CCJ0006-WL-PA-09-Direito Civil I-Novo-15838
5 pág.

CCJ0006-WL-PA-09-Direito Civil I-Novo-15838

Disciplina:Direito Civil I9.716 materiais355.204 seguidores
Pré-visualização11 páginas
nos atos legais da pessoa jurídica. 

Em havendo posição afirmativa, o domicílio será o lugar, por conseguinte, definido no estatuto, contrato social ou ato constitutivo, pacificado pela formalidade que o 
credencia expressamente.

À falta de revelação expressa, o domicílio das pessoas jurídicas será, porém, o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações. 

Admite-se, em outra análise, que se consolide o entendimento de que, à revelia das disposições expressas e formais constantes no estatuto, contrato social ou ato 
constitutivo, o domicílio desloque-se para o lugar onde se exerce o verdadeiro comando da pessoa jurídica, com a presença de seu corpo dirigente, do qual partam as ações 
estratégicas e gerenciais de maior nível ou poder hierárquico, em decorrência das quais pulsa a vida empresarial. 

Dá-se, no caso, a descaracterização ou a desformalização do domicílio, principalmente quando ele se artificializa por meio de maquiagens ou traquinagens jurídicas, com o 
propósito de escapulir às exigências e obrigações legais, iludindo o Estado ou a sociedade. 

Característica que merece destaque é a de que a pessoa jurídica, se dispuser de estabelecimentos em lugares diferentes, será dotada de domicílio plural. 

Com efeito, conforme o perfil, as características e as necessidades intrínsecas da pessoa jurídica, pode -se, perfeitamente, fragmentar a sua unidade nuclear, de cujos
pedaços compõem-se outros estabelecimentos, a fim de otimizar a atuação da entidade, ao tempo em que cada uma delas será considerada domicílio para os atos 
individualmente praticados.

Essa disposição socorre os que contratam com a pessoa jurídica, cultivando-se a possibilidade de facilitar, de um lado, o acionamento judicial dessas entidades e, do outro,
barrar o surgimento de embaraços processuais relativos ao foro. 

Quando a administração, ou diretoria, tiver sede no estrangeiro, estabelece o Código Civil que se haverá por domicílio da pessoa jurídica, no tocante às obrigações por cada 
uma das suas agências, o lugar do estabelecimento, sito no Brasil, a que ela corresponder. 

Assim, as obrigações assumidas pela pessoa jurídica, cuja administração ou corpo dirigente situem-se em território estrangeiro, serão legadas à agência localizada no país, 
reconhecendo-se como tal o seu domicílio. Para a lei, o fato de a pessoa jurídica centrar a sede de sua administração ou diretoria no estrangeiro não transmuda ou inibe o 
domicílio do lugar em que se estabelece no Brasil, em relação às obrigações aqui contraídas, independentemente da nacionalidade da empresa. 

Pluralidade de Domicílios - Mostra-se flagrante a opção que o legislador assentou sobre a pluralidade de domicílio. 

O regime adotado pelo Código Civil foi o de privilegiar a existência de mais de um domicílio, seja pessoa natural ou pessoa jurídica de direito privado, razão por que se disse 
que o legislador perfilhou a escola que cultiva a pluralidade de domicílio. 

Plural ou singular, o que importa, porém, é que haja pelo menos um domicílio, haja vista que não é crível a existência de pessoa jurídica ou de pessoa natural , ainda que 
desprovida de toda sorte de bens materiais, sem domicílio, como representação do local em que possa a ser encontrada. 

Assim, tendo a pessoa natural multifárias residências ou exercendo sua ocupação em variadas localidades, é certo que cada uma delas constituirá o seu domicílio ou, em 
última hipótese - homenageando a segurança das relações jurídicas -, o local onde for encontrada, com o que se afasta o risco da inexistência de domicílio na ordem 
jurídica nacional. 

E no que tange às pessoas jurídicas, prevalece, também, a regra que autoriza a existência da pluralidade de domicílio, bastando que se diversifiquem os estabelecimentos 
em lugares diferentes, reputando-se domicílio cada um deles, segundo os atos nele praticados. 

