CCJ0006-WL-PA-09-Direito Civil I-Antigo-15842
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na negotiorum gestio e\u301 
convertida, uma vez que de in\u131\u301cio o gestor procede sem qualquer autorizaça\u303o do dono do nego\u301cio. Posteriormente, pode haver rati\u3d0icaça\u303o por parte do interessado. Tal 
rati\u3d0icaça\u303o tem o conda\u303o de converter a o\u3d0iciosidade da atividade do gestor em mandato. Ha\u301 parcela de representaça\u303o legal na gesta\u303o, porque, de in\u131\u301cio, na\u303o ha\u301 voluntariedade 
do dono do nego\u301cio. Por essas circunsta\u302ncias, \u3d0icando a gesta\u303o de nego\u301cios em ponto intermedia\u301rio entre a representaça\u303o legal e a volunta\u301ria, Caio Ma\u301rio da Silva Pereira 
(1978, v. 1:541) prefere chama\u301 - la "representaça\u303o especial". Uma vez realizado o nego\u301cio pelo representante, e\u301 como se o representado houvesse atuado, pois seus efeitos 
repercutem diretamente sobre o u\u301ltimo. Tudo se resume, pore\u301m, no poder de representaça\u303o. No conteu\u301do desse poder, deve-se examinar se a representaça\u303o foi corretamente 
exercida. 
Como a ide\u301ia central da representaça\u303o se funda no poder de representaça\u303o, aquele que trava nego\u301cios com representante tem o direito de averiguar se existe tal poder e se, 
para o determinado ato em tela, o representante possui poderes. E\u1b5 esse o sentido estabelecido pelo referido art. 118 do atual Co\u301digo. 
Quando se trata da representaça\u303o legal, e\u301 na lei que se procura o teor do poder de representaça\u303o. O pai, na administraça\u303o de bens do \u3d0ilho, possui poderes gerais de gere\u302ncia, 
na\u303o podendo, contudo, aliena\u301 - los ou grava\u301 - los, sem autorizaça\u303o judicial. Para contrair obrigaço\u303es, o princ\u131\u301pio e\u301 o mesmo. Tal na\u303o ocorre, pore\u301m, quando se tratar de 
aquisiça\u303o de direitos que, em tese, bene\u3d0iciam o menor ou incapaz. A lei tem em mira, a\u131\u301, a proteça\u303o ao incapaz de consentir. 
Na representaça\u303o volunta\u301ria, e\u301 na vontade emitida pelo representado que se deve aquilatar a extensa\u303o dos poderes outorgados ao representante. O representante legal pode, 
por sua vez, constituir representante volunta\u301rio que representara\u301 o incapaz em determinados atos. 
Questa\u303o interessante neste to\u301pico e\u301 a chamada autocontrataça\u303o. Parte - se do seguinte pressuposto: se o representante pode tratar com terceiros em nome do representado, 
poderia, em tese, contratar consigo mesmo, surgindo a \u3d0igura do autocontrato. Ha\u301 no caso a \u3d0igura de dois contratantes numa so\u301 pessoa. Ha\u301 va\u301rias circunsta\u302ncias que 
desaconselham tal procedimento. O atual Co\u301digo Civil, ao contra\u301rio da lei vigente, traz dispositivo sobre a mate\u301ria: "Art. 117. Salvo se o permitir a lei ou o representado, e\u301 
anula\u301vel o nego\u301cio jur\u131\u301dico que o representante, no seu interesse ou por conta de outrem, celebrar consigo mesmo. 
Para\u301grafo u\u301nico. Para esse efeito, considera -se celebrado pelo representante o nego\u301cio realizado por aquele em quem os poderes houverem sido substabelecidos." 
Nesse caso, ha\u301 ause\u302ncia de duas vontades distintas para a realizaça\u303o do nego\u301cio. Moralmente, o nego\u301cio tambe\u301m e\u301 desaconselha\u301vel, pois inelutavelmente havera\u301 a tende\u302ncia 
de o representante dar proemine\u302ncia a seus interesses em detrimento dos interesses do representado. Nosso Co\u301digo de 1916, apesar de na\u303o possuir dispositivo proibindo, 
como o art. 181 do Co\u301digo alema\u303o ou semelhante ao vigente Co\u301digo, possu\u131\u301a va\u301rias disposiço\u303es casu\u131\u301sticas que pro\u131\u301bem, por exemplo, o tutor de adquirir bens do pupilo, o 
mandata\u301rio de adquirir bens do mandante, e assim por diante. 
A proibiça\u303o cai por terra, no entanto, como diz inclusive o atual estatuto, quando o pro\u301prio interessado, ou seja, o representado, autoriza a autocontrataça\u303o; supera -se a\u131\u301 o 
inconveniente da inexiste\u302ncia de duas vontades, pois passam elas a existir ex radice, isto e\u301, desde o nascedouro do nego\u301cio. Dessa mate\u301ria tratamos especi\u3d0icamente em 
nosso Direito civil: teoria geral das obrigaço\u303es e teoria geral dos contratos. 
Representar, portanto, e\u301 agir em nome de outrem. Quem age em nome de outrem sem poderes pratica ato nulo ou anula\u301vel. 
Quando do estudo do mandato, aprofundaremos a noça\u303o de representaça\u303o volunta\u301ria em nosso Direito civil: contratos em espe\u301cie e responsabilidade civil. A\u131\u301 tratamos 
tambe\u301m, com maior dimensa\u303o, do mandato em causa pro\u301pria. 
ELEMENTOS ACIDENTAIS DO NEGO\u1b5CIO JURI\u1b5DICO 
Sa\u303o elementos dispensa\u301veis para a celebraça\u303o do nego\u301cio jur\u131\u301dico. Te\u302m como objetivo modi\u3d0icar uma ou algumas consequ\u308e\u302ncias naturais dos nego\u301cios jur\u131\u301dicos. Sa\u303o 
declaraço\u303es acesso\u301rias de vontade.  
1. Condiça\u303o \u2013 e\u301 uma cla\u301usula que subordina o efeito jur\u131\u301dico ao efeito do nego\u301cio jur\u131\u301dico a evento futuro e incerto. A incerteza deve ser objetiva e na\u303o subjetiva.  
1.1.  Classi\u3d0icaça\u303o:  
a)  quanto a\u300 possibilidade: poss\u131\u301vel e imposs\u131\u301vel (f\u131\u301sica ou jur\u131\u301dica);  
b)   quanto a\u300 licitude: l\u131\u301cita e il\u131\u301cita;  
c) quanto a\u300 participaça\u303o dos celebrantes: causal ( depende de acontecimento fortuito ou da vontade exclusiva de terceiros), potestativa (depende da vontade exclusiva de 
uma das partes), simplesmente potestativa ( \u3d0ica totalmente sobre a vontade de uma das pares, nesse caso, e\u301 nulo), mista ( junta a vontade de uma ou ambas as partes com a 
vontade de terceiro); 
d)  quanto ao modo de atuaça\u303o:  
-   Suspensiva \u2013 a e\u3d0ica\u301cia do nego\u301cio jur\u131\u301dico \u3d0ica suspensa ate\u301 a implementaça\u303o de evento futuro e incerto. As partes protelam o nego\u301cio temporariamente a e\u3d0ica\u301cia, quando 
o evento futuro e incerto acontecer o nego\u301cio se realiza.  
- Resolutiva \u2013 subordina a ine\u3d0ica\u301cia do nego\u301cio a evento futuro e incerto. Quando ocorre o evento futuro e incerto extingue-se os efeitos do nego\u301cio jur\u131\u301dico.  
  
