Direito Constitucional 1-¬ Aula
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DIREITO CONSTITUCIONAL II

1a. Aula – Breve Revisão de conceitos.

1. O que é Constituição? e como ela pode ser classificada?

Para Alexandre de Moraes, Constituição pode ser entendida como lei fundamental e suprema de um Estado, a qual contem normas referentes a estruturação do Estado, a formação dos poderes públicos, forma de governo e aquisição do poder de governar, distribuição de competências, direitos, garantias e deveres dos cidadãos. Alem disso, é a Constituição que individualiza os órgãos competentes para edição de normas jurídicas, legislativas e administrativas.

2. Como ela pode ser classificada?

As constituições podem ser classificadas de diversas formas. Vamos enumerar as principais classificações:

Quanto ao conteúdo:

a.1) Material: conjunto de normas pertinentes a organização do poder, de conteúdo referente à composição e funcionamento da ordem política. Sob o aspecto material significa dizer que, segundo o entendimento dominante, somente as determinações mais importantes de um Estado é que deveriam ser consideradas normas constitucionais (muitas das normas que constam na CF nao são materialmente constitucionais, poderiam certamente estar a nível ordinário).

a.2) Formal: é aquela consubstanciada de forma escrita, por meio de documento solene estabelecido pelo poder originário.

Quanto à forma:

b.1) Constituição Consuetudinária ou Costumeira ou nao-escrita: estas prevaleceram ate os fins do século XVIII.

É o conjunto de regras nao aglutinadas num documento solene, mas baseada em costumes, leis esparsas, na jurisprudência e convenções.

Exemplo disso é a Constituição Inglesa, cujas leis abrangem o direito estatutário (statute Law), o direito jurisprudencial (case Law), o costume e as convenções constitucionais (constitutional conventions).

Em suma: para Mario Ganzalez “ constituição consuetudinária são aquelas que a pratica ou o costume sancionaram ou impuseram”.

b.2) Constituição Escrita: para Mario Gonzalez pode-se dizer que, “constituições escritas são aquelas que foram promulgadas pelo órgão competente”.

A origem das constituições escritas atribui-se também ao Contrato Social de Rousseau, o qual levou todos a crer que “seria mais adequado concretizar em um pacto social ou contrato, as normas de convivência entre governo e governados”.

Assim, hoje tem-se como constituição escrita, o conjunto de regras codificadas e sistematizadas em um único documento para fixar-se como organização fundamental.

Quanto ao modo de elaboração: dogmáticas ou históricas.

c.1) Constituições Dogmáticas: esta se apresenta como produto escrito e sistematizado por um órgão constituinte, a partir de princípios e idéias fundamentais da teoria política e direito dominante.

c.2) Constituição Histórica: é fruto da lenta e continua síntese da Historia e tradições de um determinado povo (ex. Constituição Inglesa).

Quanto à origem: promulgadas ou outorgadas.

d.1) Constituição Outorgada: no sentido jurídico, é ato unilateral de uma vontade política soberana – a do outorgante. São as constituições estabelecidas sem qualquer participação popular, através da imposição do poder da época.

Exemplos: a Constituição Imperial de D. Pedro I de 1824; a de 1937 – Vargas; 1967 e a EC 1969 dos Militares.

d.2) Constituições Promulgadas ou Democráticas ou Populares: são democráticas as constituições que derivam do trabalho de uma Assembléia Nacional Constituinte composta de representantes do povo, eleitos com a finalidade de sua elaboração.

Exemplos: Constituições de 1891, 1934, 1946 e 1988.

Quanto à estabilidade: imutáveis, rígidas, flexíveis ou semi-flexiveis.

e.1) São Imutáveis as constituições onde se veda qualquer alteração, constituindo-se relíquias históricas. Pode esta imutabilidade ser relativa, no caso de se estabelecerem prazo temporais a serem observados.

e.2) São Rígidas as constituições escritas que somente poderão ser alteradas por um processo legislativo mais solene e dificultoso do que existe para a edição dos demais atos normativos. Art. 60, CF.

e.3) São Flexíveis as constituições em regra nao escritas, estas podem ser alteradas por um processo legislativo ordinário.

e.4) São Semi-flexiveis ou semi-rigidaz, as constituições na qual, algumas regras podem ser alteradas por procedimento ordinário e, outras somente por procedimento especial.

* Ressalta-se que a nossa CF/88 é rígida, uma vez que em regra poderá ser alterada por processo legislativo diferenciado, mas, excepcionamente, em alguns pontos é imutável – art. 60, p. 4o., CF.

Quanto à extensão: analíticas ou sintéticas.

f.1) Sintéticas: prevêem somente princípios e as normas gerais de regência do Estado, organizado-o e limitando seu poder, por meio da estipulação de direitos e garantias fundamentais (ex. C. Norte-Americana).

f.2) C. Analíticas: que examinam e regulamentam todos os assuntos que entendam relevantes à formação, destinação e funcionamento do Estado (ex. CF brasileira).

Em suma: nossa atual constituição é: formal, escrita, dogmática, promulgada, rígida e analítica.