Preponderância do domicílio - Ao contrário de juízo precipitado, diz -se que o legislador optou pelo modelo liberal, ao consentir a pluralidade de domicílio, sem 
hierarquizá-lo ou priorizá-lo.

Na pluralidade de domicílio, resolve-se o conflito pela prevalência da atração do fato ou ato sob cuja área de influência ou conexão foi editado, gerando obrigações ou 
direitos.

 

Referências bibliográficas:
Nome do livro: Curso de Direito Civil. Vol 1 Parte Geral - ISBN. 8530927923

Nome do autor: NADER, Paulo.

Editora: Forense

Ano: 2008

Edição: 5a

Nome do capítulo:  A codificação do Direito Civil 

N. de páginas do capítulo:   16 

Aplicação Prática Teórica

CASO CONCRETO 1

Espécies de pessoas jurídicas de direito privado.

Prof. José Barros

Antônio Luckyless ao chegar na garagem de seu prédio, pela manhã, observou que seu automóvel encontrava-se amassado. Diante do fato, Antônio 
procurou o Síndico para que este tomasse providências no sentido de ressarcir o dano causado ao automóvel de sua propriedade. Entretanto, foi 
surpreendido pelo Síndico que lhe informou nada poder fazer uma vez que o condomínio não é pessoa jurídica, logo, não pode ser responsabilizado 
pelos danos que por ventura ocorram nas suas dependências. Com dúvida sobre a pertinência do que foi dito pelo síndico, Luckyless  procura você, 
seu advogado pessoal, para uma consulta jurídica. 

À luz do caso acima narrado, responda justificadamente:

a)     Está correta a afirmação do Síndico? Justifique.
b)     O condomínio pode figurar no pólo passivo de uma relação jurídica? Justifique.
CASO CONCRETO 2

Espécies de pessoas jurídicas de direito privado.

Josimar de Sant´Anna, próspero comerciante estabelecido na cidade de Salvador/BA, é um cidadão de bons princípios. Ao saber que herdara todos os bens de seu rico tio 
solteirão que morrera na Suíça, tratou de buscar dar uma finalidade social à metade de tudo que herdara. Instituiu uma fundação por escritura particular, com finalidade 
educacional não lucrativa para as crianças carentes da Baixa do Sapateiro, e com dotação de bens livres, tendo registrado o instrumento no Cartório de Títulos e 
Documentos, deixando de mencionar a maneira de administrá-la.

Diante do caso acima exposto, pergunta-se:

a) Josimar fez a escolha jurídica correta ao criar uma fundação e não uma associação? Justifique.

b) O procedimento adotado para criação da fundação está de acordo com a lei? Por quê?Justifique.

CASO CONCRETO 3

Pessoa jurídica: Desconsideração da personalidade jurídica.

A empresa Clean Serviços de Limpeza Ltda, prestadora de serviço de limpeza, foi despejada da sua sede, por falta de pagamento de alugueres. De fato, parou de exercer 
suas atividades, pois dispensou seus empregados por telegrama e encontra-se em local incerto e não sabido.  Além dos ex -empregados que não receberam um tostão 
sequer pela rescisão do contrato de trabalho, diversos credores tentaram receber seus créditos, em vão. No curso de um dos processos ajuizados por uma empresa 
credora, a Detergentes Clariol Ltda, foi constatado que um dos sócios da Clean Serviços de Limpeza Ltda. transferiu sua parte na sociedade para o manobrista da garagem 
de seu prédio, além de contrair de má-fé diversas dívidas em nome da empresa. A sociedade não possui qualquer ativo para pagar suas dívidas.

Pergunta-se:

a)         A empresa Clean Serviços de Limpeza Ltda. está legalmente extinta? 

b)         Qual solução jurídica para os credores receberem seus créditos?

Plano de Aula: 5 - DIREITO CIVIL I

DIREITO CIVIL I

1- NACIONALIDADE - ART 11 LICC

2- ESTRUTURA INTERNA -

SOCIEDADES   EMPRESÁRIAS E SIMPLES - ASSOCIAÇÕES - FUNDAÇÕES

Estácio de Sá Página 5 / 5