Sociologia J. - Anotação (19)
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Sociologia J. - Anotação (19)

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PREPARATÓRIO PARA OAB

Professora: Dra. Claudia Tristão

DISCIPLINA: DIREITO CIVIL

Capítulo 9 Aula 8

ADOÇÃO

Coordenação: Dr. Flávio Tartuce

01

Adoção

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A

violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

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No Direito Romano a principal característica da adoção era proporcionar prole civil às pessoas que não

tinham filhos consangüíneos ou naturais.

No Brasil, a adoção somente era possível às pessoas maiores de 50 anos, sem filhos legítimos ou

legitimados, como uma maneira de suprir uma falta que a natureza criara.

A Lei nº 3.133 de 08 de maio de 1957 trouxe grandes modificações no campo da adoção, que passou a ter

caráter assistencial, um meio de melhorar a condição do adotado. Inclusive permitiu a adoção por pessoas

maiores de 30 anos, com ou sem filhos consangüíneos.

Porém, àqueles que adotassem que já tivessem prole natural, ao filho adotado não lhe era permitido direitos

sucessórios hereditários.

Contudo, a Constituição Federal de 1988, no artigo 227, § 6º, para todos os efeitos, equiparou os filhos de

qualquer natureza, sejam incestuosos, adulterinos, naturais ou adotivos (civil).

O Código de Menores, advindo pela Lei nº 6.697/79, instituiu duas modalidades de adoção: a simples ou

restrita: que era prevista no artigo 27, relativa ao menor em situação irregular, a qual dependia de

autorização judicial, criava um parentesco civil somente entre o adotante e o adotado, podendo ser

revogada pelas partes visto que não extinguia os direitos e deveres da família natural, e a adoção plena ou

estatutária ou legitimante: regulada nos artigos 29 a 37 e 107 a 109, que ao contrário da simples, extinguia

todos os laços do parentesco natural passando o adotado, ao mesmo status de filho de sangue.

Com a publicação da Lei nº 8.069/90, qual seja, Estatuto da Criança e do Adolescente, foi extinta a adoção

simples, permanecendo somente a adoção plena, mesmo nos casos de pessoas maiores de 18 anos, visto

que a Constituição de 1988 equiparou totalmente os filhos de qualquer origem, sem ressalvas à adoção

simples, o que a fez perder a sua característica de duplicidade de vínculos com a família de origem e a família

adotante.

O artigo 40 do ECA permite a adoção de maiores de 18 anos quando estes estiverem sob a guarda ou tutela

dos adotantes.

Importante esclarecer que a adoção de menores de 18 anos é regulada pelo Estatuto da Criança e do

Adolescente e a adoção de pessoas maiores de 18 anos está regulamentada no Código Civil.

Capítulo 8

02

Conceito

Na concepção de Maria Helena Diniz "adoção é ato jurídico solene pelo qual, observados os requisitos

legais, alguém estabelece, independentemente de qualquer relação de parentesco consangüíneo ou afim,

um vínculo fictício legal de filiação", que possibilita que se constitua entre adotante e adotado um laço de

parentesco de 1º grau trazendo para sua família, na condição de filho, pessoa que, geralmente, lhe é

estranha.

É a adoção vínculo de parentesco civil, em linha reta, irrevogável, uma vez que desliga o adotado de

qualquer vínculo com os pais de sangue, salvo os impedimentos para o casamento.

Natureza Jurídica

A adoção é ato complexo que envolve a manifestação de vontade do adotante, o consentimento dos pais ou

dos representantes legais do adotando (tutor ou curador, caso seja o adotando absolutamente ou

relativamente incapaz), ou deste próprio quando maior de 12 anos, e a intervenção do Estado, autores como

Orlando Gomes consideram o instituto da adoção um contrato bilateral familiar, que produz efeitos de

ordem pessoal e patrimonial, criando direitos e obrigações recíprocas.

Quem pode e quem não pode adotar

A adoção é ato pessoal do adotante, visto que o legislador a proibiu por procuração, como estabelece o

artigo 39, Parágrafo Único do ECA.

Toda pessoa maior de 18 anos, desde que haja diferença mínima 16 anos entre adotante e adotado,

independentemente do estado civil, tem capacidade e legitimação para adotar. Igualmente o casal ligado

pelo matrimônio ou por união estável, desde que um deles tenha completado 18 anos de idade e

comprovada e estabilidade familiar.

As pessoas divorciadas ou separadas judicialmente poderão adotar conjuntamente se houver iniciado o

estágio de convivência com o adotado na constância do casamento. Essa regra vem do artigo 42, § 4º do

ECA, de onde nasceu o Parágrafo Único do artigo 1.622 do Código Civil.

Porém, somente será concedida a adoção, após os pais definirem qual dos dois ficará com a guarda do filho

e, conseqüentemente, ao outro o direito de visita estipulado da forma que melhor entenderem.

O artigo 1.620 do Código Civil diz que o tutor e o curador não poderão adotar o pupilo e o curatelado antes

da prestação de contas, em juízo, devidamente aprovadas e saldadas, quando for o caso, apresentando o

devido inventário de bens e pedindo a exoneração da função atribuída, tal impedimento visa impedir que o

administrar dos bens do tutelado ou curatelado, busque na adoção uma forma de escapar ao seu dever de

prestar contas, acobertando irregularidades para livrar-se dos débitos de sua gestão.

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A

violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

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03

O legislador de 2002, no artigo 1.619, manteve a mesma orientação estatutária prevista no artigo 42, § 3º,

do ECA, e do Código Civil anterior, a exigência da diferença mínima de 16 anos entre o adotante e o

adotado, com o intuito de propiciar autoridade e respeito como pressuposto hierárquico entre as partes.

Como dispõe o artigo 1.621, do Código Civil, se o adotado for absolutamente incapaz haverá necessidade

do consentimento dos seus pais, tutor ou curador para a adoção, não sendo permitido o suprimento da

vontade via judicial, porém, se tiver mais de 12 anos, deverá ser ouvido para manifestar sua concordância.

Entretanto, o consentimento será dispensado à criança ou adolescente se seus pais forem desconhecidos, ou

tiverem sido destituídos do poder familiar. Nesse caso, o Estado o representará ou assistirá, hipótese em que

o juiz competente nomeará um curador ad hoc.

Estabelece o artigo 1.631, do Código Civil, que sendo os pais casados ou conviventes, o consentimento

para adoção deverá ser de ambos, pois o poder familiar é exercido conjuntamente. A recusa de qualquer dos

pais impede a adoção por terceiros, mesmo que os pais estejam separados, e a criança ou adolescente,

esteja sob a guarda de um deles, haverá a necessidade do consentimento do outro, porque o poder familiar

permanece com ambos.

Contudo, não é exigida forma específica para o consentimento, tendo em vista que a adoção somente se

consuma por ato judicial reduzido a termo, perante o juiz das Varas da Infância e Juventude.

A única exceção, se é que assim podemos chamar, é a do caso da família monoparental quando constar no

registro de nascimento somente um dos pais.

Muito embora a adoção seja irrevogável, prevê o artigo 1.621, § 2º, do Código Civil, que poderá ser

revertido o consentimento, caso ainda não tenha sido publicada a sentença constitutiva da adoção.

Partindo-se do princípio que a adoção poderá ser revogada pelos pais, representantes legais ou mesmo pelo

adotado, até a publicação da sentença constitutiva, depois de publicada, mesmo que haja recurso de

qualquer das partes,