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A INTERPRETAÇAO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS

Segundo o constitucionalista espanhol Javier Perez Royo “ sem interpretação nao há direito”, ou com mais propriedade, “nao há direito que nao exija ser interpretado”.

Toda interpretação dos direitos fundamentais vincula-se a uma indeclnavel concepção do Estado, da Constituição e da Cidadania.

Diz-se que os direitos fundamentais compõem a efígie da Sociedade. Exibem tais direitos uma extrema complexidade, por tratarem os fatos sociais do poder, sujeitos a constantes variações, das quais recebem um certo grau de relevância interpretativa.

O Antigo Direito Constitucional, o do Estado Liberal estava preocupado com a organização dos poderes, a distribuição das competências e, consequentemente, com a harmonia e o equilíbrio funcional dos órgãos de soberania.

Hoje, o novo Direito Constitucional, translada sua tensão, para a nervosa esfera dos direitos fundamentais. A partir de então, a Sociedade procura aperfeiçoar o sistema regulativo de aplicação desses direitos.

Coroam-se assim, os valores da pessoa humana no seu mais elevado grau de juridicidade e se estabelece o primado do Homem no seio da ordem jurídica, enquanto titular e destinatário de todas as regras do poder.

Atualmente, a hegemonia translada-se para a Sociedade, com as novas gerações de direitos fundamentais incorporadas ao constitucionalismo contemporâneo, transformando a Constituição em ordenamento jurídico fundamental da Sociedade, e nao apenas do Estado.

Como mudanças das prioridades da atualidade, já pode-se apontar vários resultados:

a irradiação e propagação dos direitos fundamentais a toda a esfera do Direito Privado;

a elevação de tais direitos ao nível de princípios;

a aplicabilidade e a eficácia imediata dos direitos fundamentais;

também, pode-se dizer que, os direitos fundamentais impulsionam e inspiram o legislativo, a administração e a jurisdição.

Hoje temos a aplicação do principio da proporcionalidade para resolver conflitos de direitos fundamentais.

Ressalta-se que sabedor do valor dos direitos fundamentais e de sua função na sociedade, é possível a hermenêutica classica de interpretação caia, surgindo disto a necessidade de uma nova hermenêutica, inclinada a fortalecer abusivamente o poder judicial, propiciando a usurpação das competências políticas de ordinário reservadas ao Legislativo e ao Executivo.

Verifica-se que, há na Constituição normas que se interpretam e normas que se concretizam.

Essa distinção é importante, desde o aparecimento da nova hermenêutica, que introduziu o conceito novo da concretização. Esta peculiar à interpretação dos direitos fundamentais.

Frente ao direitos fundamentais nao basta mais a simples interpretação, há necessidade de concretização destes valores na Sociedade.

Os métodos tradicionais (gramatical, lógico, sistemático e histórico) são de certo modo, rebeldes a valores, neutros em sua aplicação, e por isso, impotentes e inadequados para interpretação de direitos fundamentais.

A interpretação material da Constituição e a interpretação dos direitos fundamentais

Via de regra, todo direito fundamental concreto demanda, para sua interpretação o exame dos seguintes aspectos:

objetivo-institucional, como por exemplo: manter a família;

a prestação estatal (ex.: direito ao acesso à cultura, ou remédios);

o da prestação processual (direito fundamental à prestação jurisdicional);

Em suma, o que deve permanecer é a idéia de proteção pessoal.

Teses básicas de Kirchhof acerca da interpretação dos direitos fundamentais

Paul Kirchhof, publicista alemão, desenvolveu 8 teses sobre a interpretação, são elas:

1a. Tese reporta-se à qualidade dos direitos, os quais nao podem ser nunca abdicados; estes direitos são um limite imposto ao arbítrio estatal (direito negativo ao Estado);

2a. Tese configura o Estado nao como uma ameaça, mas como um fiador da liberdade. Aqui aparece o Estado positivo, investido constitucionamente no dever de tutelar os direitos fundamentais.

3a. Tese relaciona-se com a separação dos poderes; para o autor o Legislativo e o Executivo teriam mais possibilidade de interpretação dos direitos, uma vez que, são mais dinâmicos e ativos e dotados de inciiativa, enquanto que o Judiciário so age quando provocado.

4a. Tese coloca os D.F. numa dimensão histórica. Assim, a interpretação aqui tem caráter de atualizar o texto constitucional, tornando-o sensível às variações contidas na evolução da sociedade e pelo surgimento de novas demandas.

5a. Tese reconhece que os direitos fundamentais outorgam função participativa ao cidadão, dão ao sujeito uma legitima expectativa de participar nas organizações estatais, programas públicos de financiamento e participação na administração.

6a. Tese recai sobre o papel arbitral do Estado, tanto na esfera legislativa, quanto na judiciária, uma vez que havendo colisão de direitos, faz se mister ao Estado arbitrar quanto aos direitos em jogo.

7a. Tese complementa a 6., uma vez que discorre que nenhuma liberdade é absoluta, porque todos tem direitos as mesmas liberdades.

8a. Tese diz que havendo duvida frente um julgamento deve-se aplicar in dúbio pro libertate.

Hoje a nova técnica de interpretação que deve ser aplicada em face dos direitos individuais, é a técnica concretizadora. Isso quer dizer que o interprete se volve diretamente para a compreensão do conteúdo da norma que se vai concretizar. Esse ato de compreensão acha-se indissociavelmente vinculado tanto à pré-compreensao do interprete como ao problema concreto que se vai resolver.

Pode-se dizer que, toda a diligencia de interpretação parte, no caso dos direitos fundamentais, do problema, e nao do texto legal.

Por fim, sustenta o autor que, o juiz constitucional, tendo por incumbência proteger os direitos fundamentais, faz da concretização uma tarefa essencial. Concretizar significa dilatar os conteúdos constitucionais, exauri-los, aperfeiçoa-los, executando os programas normativos no decurso do tempo e ao compasso das mudanças ocorridas na Sociedade.