6_ A TEORIA DA CRISE E A PRODUÇÃO CAPITALISTA DO ESPAÇO EM DAVID HARVEY
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6_ A TEORIA DA CRISE E A PRODUÇÃO CAPITALISTA DO ESPAÇO EM DAVID HARVEY

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sempre renovada do capital na superação dos entraves materiais interpostos ao seu

processo de valorização.

 A manufatura, que tem por base a produção artesanal da cooperação simples,

triunfa sobre esta ao criar o trabalhador coletivo combinado, dividindo as várias etapas

do processo de produção entre os trabalhadores singulares reunidos pelo capitalista. A

força produtiva que daí emerge corresponde, sobremaneira, à necessidade de expansão e

autovalorização do capital. Porém, a produtividade alcançada por essa forma de

organização do trabalho tem, entre seus limites, dois imediatamente colocados: 1) a

restrição do mercado ao consumo individual, ou seja, não há um mercado próprio do

capital e 2) o processo de produção do capital não adquire uma objetividade frente ao

trabalho, quer dizer, a subjetividade do trabalhador impõe ao processo de valorização os

limites próprios de uma produção ainda artesanal - a manufatura é \u201cum mecanismo de

produção cujos órgãos são seres humanos\u201d (Marx, 1985, p. 268).

 A superação deste estado de coisas - da subsunção apenas formal da manufatura

- só é possível na medida em que a maquinaria se consolida no seio do processo

produtivo. Com a grande indústria, pois, o capital sela sua decisiva impostação como

sujeito de uma relação invertida, sendo o trabalho apenas um meio, um objeto

engastado como pressuposto de uma subsunção real. A dessubjetivação do processo de

trabalho, dimanada pela maquinaria ao substituir a ferramenta do período

manufatureiro, permite ao capital a superação dos limites físicos e morais envolvidos no

processo de extração de mais-valia absoluta. Daí em diante, uma série de

transformações sociais cria para o capital as condições mais favoráveis à extração de

mais-valia relativa, entra as quais figuram: a perda dos meios e a simplificação do

trabalho, sua massiva substituição por trabalho feminino e infantil e a inarredável

incorporação do savoir faire dos trabalhadores à máquina, em seu progressivo

aperfeiçoamento tecnológico.

Além disso, o estado geral de desenvolvimento das forças produtivas alavancado

pela grande indústria, reduz substancialmente o valor da força de trabalho, em virtude

da menor quantidade de trabalho socialmente necessário à produção dos meios de

subsistência da classe trabalhadora. Tudo isso leva a uma ciosa retração do tempo de

trabalho necessário e à conseqüente ampliação do tempo excedente, proporcionando ao

capital uma forma de expropriação mais objetiva e sistemática sobre o trabalho vivo.