CCJ0006-WL-PA-09-Direito Civil I-Antigo-15842
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de, 
não o fazendo, responder pelos atos que a estes excederam" (art. 118).

Também o representante legal do incapaz deve informar sua qualidade a terceiros. Sem que o terceiro tenha plena ciência da representação, sua extensão e qualidade, seja ela 
voluntária ou legal, o dito representante responderá pela prática de atos que excederem os poderes. A esse propósito, o art. 119 pontiϐica ao aϐirmar que é anulável o negócio 
concluı́do pelo representante em conϐlito de interesses com o representado, se tal fato era ou devia ser conhecido pelo terceiro com quem contratou. A questão, como se vê, é 
complexa e depende da apuração probatória no caso concreto. Procurando o atual Código restringir a instabilidade dos negócios jurı́dicos de maneira geral, neste passo o 
atual ordenamento estabelece o prazo decadencial de 180 dias para o pleito de anulação, a contar da conclusão do negócio ou cessação da incapacidade.

A idéia essencial da representação (levando -se em conta que o representante atua e emite vontade em nome do representado, que é verdadeiramente quem adquire, modiϐica 
ou extingue direitos) é de que o representante possui poder de representação. Tal poder é, portanto, o ponto central do instituto. Na verdade, em qualquer modalidade de 
representação, tal poder deϐlui da lei, pois somente há poder de representação quando o ordenamento jurı́dico o permite.

Tal poder de representação é legal quando emana diretamente da lei, como já vimos no caso dos incapazes. No caso das pessoas jurı́dicas, o art. 17 do Código antigo dizia 
impropriamente que eram representadas ativa e passivamente por quem seus estatutos designassem.

Não se tratava de representação tı́pica, pois os diretores agem como se fossem a própria pessoa jurı́dica, tanto que preferimos dizer que as pessoas jurı́dicas são presentadas 
e não representadas. Não existe, no caso, duplicidade de vontades, pois falta declaração volitiva do representante em lugar do representado. A pessoa jurı́dica projeta sua 
vontade no mundo jurı́dico por meio de seus órgãos.

O poder de representação é convencional nos casos de representação voluntária, quando uma pessoa encarrega outra de representá - la; esse efeito é normalmente conseguido 
com o mandato. A doutrina entende que a procuração, forma pela qual se estampa o mandato, é ϐigura autônoma e independente dele, porque na maioria das vezes, a 
procuração tem em mira regular unicamente a relação interna de gestão entre mandante e mandatário. Deve ser intuı́da a procuração como mero instrumento do mandato. 
Todavia, deve ϐicar assentado que, sempre que houver mandato, haverá representação.

Alguns autores entendem que pode haver representação sem a existência de mandato, ainda que o representado ignore inicialmente os atos praticados por sua conta. Colin e 
Capitant (1934:76) colocam nesse caso a situação da gestão de negócios. Suponha -se, no exemplo clássico, que um vizinho passe a cuidar dos encanamentos da casa ao lado, 
que ameaça ruir, ou passe a tratar do animal de estimação quando a pessoa responsável ausentou-se. O gestor de negócios estaria agindo como representante, sem que 
houvesse sido outorgado o mandato.

Trata-se, portanto, de atuação oϐiciosa do gestor em nome de outrem, sem ter o primeiro recebido incumbência para tal. A existência de representação na negotiorum gestio é 
convertida, uma vez que de inı́cio o gestor procede sem qualquer autorização do dono do negócio. Posteriormente, pode haver ratiϐicação por parte do interessado. Tal 
ratiϐicação tem o condão de converter a oϐiciosidade da atividade do gestor em mandato. Há parcela de representação legal na gestão, porque, de inı́cio, não há voluntariedade 
do dono do negócio. Por essas circunstâncias, ϐicando a gestão de negócios em ponto intermediário entre a representação legal e a voluntária, Caio Mário da Silva Pereira 
(1978, v. 1:541) prefere chamá - la "representação especial". Uma vez realizado o negócio pelo representante, é como se o representado houvesse atuado, pois seus efeitos 
repercutem diretamente sobre o último. Tudo se resume, porém, no poder de representação. No conteúdo desse poder, deve-se examinar se a representação foi corretamente 
exercida.

