Sociologia J. - Anotação (19)
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Sociologia J. - Anotação (19)

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inclusive do Ministério Público, a adoção não poderá ser revogada, pois aqui não está

se falando em efeitos da sentença, que é ato processual, e sim nos efeitos civis da adoção, qual seja: o

consentimento, que é ato para a prática da vida civil, onde o termo final para o arrependimento pelas partes

é o da publicação da sentença.

O artigo 1.622, do Código Civil, determina que ninguém poderá ser adotado por duas pessoas que não

sejam marido e mulher ou conviventes. Caso ocorra a adoção por duas pessoas que não estejam sob a égide

da entidade familiar, ou pessoas do mesmo sexo, o ato será considerado como uma segunda adoção, e por

assim ser, será considerada nula a adoção.

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A

violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

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Essa imposição legal existe para evitar a hipótese do adotado ter duas mães ou dois pais, pois a intenção do

legislador é a de que a adoção deva imitar o padrão natural de família, com as figuras bem claras e definidas

de pai e mãe, que seriam imprescindíveis para a formação da criança.

É preciso esclarecer que a adoção é feita sob o interesse do adotado e não dos adotantes. O fato de os

pretensos pais desejarem um filho adotivo é incentivado, inclusive pelo Estado; porém, antes mesmo da

fixação do estágio de convivência, o juiz determina seja realizado estudo social elaborado por uma equipe

de profissionais composta de assistentes sociais, psicólogos e psicanalistas, com a finalidade de verificar as

condições subjetivas (afeto e afinidade) e objetivas (saúde, educação, segurança).

Adoção unilateral

A partir da promulgação da Constituição Federal de 1988 e do ECA, não existe mais a figura da adoção

simples, ou seja, aquela que estabelecia duplicidade de vínculo com a família de origem e a do adotante.

Passou-se então a existir somente a adoção plena, mas permanecendo os impedimentos para contrair

matrimônio.

Na adoção unilateral do filho do cônjuge ou do convivente, prevista no artigo 1.626, Parágrafo Único, do

Código Civil, atribui-se a condição de filho ao adotado com os mesmos direitos e deveres, inclusive

sucessórios, cortando qualquer vínculo com a família original do pai ou da mãe.

Contudo, essa adoção somente será possível nos casos em que no registro de nascimento não conste o

nome de um dos pais, ou houver consentimento expresso do pai ou da mãe para adoção do filho, ou ainda,

quando um deles for destituído do poder familiar.

Ausência de consentimento

O artigo 1.624, do Código Civil, apresenta quatro hipóteses em que se pode dispensar o consentimento dos

pais ou representante legal, como prevê o artigo 1.621, do Código Civil, nos casos em que a criança:

1) foi abandonada por um ou ambos os pais nos primeiros dias de vida, em endereço certo ou em instituição

de assistência ao menor, com a intenção de que seja encontrada e acolhida. Notem que a expressão

abandonada refere-se nos casos de impossibilidade de identificarem-se os pais biológicos; conduta esta

considerada crime de abandono previsto no artigo 243, do Código Penal, punível com reclusão de um a

cinco anos;

2) pais desaparecidos: caso os pais sejam conhecidos e identificados no registro de nascimento ou hajam

provas suficientes para se conhecer quem são, sem, contudo, saber de seu paradeiro, seja por mudança de

domicílio, seja por falecimento;

3) órfão não reclamado por qualquer parente, por mais de um ano;

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A

violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

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4) perda do poder familiar.

Processo de adoção

Após a entrada em vigor do Estatuto da Criança e do Adolescente, toda adoção deverá ser realizada

mediante processo judicial não contencioso, de natureza administrativa, em sentença constitutiva de direito,

com função autorizativa do Estado, independentemente de ser o adotado adulto, adolescente ou criança.

Uma vez concluído o processo de adoção e publicada a sentença constitutiva, será expedido mandado ao

oficial do registro civil de nascimentos, para inscrição da sentença, cancelando o registro original, caso haja,

lavrando-se novo assento no registro civil. O novo registro deverá conter os nomes do adotado e dos

adotantes, como se filho natural fosse, sem qualquer menção à sua situação de adotado. Poderá ainda, o

adotante, requerer a mudança do prenome do adotado, para total desvinculação com seu passado

biológico.

Determina o artigo 50, do ECA que em toda comarca deverá a autoridade judiciária manter um registro de

crianças e adolescentes em condições de serem adotados e outro de pessoas interessadas em adotar. Neste

artigo vemos claramente o interesse público, mediante a intervenção do Estado, consubstanciada na

estabilidade familiar, cumulando atividades administrativas e judiciárias.

Efeitos específicos da sentença após o trânsito em julgado

Como vimos no artigo 1.621, do Código Civil, o termo final para a irreversibilidade da adoção baseado no

consentimento das partes dá-se com a publicação da sentença constitutiva. Porém, outros efeitos decorrem,

mas somente após o trânsito em julgado da ação, Tais como:

1) inscrição da sentença no registro de nascimento;

2) o adotante passa a constituir uma relação de parentesco, assumindo a posição de pai ou mãe do

adotado;

3) relação de parentesco do adotado com os parentes do adotante;

4) relação de parentesco entre os descendentes do adotado e o adotante.

Adoção internacional

A adoção de criança brasileira por estrangeiro deve ser tratada com muito cuidado, a fim de evitar o tráfico

de menor ou se prestar à corrupção, prevendo, inclusive o artigo 239, do ECA, pena de reclusão de quatro a

seis anos, mais multa a quem promover ou auxiliar a efetivação de ato destinado a enviar menor para o

exterior, sem as formalidades legais, visando lucro.

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A

violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

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Porém, a posição apresentada por alguns autores como Josiane Rose Petry Veronese de que o "instituto da

adoção internacional, apesar dos muitos senões que apresenta e devem continuamente ser apresentados,

coloca-se como um mecanismo cuja utilidade não podemos levianamente desconsiderar ou mesmo

descartar", visto que o estrangeiro, como ressalta Maria Helena Diniz, está mais preparado psicológica e

economicamente para assumir uma adoção, não fazendo discriminações atinentes à raça, ao sexo, à idade

ou até mesmo à doença ou defeito físico que o menor possa ter, ao passo que o brasileiro é mais seletivo,

pois, em regra, procura adotar recém-nascido, branco e sadio, surgindo em nosso país, problemas de

rejeição racial.

A Lei de Introdução ao Código Civil, no artigo 7º, a Constituição no artigo 227, § 5º e o ECA, no artigo 31,

apresentam regras e condições legais para adoção por estrangeiro:

1) impossibilidade de adoção por procuração;

2) estágio de convivência do estrangeiro residente fora do Brasil de, no mínimo, 15 dias para crianças de até

2 anos de idade e de 30 dias,