplinam-se pelo 
contrário \ufb01guras que naquela estavam omissas porque menos relevantes perante uma carta polí\u19fca, como o direito ao nome eo direito à imagem.Ainda 
no plano internacional, há um factor de evolução a anotar,embora não inteiramente de nível cons\u19ftucional.A Cons\u19ftuição Federal alemã abre com a frase 
lapidar: \u201cDie Würde des Menschens ist unantastbar\u201d.Este primado da pessoa humana deveria consequentemente repercutir -se sobre todo o sistema. 
Mas defrontava-se o obstáculo de o § 823do BGB limitar os \u201cbens da vida\u201d, suscep\u1a1veis de gerar responsabilidade civil, aos quatro que enunciava: o que 
parecia deixar sem protecção outros bens da personalidade.O BGH, supremo tribunal federal alemão, que traduziu depois da guerra uma muito 
acentuada preocupação é\u19fca, considerou isso incompa\u1a1vel com a Cons\u19ftuição; e elaborou a \ufb01gura do \u201cdireito geral de personalidade\u201d,que permitia 
reagir a todas as ofensas. Porque o primado da personalidade impunha que todos os aspectos da personalidade encontrassem defesa.Não nos interessa 
a análise desta \ufb01gura técnica, que se baseia em necessidades par\u19fculares da legislação alemã e que aliás não aceitamos6.Interessa, sim, o 
reconhecimento de que a personalidade se deve impor por si,não podendo \ufb01car na dependência de qualquer previsão da lei posi\u19fva.E é com esta base 
que chegamos ao Projecto de novo Código Civil brasileiro.Este contém, nos arts. 11 a 20, um capítulo in\u19ftulado \u201cDos direitos da personalidade\u201d.O 
esquema vem fundamentalmente na linha do Código Civil italiano e do Código Civil português. Regulam -se aspectos especiais, como os actos de 
disposição sobre o próprio corpo, o direito ao nome ou o direito à imagem.Teríamos assim que se manteria a Cons\u19ftuição como a sede principal dos 
direitos de personalidade. O Código Civil limitar -se -ia a aspectos que se considerariam não su\ufb01cientemente versados nesta, ainda que com(Sobre todas 
estas matérias remetemos para o nosso Direito Civil \u2013 Teoria Geral, I, Coimbra Editora,1997.)carácter marginal. Para além disso, estabeleceria um regime 
geral, aplicável a todos os direitos de personalidade 
.5. A dis\u19fnção entre direitos fundamentais e direitos de personalidade  
Haverá porém que nos interrogarmos sobre a su\ufb01ciência do equilíbrio que assim se pretende alcançar.Perguntemos antes de mais: tem 
jus\u19f\ufb01cação que se deixe para a Cons\u19ftuição a matéria dos direitos de personalidade?É função da Cons\u19ftuição estabelecer as bases fundamentais da 
ordem jurídica. Pareceria assim que deveria ser esta uma matéria que primordialmente lhe caberia, dada a posição nuclear da pessoa humana.Mas uma 
coisa é reconhecer o primado da pessoa humana, outra estabelecer o elenco dos direitos de personalidade. Este é o objecto de um ramo do direito 
especial, o Direito da Personalidade, que só pode estar incluído no Direito Civil.Contra, pode observar-se que as Cons\u19ftuições chamaram a si a função de 
traçar esse elenco; e que o têm ampliado sucessivamente. Chega-se ao ponto extremo de o art. 5 da actual Cons\u19ftuição brasileira conter 77 incisos,que 
especificam os \u201cdireitos e deveres individuais e colectivos\u201d; estes por sua vez são modalidade dos \u201cdireitos e garantias fundamentais\u201d.Perante este 
longo elenco, que viria trazer ainda de ú\u19fl o Código Civil?A realidade é porém diversa da aparência. Antes de mais, porque direitos fundamentais e 
direitos de personalidade não são termos equivalentes.Os direitos da personalidade são aqueles direitos que exigem em absoluto reconhecimento, 
porque exprimem aspectos que não podem ser desconhecidos sem afectar a própria personalidade humana.O acento dos direitos fundamentais é 
diferente. Não só não respeitam exclusivamente às pessoas \u130sicas como a sua preocupação básica é a da estruturação cons\u19ftucional. Demarcam muito 
em par\u19fcular a situação dos cidadãos perante o Estado. É assim a categoria cidadão (ou se quisermos a do súbdito, para falar com maior amplitude) que 
está primacialmente em causa.Sendo esta preocupação assim diversa, resulta que há muitos direitos fundamentais que não são direitos da 
personalidade. É óbvio. Não são direitos fundamentais a garan\u19fa do júri, a de\ufb01nição como crime ina\ufb01ançável e imprescri\u1a1vel a acção de grupos 
armados, a gratui\u19fdade da cer\u19fdão de óbito...A preocupação que traduzem é muito diferente. Inversamente, também haverá muitos direitos de 
personalidade que não são direitos fundamentais. São as manifestações da personalidade que aliás, ainda quando a mesma \ufb01gura é prevista como 
direito fundamental e como direito da personalidade, isso não signi\ufb01ca que o conteúdo relevante seja o mesmo nos dois sectores, e portanto que o 
regime se iden\u19f\ufb01que a\ufb01nal. estão fora do núcleo que levou a Cons\u19ftuição a delimitar os direitos fundamentais. 
6. A ambiguidade da mul\u19fplicação dos direitos fundamentais  
Para além disso, o empolamento constante dos direitos de personalidade esconde uma ambiguidade que deve ser denunciada.Aparentemente, 
esse crescimento representaria o vitorioso reconhecimento da categoria dos direitos da personalidade, na sua realização histórica.Se confrontarmos 
porém as previsões norma\u19fvas com a realidade circunstante, \ufb01camos colocados perante a evidência de que a vas\u19fdão das proclamações cons\u19ftucionais 
coexiste com a violação con\u19fnuada dessas previsões. A realidade não acompanha o empolamento da lei.E não pode deixar de nos invadir a dúvida sobre 
o verdadeiro signi\ufb01cado de semelhante empolamento. Pois pode signi\ufb01car manifestação de demagogia. É sempre airoso fazer grandes declarações, sem 
se tomar nenhum compromisso quanto à transformação social efec\u19fva que deveriam acarretar. É pecha velha das sociedades democrá\u19fcas escusar-se 
através do legisla\u19fvo das culpas de uma situação que só a transformação histórica de uma realidade social poderia apagar.Mas há ainda muito mais do 
que isto.A mul\u19fplicação do número de direitos fundamentais corresponde rigorosamente à sua banalização e enfraquecimento. 
Observou -s e qu e \u201ca proclamação generalizada dos direitos do homem coincidiu no tempo com o processo do esvaziamento do 
seuconteúdo9.E, escorando-nos em certeira a\ufb01rmação de Cavaleiro deFerreira10, veri\ufb01camos que o empolamento dos direitos fundamentais implica que 
os afastemos cada vez mais da base que os deveria sustentar, que seria a imposição da personalidade humana. Por outro lado, os direitos entram em 
conflito entre si, limitando-se reciprocamente, de maneira que novos direitos,de jus\u19f\ufb01cação duvidosa, acabam por limitar an\u19fgos