CCJ0006-WL-PA-08-Direito Civil I-Novo-15837
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CCJ0006-WL-PA-08-Direito Civil I-Novo-15837

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Horizonte, 30.X.97

Referências bibliográficas:
Nome do livro: Direito Civil Brasileiro Vol.1 - ISBN. 8502075330
Nome do autor: GONÇALVES, Carlos Roberto.

Editora: Rio de Janeiro: Saraiva

Ano: 2009.

Edição: 7a. ed.

Nome do capítulo: Capítulo 04 –   Das Pessoas II

N. de páginas do capítulo: 23

Aplicação Prática Teórica

CASO CONCRETO 1

Um jogador de futebol famoso teve sua fotografia publicada em revista especializada em fofocas. Em verdade, o conteúdo da revista nada desabonava a vida privada do referido jogador, mencionado apenas 

fatos públicos corriqueiros. No entanto, o esportista sentiu seu direito agredido porque não autorizara a publicação de sua foto. Ingressou o jogador com um pedido de indenização. 

1)            Neste caso, enxerga -se, de fato, violação ao direito da personalidade passível de gerar indenização? Justifique.

2)            Na hipótese pode-se afirmar que houve lesão a honra da pessoa? 

3)            Há necessidade de prova de aproveitamento econômico, por parte da revista, para ensejar algum tipo de indenização?

 

CASO CONCRETO 2

Júlia Cibilis é uma famosa atriz que foi violentamente assassinada no ano de 2000, deixando como herdeira apenas sua mãe, Maria Cibilis. Um ano depois do falecimento, jornal de grande circulação publica 

fotos do corpo de Júlia que foram tiradas durante a perícia, no local do crime, totalmente desfigurada e parcialmente nua. 

Pergunta-se : Maria pode pleitear dano moral ? Em caso positivo, a que título ? Em caso negativo, por quê? Justifique sua resposta.

 
 
Dano moral. Negativação do nome de pessoa falecida. Indenização pleiteada pela mãe. Impossibilidade. Dano moral punitivo. Indenização por práticas abusivas. Admissibilidade. Se o dano moral é a violação 

de um bem integrante da personalidade, e esta extingue-se com a morte, ninguém pode ser sujeito passivo de dano moral depois do falecimento. Assim, não tem a mãe legitimidade para pleitear indenização 

por dano moral, nem como sucessora, pela negativação do nome do filho efetivada depois do seu falecimento. Admite -se, entretanto, indenização com caráter punitivo pelo dano moral para reprimir práticas 

abusivas, como sanção adequada ao abuso do direito. A ré levou quase seis meses para cancelar a linha telefônica, cessar as cobranças indevidas, e ainda negativou, nesse período, o nome do filho da 

autora, mesmo depois do seu falecimento. É dever das empresas que fornecem bens e serviços estruturarem-se adequadamente para tratarem com respeito e dignidade o público em geral. Reforma parcial 

da sentença. 

 Ementário: 04/2008 - N. 9 - 31/01/2008

 

QUESTÃO OBJETIVA 

Assinale a opção correta.

A) Tanto o Código Civil de 1916 como o novo Código Civil disciplinam os direitos da personalidade.

B) O caráter extrapatrimonial dos direitos da personalidade significa que é juridicamente impossível requerer indenização em face de sua violação.

C) De acordo com o novo Código Civil, salvo o caso de exceções legais, os direitos da personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária.
D) Conforme disciplina do novo Código Civil, o pseudônimo, mesmo adotado para atividades lícitas, não goza da proteção que se dá ao nome.

Plano de Aula: 4 - Direito Civil I

DIREITO CIVIL I

Estácio de Sá Página 1 / 5

Título

4 - Direito Civil I

Número de Aulas por Semana

Número de Semana de Aula

4

Tema

DIREITOS DA PERSONALIDADE

Objetivos

·         Discorrer sobre as diversas teorias a respeito dos direitos da personalidade.
·         Demarcar as posições doutrinárias divergentes quanto à existência de uma cláusula geral de personalidade no direito pátrio e 

comparado.
·         Introduzir o entendimento da classificação dos diversos direitos da personalidade no Código Civil Brasileiro.
·         Demarcar a normatização dos direitos da personalidade na Constituição Federal de 1988.       

