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APOSTILA URGENCIAS PSIQUIÁTRICAS 2016

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ESCOLA	DE	ENFERMAGEM	DE	RIBEIRÃO	PRETO	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
Profa.	Dra.	Kelly	Graziani	Giacchero	Vedana	
	
2016	 	
URGÊNCIAS	E	EMERGÊNCIAS	
PSIQUIÁTRICAS	
	
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Vedana,	Kelly	Graziani	Giacchero.									Urgências	e	emergências	psiquiátricas																									EERP–USP	
	
URGÊNCIAS	E	EMERGÊNCIAS	PSIQUIÁTRICAS	
	
Profa.	Dra.	Kelly	Graziani	Giacchero	Vedana	
	
	
INTRODUÇÃO	ÀS	URGENCIAS	E	EMERGÊNCIAS	PSIQUIÁTRICAS		 As	urgências	e	emergências	psiquiátricas	podem	ser	definidas	como:	
“qualquer	alteração	de	natureza	psiquiátrica	em	que	ocorram	alterações	do	estado	
mental,	 as	 quais	 resultam	em	 risco	atual	 e	 significativo	de	morte	 ou	 injúria	 grave,	
para	 o	 paciente	 ou	 para	 terceiros,	 necessitando	 de	 intervenção	 terapêutica	
imediata.”	 (QUEVEDO;	 SCHMITT;	 KAPCZINSKI,	 2008).	 As	 definições	 de	emergências	 psiquiátricas	 sugerem	 ainda	 a	 presença	 de	 perturbação	 urgente	 e	grave	de	conduta,	afeto	ou	do	pensamento,	bem	enfrentamento	mal	adaptativo.	Destaca-se	 que	 há	 dissonância	 entre	 as	 diferentes	 conceituações	 de	emergências	psiquiátricas	e	dificuldade	de	se	estabelecer	definições	precisas.	Além	disso,	a	distinção	entre	urgências	e	emergências	adotada	para	a	clínica	geral	carece	de	aplicabilidade	prática	na	psiquiatria	(MUNIZZA	et	al,	1993).		Emergências	 psiquiátricas	 constituem	 6%	 de	 todas	 as	 visitas	 ao	 setor	 de	emergências	(SOOD,	MCSTAY,	2009).	O	 atendimento	 a	 situações	 de	 urgência	 e	 emergência	 psiquiátricas	 deve	atender	 aos	 objetivos	 que	 são	 prioritários(QUEVEDO;	 SCHMITT;	 KAPCZINSKI,	2008;	SADOCK;	SADOCK,	2007;	TOWNSEND,	2002):		-	Estabilização	do	quadro	(controle	de	sintoma	alvo)	
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-	 Reconhecimento	 de	 patologias	 e	 alterações	 orgânicas	 (que	 podem	 ter	ocasionado	as	alterações	mentais)	-	Estabelecimento	de	hipóteses	diagnósticas		-	Encaminhamento	para	continuidade	do	cuidado			 O	local	destinado	ao	atendimento	de	urgências	e	emergências	psiquiátricas	deve	 oferecer	 segurança,	 estrutura	 física	 adequada,	 ausência	 de	 objetos	potencialmente	perigosos,	adequação	de	estímulos	sensoriais,	 sistema	de	alarme,	disponibilidade	 de	 medicamentos	 e	 equipamentos	 para	 contenção,	 serviço	 de	segurança,	e	acesso	a	serviços	de	diagnósticos	e	a	outros	especialistas	(QUEVEDO;	SCHMITT;	KAPCZINSKI,	2008;	TOWNSEND,	2002;	MANTOVANI,	2010).		 As	 emergências	 psiquiátricas	 são	 momentos	 críticos	 marcados	 pela	fragilidade	e	instabilidade	do	cliente.	Desse	modo,	é	relevante	que	o	profissional	de	saúde	 se	 apresente,	 esclareça	 os	 objetivos	 do	 atendimento,	 transmita	 confiança,	segurança	 e	 consistência	 em	 suas	 ações	 e	 não	 emita	 julgamentos	 pessoais	(BULECHEK;	 BUTCHER,	 2010;	 QUEVEDO;	 SCHMITT;	 KAPCZINSKI,	 2008;	TOWNSEND,	2002).		 As	alterações	no	estado	mental	do	cliente	podem	dificultar	a	comunicação.	Assim,	o	profissional	deve	se	expressar	com	clareza,	evitar	expressões	ambíguas,	abstrações,	bem	como	utilizar	perguntas	e	respostas	claras	e	diretas.			 O	tempo	destinado	à	avaliação	inicial	do	cliente	pode	ser	limitado,	mas	deve	incluir	 a	 avaliação	 física,	 exame	 do	 estado	 mental	 (com	 ênfase	 nos	 motivos	 do	atendimento),	avaliação	da	 ingestão	de	substâncias	e	medicamentos	e	da	 ideação	suicida	e	homicida	(QUEVEDO;	SCHMITT;	KAPCZINSKI,	2008;	TOWNSEND,	2002).	
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Serão	abordados	a	seguir	alguns	dos	principais	quadros	que	se	encontram	entre	as	urgências	e	emergências	psiquiátricas.	
	 	
