Direito Constitucional 2-¬ Aula
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Direito Constitucional 2-¬ Aula

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2a. Aula

A INTERPRETAÇAO DA CONSTITUIÇAO FEDERAL
1. Conceito: Interpretação é a reconstrução do conteúdo da lei, é sua elucidação, é dar significado/sentido ao texto viciado ou obscuro.

A interpretação trata-se de uma operação lógica, de caráter técnico, mediante o qual se investiga o significado exato de uma norma jurídica nem sempre clara e precisa.

A interpretação mostra o direito vivendo plenamente a fase concreta e integrativa, objetivando-se na realidade. Isto quer dizer que, o momento da interpretação vincula a norma geral às conexões concretas, conduz do abstrato ao concreto, insere a realidade no esquema.

2. Classificação da interpretação quanto às fontes, sujeitos ou agentes; quanto aos meios que emprega e, finalmente, quanto aos resultados que alcança.

a) Quanto às Fontes, sujeitos ou agente, ha as seguintes espécies de interpretação:

a.1) Interpretação Autentica: é aquela ministrada pelo legislador mesmo; o órgão legislativo elabora segunda norma com o propósito de esclarecer especificamente o significado e o alcance da norma antecedente havida por obscura.

Criticas: que se estaria criando nova lei, distinta da antecedente, nao havendo que se falar em interpretação.

Outros apóiam, estes argumentam que a lei nova nao cria direitos ou deveres novos, mas tão-somente elucida o significa da lei preexistente, inclusive com efeitos ex tunc.

A interpretação autentica vincula os juízes, sendo de eficácia imperativa erga omnes (casos decididos anteriores a lei interpretativa nao sofrem o efeito da interpretação quando contrários).

a.2) Interpretação Judiciária ou Jurisprudencial: procede dos juízes e tribunais, do usus fori, das sentenças que aplicam a norma jurídica aos casos concretos, sendo tanto mais importante quanto mais alta for a competência da instancia de onde emana.

a.3) Interpretação Doutrinaria: é aquela que deriva da doutrina, dos doutores, mestres e teoristas do Direito, dos que, mediante obras, pareceres, estudos intentam precisar o conteúdo e os fins da norma, ou ainda, de abrir-lhe caminhos de aplicação a situações ainda inéditas.

Esta interpretação para ser considerada relevante, depende da reputação do autor e ainda de seus argumentos.

b) A classificação quanto aos meios empregados, podendo ser: gramatical, lógica ou analógica.

b.1) Interpretação Gramatical: também conhecida como interpretação literal. Esta supõem uma analise do teor da lei. Busca o sentido literal das palavras de forma isolada ou no contexto do texto, mediante o uso de meios gramaticais e etimológicos.

Esta forma de interpretação, segundo Jhering, reconhece que o sentido da lei é tão-somente o que o legislador colocou no texto da lei, de modo expresso e direto. Se nao consta no texto escrito é porque nao era querido pelo legislador e portanto nao existe.

b.2) Interpretação Lógica: busca o significado da lei levando em consideração as demais leis do ordenamento; investiga-se, também, as condições e os fundamentos de sua origem e elaboração, de modo a determinar a vontade do legislador. Busca portanto, reconstruir a intenção daquele que criou a lei.

b.3) Interpretação Analógica: é na verdade um processo de integração por analogia. Levando-se em consideração que o sistema jurídico é perfeito, tem-se que cabe ao aplicador do direito (juiz), tendo como recurso a analogia, a este cumpre a tarefa de descobrir ou explicitar um direito latente, que já existe no interior do sistema.

A teoria da analogia é apenas um método de preenchimento de lacunas.

c) A classificação quanto aos resultados pode ser: declarativa, extensiva ou restritiva.

c.1) Interpretação Declarativa: ocorre quando na reconstrução do pensamento pelo interprete coincide a interpretação gramatical com a lógica.

c.2) Interpretação Extensiva: quando a lei abrange mais casos que aqueles que ela taxativamente contempla, isto é, o teor da lei é objeto de alargamento ou retificação, ate coincidir com a vontade que o legislador quis exprimir.

