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tido amplo, o objetivo maior sendo o de revelar o sentido essencial do
enunciado, sem manter sempre respeito absoluto à forma. Ele mesmo
procedeu assim em numerosas citações que apresenta vertidas para o
alemão. Safar-se, portanto, das dificuldades apelando à autoridade do
dicionário seria uma fuga à responsabilidade de apresentar ao leitor
em língua portuguesa um texto fiel ao espírito do seu autor e não
apenas a sua forma.

Esse dilema se desdobra em outro: simplificar a exposição para
torná-la mais acessível ao leitor comum ou manter a magnífica com-
plexidade do texto original? É preciso notar que Marx mesmo se esforçou
ao máximo para ser claro, mantendo ao mesmo tempo a elegância do
estilo, em si erudito. Daí ele freqüentemente apresentar a mesma idéia
em seus vários desdobramentos tendo em vista sua completa elucidação.
As primeiras traduções de O Capital, feitas ainda em vida de Marx e
de Engels, tenderam a certa simplificação, o que se justificava, ao ver
deles, pela necessidade de apresentar ao público um conjunto de noções
e uma forma de interpretar a realidade que então eram inteiramente
novos e inusitados. Hoje, cem anos após a morte de Marx, a situação
é completamente outra. O marxismo é amplamente divulgado e estu-
dado, impregnando de mil modos não só as teorias econômicas, sociológicas,
políticas, antropológicas etc. mas também a literatura, o teatro, a poesia,
a linguagem jornalística e até mesmo o linguajar comum. Conseqüente-
mente, o público está mais bem preparado do que há um século para
penetrar nos meandros do pensamento de Marx, de modo que já não se
justifica fazer uma tradução simplificadora de sua obra máxima.

Nesta tradução, deu-se prioridade à clareza do texto, sem, no
entanto, tentar simplificá-lo. Procurou-se, sempre que possível, traduzir
tanto a forma quanto o conteúdo do texto original. Ao mesmo tempo
que se procurou a máxima fidelidade ao original, tentou-se recriar a
sua beleza literária, no espírito da língua portuguesa. Esse propósito
mostrou-se menos difícil de realizar do que se pensava a princípio. A
explicação provável para isso é que, com a difusão do marxismo, o
estilo da língua portuguesa foi, em alguma medida, influenciado pelas
formas peculiares de Marx exprimir seu pensamento. O português que
se pratica no Brasil no final do século XX é, sem dúvida, influenciado
pelas grandes correntes universais de pensamento, que aqui encontram
também sua ressonância. Cabe lembrar que textos primorosos, inspi-
rados em Marx, já foram produzidos por autores em língua portuguesa.
Esses textos fazem parte da cultura viva do país e contribuem para
moldar-lhe a língua. De modo que o nosso português é hoje um ins-
trumento bastante adequado para expressar a grande obra de Marx,
inclusive quanto a sua qualidade literária. Muito do que é belo em
alemão pode ser devidamente apreciado em português.

Passando agora aos aspectos mais técnicos da tradução, convém
informar que o original adotado foi o publicado na coleção “Karl Marx.

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