Plano de aula 7 resposta (ciencia politica)
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Plano de aula 7 resposta (ciencia politica)


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Plano de aula 7
Caso concreto 1
A \u201cRepública\u201d é assim uma forma louvada por Aristóteles que curiosamente associa elementos de duas formas degeneradas: a oligarquia e a democracia. Esta forma de governo assenta socialmente na classe média, combinando dois princípios que de algum modo se equilibrariam: a riqueza, princípio oligárquico, e a liberdade, princípio democrático. E Aristóteles louvará a classe média, considerando, nomeadamente, com o apoio de várias autoridades e exemplos, que os melhores legisladores foram precisamente pessoas de medianas posses.
Mas, evidentemente, a concepção de democracia de Aristóteles, mesmo quando não é usada com uma conotação negativa, tem diferenças relativamente à vox populi de hoje: por exemplo, para o Filósofo é próprio da democracia o sorteio dos magistrados, e da oligarquia a eleição.
Clarifica Aristóteles que nem a oligarquia é o regime da minoria, nem, correlativamente, a democracia é o da maioria. Antes a primeira é o domínio dos ricos, e a segunda dos homens livres.
Também a democracia tem diversas formas. O grande problema surge quando as leis não têm força e irrompem da multidão os demagogos. E então o povo se volve em tirano, e - como esta descrição é real! \u2013
\u201cos bajuladores são honrados e os homens de bem sujeitados. O mesmo arbítrio reina nos decretos do povo e nas ordens dos tiranos. Trata-se dos mesmos costumes. O que fazem os bajuladores de corte junto a estes, fazem os demagogos junto ao povo.\u201d.
E é nesta corrupção da lei, da magistratura, do clima geral, que o Filósofo vê justificação para que tal caos se não chame República, mas democracia, ou então nem isso \u2013 como citámos supra.
O celebrado Montesquieu, tido por pai absoluto da separação dos poderes, não os criou do nada, como pretendeu no exergo latino do seu De l\u2019Esprit des Lois, citando Ovídio: \u201cProlem sine matre creatam\u201c. Além de ter tido John Locke como inspirador mais directo, conhecia evidentemente o clássico Aristóteles. Os poderes, a traços largos, já estão nas Políticas do Estagirita.
Em todas as constituições vê Aristóteles, com vivo discernimento, precisamente três poderes: um poder deliberativo, que compete a uma Assembleia, e que muito se assemelha ao nosso legislativo; um poder de magistraturas governamentais, a que nós chamaríamos (com menos propriedade, porém) executivo; e um poder judicial.
Caso concreto 2
Maquiavel, como diversos autores, defende o governo misto como condição de se estabelecer a força da lei capaz de manter a república. Afirma que os legisladores mais sábios sempre escolhem o sistema de governo do qual participam todas as formas já referidas, o que o toma mais sólido e estável: "se o príncipe, os aristocratas e o povo governam em conjunto o Estado, podem com facilidade controlarse mutuamente". Lembra o exemplo de Licurgo cuja legislação tornou Esperta estável por oitocentos anos, de tal forma soube contrabalançar o poder do rei, da aristocracia e do povo. E critica Sólon, legislador de Atenas que não reprimiu "a insolência dos aristocratas e a licença da multidão".