Ex.: direitos fundamentais.

c.3) Interpretação Restritiva: quando se restringe o alcance da norma, de modo que a lei diz mais do que pretendeu o legislador.

3. Métodos clássicos de Interpretação

Dos métodos tradicionais de interpretação brotaram métodos modernos, como o lógico-sistematico, o histórico-teleologico e o da escola pura do direito, todos voltados para o espírito da lei, ao invés da letra da lei.

Método Lógico-sistematico

A interpretação começa naturalmente onde se concebe a norma como parte de um sistema – a ordem jurídica, que compõem um todo. É esta unidade que lhe dá sentido, sendo impossível de obter o verdadeiro sentido se considerássemos a norma de forma isolada.

É possível assim com o emprego dos elementos lógicos disponíveis e dos princípios mais gerais e abstratos do sistema elucidar a norma, objeto de interpretação.

Método Histórico-teleologico

Este método pressupõe que um raciocínio no qual, a norma, objeto de interpretação, está contida no conjunto da ordem jurídica (nao se busca seu sentido de forma isolada).

Ocorre que o método histórico-teleologico vai alem, ele busca por meio de elementos históricos, traçar toda historia da proposição legislativa, desce no tempo para investigar o ambiente no qual se originou a lei, procura enfim encontrar o legislador histórico, as pessoas que realmente participaram na elaboração da lei, trazendo à luz os intervenientes fatores políticos, econômicos e sociais.

O elemento teleológico indaga acerca do fim especial da norma, para isso é precisa entender a alma do legislador.

Método da Teoria Pura do Direito – Hans Kelsen

Segundo Kelsen, a necessidade de interpretação deriva do fato de que a norma ou o conjunto de normas a se aplicarem, deixam abertas varias possibilidades de aplicação.

Frente as varias possibilidades de aplicação que a norma pode oferecer, Kelsen depara-se com o problema de qual possibilidade é a mais correta. Alega que isso nao se trata de problema da teoria do direito, mas sim de política-juridica.

Seria uma questão de decidir qual interesse em jogo é maior e portanto, devera prevalecer.

Kelsen ressalta a importância da figura do juiz, e tem neste um criador de direito. Este cria normas individualizadas, justamente na aplicação de normas com diferentes possibilidade de interpretação.

O limite estaria em aplicar o direito (norma interpretada) respeitando o preceito da norma geral, ou seja, daquela que esta hierarquicamente superior a ela (e quando Kelsen fala isso, refere-se a constituição – lei maior).

Em suma, Kelsen faz da interpretação um ato que une o entendimento à vontade, o exercício de faculdades racionais e intelectivas ao livre querer do interprete, de modo que a função do juiz, o seu papel na aplicação da lei, nao se cinge a função mecânica de verificar certas premissas e extrair delas silogisticamente sua conclusão lógica. Para o autor, a interpretação é mais ato de vontade que de cognição e quando se decide por uma das diversas possibilidades interpretativas, essa eleição ou preferência se da fora da esfera teórica, no âmbito da política do direito.

4. Avaliação dos Métodos de Interpretação

Nao há consenso entre os autores sobre qual seria o melhor método de interpretação.

Scheuerle recomenda na aplicação pratica do direito uma livre escolha da técnica hermenêutica, como melhor caminho a seguir, desde que encontre um resultado satisfatório.

Savigny diz que os métodos tradicionais (gramatical, lógico, histórico e sistemático) devem ser utilizados conjuntamente a fim de se obter uma interpretação bem sucedida.

Rechstsfindung defende o método teleológico por achar-se talvez mais perto da vida e apresentar-se mais consentâneo com as exigências de uma sociedade mais dinâmica e cambiante.

Jurista belga Du Pasquier assinala que a personalidade do interprete é o que vale e prepondera, pois interpretar é mais arte do que ciência.

5. A Constituição Interpretada

É importante salientar que, quanto mais rígida for a constituição, quanto mais dificultosos os obstáculos para