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O	COMPORTAMENTO	AGRESSIVO	O	 comportamento	 agressivo	 representa	 um	 importante	 desafio	 na	psiquiatria	 e	 está	 presente	 na	 apresentação	 clínica	 em	 diversos	 quadros	psiquiátricos	e	também	em	condições	causadas	por	alterações	orgânicas.	No	senso	comum,	os	transtornos	mentais	são	frequentemente	relacionados	à	violência.	No	entanto,		a	maioria	dos	usuários	dos	serviços	de	saúde	mental	não	são	violentos	(ROCCA	et	al,	2006).	A	agressão	pode	ser	definida	como	o	ato	 intencional	que	causa	dano	físico	ou	mental	em	alguém	(ROCCA	et	al,	2006).	É	importante	diferenciá-la	da	agitação	psicomotora	que	é	 caracterizada	pela	atividade	motora	e	 cognitiva	excessiva,	 em	grande	 parte	 improdutiva	 e	 decorrente	 de	 tensões	 internas.	 Embora	 a	 agitação	psicomotora	possa	 evoluir	 para	 a	 agressão,	 nem	 sempre	 estará	 relacionada	 a	 tal	comportamento.	O	 cuidado	 a	 pacientes	 com	 comportamento	 de	 auto	 ou	 heteroagressão	 é	desafiador	e	frequentemente	acompanhado	por	conflitos	éticos	entre	a	autonomia,	a	integridade	física	e	mental	dos	clientes	e	a	necessidade	de	evitar	danos	(BERGK	et	 al,	 2011).	Desse	 modo,	 as	 medidas	 empregadas	 devem	 ser	 proporcionais	 ao	risco	apresentado.	
	
Reconhecendo	os	indícios	de	agressividade	Não	é	possível	prever	o	comportamento	agressivo.	Entretanto,	é	importante	realizar	uma	avaliação	do	histórico	do	paciente	e	de	seu	estado	atual	para	estimar	o	risco	do	comportamento	agressivo	vir	a	se	manifestar.	
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Existem	 alguns	 sinais	 que	 são	 considerados	 indícios	 de	 agressividade,	 ou	seja,	podem	sinalizar	o	risco	de	agressividade.	São	eles:	agitação	motora,	violência	dirigida	a	objetos,	dentes	e	punhos	cerrados,	ameaças,	exigências	e	discussões	em	tom	 de	 voz	 elevado,	 afeto	 desafiador	 e	 hostil	 e	 alterações	 do	 exame	 do	 estado	mental,	 sintomas	 psiquiátricos	 específicos	 (como,	 por	 exemplo:	 impulsividade,	pensamento	 desorganizado,	 baixa	 tolerância	 a	 frustrações,	 persecutoriedade)	(MARCOLAN,	 2013;	 SCHMITT;	 KAPCZINSKI,	 2008;	 TOWNSEND,	 2002	 QUEVEDO		et	al,	2008).	Embora	 a	 agitação	 psicomotora	 seja	 considerada	 um	 sinal	 de	 indício	 ou	risco	 de	 comportamento	 agressivo	 ela	 não	 pode	 ser	 confundida	 com	 a	agressividade	e	não	justifica	o	uso	de	intervenções	restritivas	e	coercivas.	Na	 avaliação	 do	 cliente	 devem	 ser	 considerados	 sinais,	 sintomas	 e	informações	que	possam	esclarecer	se	o	indivíduo	possui	alguma	alteração	clínica	(doença	 orgânica,	 intoxicação,	 abstinência)	 que	 requeira	 intervenção	 específica	(QUEVEDO		et	al,	2008).			
	
O	papel	da	equipe	e	do	ambiente	no	manejo	do	comportamento	agressivo	Evidências	científicas	recomendam	métodos	menos	coercivos	para	manejo	de	comportamento	 (DUXBURY;	 WRIGHT,	 2011;	 NICE,	 2005;	 MANTOVANI	 	 et	 al,	2010).	Desse	modo,	deve	haver	 investimento	em	prevenção,	preparo	da	equipe	e	ambiente,	avaliação	e	intervenção	precoce	com	métodos	não	coercivos.	A	 observação,	 avaliação	 do	 cliente	 e	 do	 ambiente	 e	 a	 gestão	 de	 riscos	 são	elementos	 fundamentais	 para	 a	 prevenção	 do	 comportamento	 agressivo	(MARCOLAN,	2013;	MANTOVANI		et	al,	2010;	NICE,	2005).	Quando	o	ambiente	e	a	
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Vedana,	Kelly	Graziani

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