CCJ0006-WL-PA-09-Direito Civil I-Antigo-15842
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somente no vigente Código Civil, em seus artigos 115 a 120.0 estudo deste instituto compete à teoria geral do direito civil e tem conexão 
e aplicação em vários ramos do direito, como o direito notarial.

Segundo Silvio Venosa, geralmente, é o próprio interessado, com sua vontade, que atua em negócio jurı́dico. Dentro da autonomia privada, o interessado contrai 
pessoalmente obrigações e, assim, pratica seus atos da vida civil em geral. Contudo, em uma economia evoluı́da, há a possibilidade, e muitas vezes se obriga, de outro 
praticar atos da vida civil no lugar do interessado, de forma que o primeiro, o representante, possa conseguir efeitos jurı́dicos para o segundo, o representado, do mesmo 
modo que este poderia fazê -lo pessoalmente.

O representado, ao permitir que o representante aja em seu lugar, amplia sua esfera de atuação e a possibilidade de defender seus interesses no mundo jurı́dico. O 
representante posiciona -se de maneira que conclua negócios em lugar diverso de onde se encontra o representado, ou quando este se encontra temporariamente impedido de 
atuar na vida negocial, ou ainda quando o representado não queira envolver -se diretamente na vida dos negócios.

Para que essa situação ocorra, é necessário, primeiramente, que o ordenamento jurı́dico a permita e, em segundo lugar, que os requisitos desse mesmo ordenamento jurı́dico 
tenham sido cumpridos.

Para que tal situação se conϐigure, é necessária a emissão de vontade em nome do representado e dentro do poder de representação por ele outorgado ou pela lei.

A noção fundamental, pois, é a de que o representante atua em nome do representado, no lugar do representado. O representante conclui o negócio não em seu próprio nome, 
mas como pertencente ao representado. Quem é a parte no negócio é o representado e não o representante. Reside aı́ o conceito básico da representação. Estritamente 
falando, o representante é um substituto do representado, porque o substitui não apenas na manifestação externa, fática do negócio, como também na própria vontade do 
representado.

Evolução histórica da representação

No Direito Romano, os atos possuı́am caráter solene e personalı́ssimo e não admitiam representação. Não se tinha idéia de que alguém pudesse praticar atos por outrem. A 
obrigação havia de ser contraı́da pelo próprio titular.

Representação Legal e Voluntária

A representação pode ser legal ou voluntária, conforme resulte de disposições de lei ou da vontade das partes. Pode-se acrescentar a essas formas a representação judicial, 
nos casos de administradores nomeados pelo juiz, no curso de processos, como os depositários, mas isso é exceção no sistema. Também pode ser considerada forma de 
representação, ainda que anômala, aquela que tenha um ϐim eminentemente processual, como é o caso do inventariante, do sı́ndico da massa falida, do sı́ndico de edifı́cios 
de apartamentos etc.

A representação legal ocorre quando a lei estabelece, para certas situações, uma representação, o que ocorre no caso dos incapazes, na tutela, curatela etc. Nesses casos, o 
poder de representação decorre diretamente da lei, que estabelece a extensão do âmbito da representação, os casos em que é necessária, o poder de administrar e quais as 
situações em que se permite dispor dos direitos do representado.

A representação voluntária é baseada, em regra, no mandato, cujo instrumento é a procuração. A ϐigura da representação não se confunde com a do mandato.

O vigente Código Civil traz, em sua parte geral, disposições gerais sobre a representação (arts. 115 a 120), distinguindo o art. 115 essas duas formas de representação, 
conferidas "por lei ou pelo interessado". O art. 116 aponta o efeito lógico da representação: "A manifestação de vontade pelo representante, nos limites de seus poderes, 
produz efeitos em relação ao representado." Esclarece o art. 120 que os requisitos e os efeitos da representação legal são os estabelecidos nas normas respectivas, enquanto 
os da representação voluntária são os da parte especial do Código, principalmente no contrato de mandato.

Deve -se entender que o representante conclui negócio cujo efeito reϐlete no representado.

EƵ importante que os terceiros tenham ciência da representação, sob pena de inviabilizar o negócio jurı́dico. Essa é uma das questões fulcrais da matéria. O art. 118 do atual 
diploma estatui que "o representante é obrigado a provar às pessoas, com quem tratar em nome do representado, a sua qualidade e a extensão de seus poderes, sob pena de, 
não o fazendo, responder pelos atos que a estes excederam" (art. 118).

Também o representante legal do incapaz deve informar sua qualidade a terceiros. Sem que o terceiro tenha plena ciência da representação, sua extensão e qualidade, seja ela 
voluntária ou legal, o dito representante responderá pela prática de atos que excederem os poderes. A esse propósito, o art. 119 pontiϐica ao aϐirmar que é anulável o negócio 
concluı́do pelo representante em conϐlito de interesses com o representado, se tal fato era ou devia ser conhecido pelo terceiro com quem contratou. A questão, como se vê, é 
complexa e depende da apuração probatória no caso concreto. Procurando o atual Código restringir a instabilidade dos negócios jurı́dicos de maneira geral, neste passo o 
atual ordenamento estabelece o prazo decadencial de 180 dias para o pleito de anulação, a contar da conclusão do negócio ou cessação da incapacidade.

A idéia essencial da representação (levando -se em conta que o representante atua e emite vontade em nome do representado, que é verdadeiramente quem adquire, modiϐica 
ou extingue direitos) é de que o representante possui poder de representação. Tal poder é, portanto, o ponto central do instituto. Na verdade, em qualquer modalidade de 
representação, tal poder deϐlui da lei, pois somente há poder de representação quando o ordenamento jurı́dico o permite.

Tal poder de representação é legal quando emana diretamente da lei, como já vimos no caso dos incapazes. No caso das pessoas jurı́dicas, o art. 17 do Código antigo dizia 
impropriamente que eram representadas ativa e passivamente por quem seus estatutos designassem.

Não se tratava de representação tı́pica, pois os diretores agem como se fossem a própria pessoa jurı́dica, tanto que preferimos dizer que as pessoas jurı́dicas são presentadas 
e não representadas. Não existe, no caso, duplicidade de vontades, pois falta declaração volitiva do representante em lugar do representado. A pessoa jurı́dica projeta sua 
vontade no mundo jurı́dico por meio de seus órgãos.

O poder de representação é convencional nos casos de representação voluntária, quando uma pessoa encarrega outra de representá - la; esse efeito é normalmente conseguido 
com o mandato. A doutrina entende que a procuração, forma pela qual se estampa o mandato, é ϐigura autônoma e independente dele, porque na maioria das vezes, a 
procuração tem em mira regular unicamente a relação interna de gestão entre mandante e mandatário. Deve ser intuı́da a procuração como mero instrumento do mandato. 
Todavia, deve ϐicar assentado que, sempre que houver mandato, haverá representação.

Alguns autores entendem que pode haver representação sem a existência de mandato, ainda que o representado ignore inicialmente os atos praticados por sua conta. Colin e 
Capitant (1934:76) colocam nesse caso a situação da gestão de negócios. Suponha -se, no exemplo clássico, que um vizinho passe a cuidar dos encanamentos da casa ao lado, 
que ameaça ruir, ou passe a tratar do animal de estimação quando a pessoa responsável ausentou-se. O gestor de negócios estaria agindo como representante, sem que 
houvesse sido outorgado o mandato.

Trata-se, portanto, de atuação oϐiciosa do gestor em nome de outrem, sem ter o primeiro recebido incumbência para tal. A existência de representação