1.2.  sa\u303o condiço\u303es na\u303o aceitas pelo direito:  
a) na\u303o se casar;  
b) ex\u131\u301lio ou morada perpe\u301tua em determinado lugar;  
c) exerc\u131\u301cio de determinada pro\u3d0issa\u303o;  
d) seguimento de determinada religia\u303o;  
e) aceitaça\u303o ou renu\u301ncia de herança;  
f) reconhecimento de filho; 
g) emancipaça\u303o.  
2. Termo \u2013 e\u301 o dia que começa ou extingue o nego\u301cio jur\u131\u301dico, subordina - se a evento futuro e certo. 
Classifica-se da seguinte forma: 
a) termo certo \u2013 estabelece de uma data de calenda\u301rio;  
b) termo incerto \u2013 evento futuro, que se veri\u3d0icara\u301 em data indeterminada;  
c) termo suspensivo \u2013 a partir dele se pode exercer determinado direito; 
d) termo resolutivo \u2013 a partir dele cessa os efeitos do nego\u301cio jur\u131\u301dico.  
3. Encargo ou modo \u2013 cla\u301usula acesso\u301ria, em regra, descreve atos de liberalidade inter vivos ou causa mortis , que impo\u303e o\u302nus ou obrigaça\u303o a uma pessoa contemplada pelos 
referidos atos. O encargo na\u303o suspende a aquisiça\u303o ou exerc\u131\u301cio de direito.      
Nome do livro: Uma Introdução ao Direito Civil - ISBN-13:9788530925659 
Nome do autor: NEVES, José Roberto de Castro.    
Editora: Forense 
Ano: 2007. 
Edição: 2a 
Nome do capítulo: O Negócio Jurídico 
N. de páginas do capítulo: 14 
Aplicação Prática Teórica 
Os conhecimentos apreendidos sera\u303o de fundamental importa\u302ncia para a re\u3d0lexa\u303o teo\u301rica envolvendo a compreensa\u303o necessa\u301ria de que o direito, para ser entendido e estudado 
enquanto feno\u302meno cultural e humano, precisa ser tomado enquanto sistema disciplinador de relaço\u303es de poder, a partir da metodologia utilizada em sala com a aplicaça\u303o dos casos 
concretos, a saber: 
  
CASO CONCRETO 1 
Carlos Alberto e Miguel sa\u303o colegas de turma e estudam no 3o per\u131\u301odo da faculdade de Direito. Durante a aula de Direito Civil, Miguel, que anotava a mate\u301ria, ve\u302 que sua caneta 
começa a falhar. Carlos Alberto, percebendo que o amigo esta\u301 em di\u3d0iculdades, abre seu estojo, tira dele uma lapiseira e, em sile\u302ncio, a entrega a Miguel que, tambe\u301m em sile\u302ncio, a 
aceita e retoma suas anotaço\u303es. Ao \u3d0inal da aula, Carlos Alberto pede a lapiseira de volta. Miguel se recusa a devolve\u302- la, alegando ter havido uma doaça\u303o na presença de diversas 
testemunhas. 
Pergunta-se: 
1) Houve negócio jurídico entre Carlos Alberto e Miguel? Justi\u3d0ique a resposta. 
  
2)Tomando por base a classi\u3d0icação dos negócios jurídicos como podemos classi\u3d0icar o ato praticado ?