Estrutura do Conteúdo

1 DIREITOS DA PERSONALIDADE

1.1 Teorias dos direitos da personalidade;
1.2 O direito geral de personalidade;
1.3 Direitos de personalidade na constituição Federal de 1988; 
1.4 Direitos de personalidade  no Código Civil Brasileiro.
 

A título de contributo, segue abaixo texto do doutrinador portugues. J. Oliveira Ascensão, em palestra proferida aqui no Brasil, a respeito dos 
direitos da personalidade:

OS DIREITOS DE PERSONALIDADE NO CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO

Prof. Doutor J. Oliveira Ascensão

SUMÁRIO: 

1. O Código Civil e a pessoa; 2. A ausência de previsão dos direitos de personalidade; 3. A explicação pelos antecedentes;4. A evolução posterior; 5. A 
disƟnção entre direitos fundamentais e direitos de personalidade;6. A ambiguidade da mulƟplicação dos direitos fundamentais; 7. Direitos da 
personalidade e direitos pessoais; 8. O regime dos direitos de personalidade; 9. O fundamento éƟco indeclinável; 10. Direito da personalidade e direito 
dos egoísmos individuais.

1. O Código Civil e a pessoa

 

 Reunimo -nos aqui para homenagear este monumento que é o Código Civil brasileiro. Marcou profundamente este século. Marcou -o mesmo
totalmente, desde a sua preparação até à provável vigência no de albar de 2000.É um monumento na sua estruturação cienơfica, só possível pelo alto 
nível que a doutrina civilísƟca brasileira aƟngiu no século passado; só isso permiƟu um diploma desta envergadura. Porque um Código Civil representa 
sempre um espelho muito fiel da ciência jurídica dum povo.

O Código estrutura -se em grandes categorias cienơficas, logo visíveis no art. 1.º – quando refere as pessoas, os bens e as situações 
jurídicas.Não é diİcil encontrar aqui manifestação da triparƟção de Gaio, nas suas InsƟtuƟones, em pessoas, coisas e acções.Começa pelas pessoas 
(arts. 2 e seguintes). O que não pode deixar de ser sublinhado, porque a pessoa é simultaneamente:– o fim do direito– o fundamento da personalidade
jurídica– o sujeito das situações jurídicas.O Código Civil preocupa -se particularmente com o terceiro aspecto: a pessoa que funciona como sujeito das
situações jurídicas.Mas isto não significa que o Código Civil não manifeste sensibilidade à pessoa ontológica.Isso revela-se nomeadamente no art. 4, no
que respeita ao nascituro.Nesta matéria, como em várias outras, o Código Civil brasileiro poderia encontrar modelos no Código Civil alemão de 1900 e no 
Código Civil português de 1867.O BGB proclama secamente, no seu § 1º: “A capacidade jurídica do homem começa com o nascimento completo”.O art. 6
do Código Civil português de 1867 era do seguinte teor:“A capacidade jurídica adquire-se pelo nascimento; mas o indivíduo , logo queé procriado, fica 
debaixo da protecção da lei; e tem-se por nascido para os efeitos declarados no presente Código”.

O Código Civil brasileiro vai além, mesmo do Código Civil português: declara que “a lei põe a salvo desde a concepção os direitos do 
nascituro”. Afirmando direitos, afirma a personalidade ontológica do embrião,pois só desta maneira lhe poderá reconhecer direitos.Seguindo por esta via, 
e tendo presente a noção ontológica de pessoa que não pode deixar de subjazer à lei, procuremos então determinar os direitos que o Código Civil 
reconhece à pessoa, fundado justamente na sua dignidade de pessoa. Porque o art. 1.º se propõe regular os direitos e obrigações de ordem privada 
relaƟvos às pessoas.

2. A ausência de previsão dos direitos de personalidade

 Estariam em causa, antes de mais, os direitos de personalidade. Mas, se os procurarmos, a nossa busca será vã.Nem nos arts. 2 a 12, 
relaƟvos às pessoas naturais, nem em qualquer outro lugar encontramos previstos os direitos de personalidade.A nossa surpresa ainda aumenta se 
consultarmos as obras civilísƟcas brasileiras de carácter geral. Os direitos de personalidade não vêm sequer referidos, normalmente.Significará isto que 
a categoria dos direitos de personalidade era desconhecida, no início do século?Sabemos que não. A elaboração dos direitos naturais fora levada