Como a idéia central da representação se funda no poder de representação, aquele que trava negócios com representante tem o direito de averiguar se existe tal poder e se, 
para o determinado ato em tela, o representante possui poderes. EƵ esse o sentido estabelecido pelo referido art. 118 do atual Código.

Quando se trata da representação legal, é na lei que se procura o teor do poder de representação. O pai, na administração de bens do ϐilho, possui poderes gerais de gerência, 
não podendo, contudo, aliená - los ou gravá - los, sem autorização judicial. Para contrair obrigações, o princı́pio é o mesmo. Tal não ocorre, porém, quando se tratar de 
aquisição de direitos que, em tese, beneϐiciam o menor ou incapaz. A lei tem em mira, aı́, a proteção ao incapaz de consentir.

Na representação voluntária, é na vontade emitida pelo representado que se deve aquilatar a extensão dos poderes outorgados ao representante. O representante legal pode, 
por sua vez, constituir representante voluntário que representará o incapaz em determinados atos.

Questão interessante neste tópico é a chamada autocontratação. Parte - se do seguinte pressuposto: se o representante pode tratar com terceiros em nome do representado,
poderia, em tese, contratar consigo mesmo, surgindo a ϐigura do autocontrato. Há no caso a ϐigura de dois contratantes numa só pessoa. Há várias circunstâncias que 
desaconselham tal procedimento. O atual Código Civil, ao contrário da lei vigente, traz dispositivo sobre a matéria: "Art. 117. Salvo se o permitir a lei ou o representado, é 
anulável o negócio jurı́dico que o representante, no seu interesse ou por conta de outrem, celebrar consigo mesmo.

Parágrafo único. Para esse efeito, considera -se celebrado pelo representante o negócio realizado por aquele em quem os poderes houverem sido substabelecidos."

Nesse caso, há ausência de duas vontades distintas para a realização do negócio. Moralmente, o negócio também é desaconselhável, pois inelutavelmente haverá a tendência 
de o representante dar proeminência a seus interesses em detrimento dos interesses do representado. Nosso Código de 1916, apesar de não possuir dispositivo proibindo, 
como o art. 181 do Código alemão ou semelhante ao vigente Código, possuı́a várias disposições casuı́sticas que proı́bem, por exemplo, o tutor de adquirir bens do pupilo, o 
mandatário de adquirir bens do mandante, e assim por diante.

A proibição cai por terra, no entanto, como diz inclusive o atual estatuto, quando o próprio interessado, ou seja, o representado, autoriza a autocontratação; supera -se aı́ o 
inconveniente da inexistência de duas vontades, pois passam elas a existir ex radice, isto é, desde o nascedouro do negócio. Dessa matéria tratamos especiϐicamente em 
nosso Direito civil: teoria geral das obrigações e teoria geral dos contratos.

Representar, portanto, é agir em nome de outrem. Quem age em nome de outrem sem poderes pratica ato nulo ou anulável.

Quando do estudo do mandato, aprofundaremos a noção de representação voluntária em nosso Direito civil: contratos em espécie e responsabilidade civil. Aı́ tratamos 
também, com maior dimensão, do mandato em causa própria.

ELEMENTOS ACIDENTAIS DO NEGOƵCIO JURIƵDICO

São elementos dispensáveis para a celebração do negócio jurı́dico. Têm como objetivo modiϐicar uma ou algumas conseqüências naturais dos negócios jurı́dicos. São 
declarações acessórias de vontade. 

1. Condição – é uma cláusula que subordina o efeito jurı́dico ao efeito do negócio jurı́dico a evento futuro e incerto. A incerteza deve ser objetiva e não subjetiva. 

1.1.  Classiϐicação: