Anotações - Direito Penal I
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Anotações - Direito Penal I


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comparecimento voluntário à penitenciária se acrescentasse mais um no cálculo da pena total. Absurdo!
 
Por isso, por exemplo, a fuga da prisão (sem machucar ninguém) não é crime, já que seria contra a natureza humana não tentar.
A relação entre Estado e indivíduo não está no mesmo nível que a relação indivíduo-indivíduo, como é comum ocorrer em alguns ramos do direito privado. Numa relação do âmbito privado a pessoa assume um compromisso voluntariamente, na relação no âmbito público, não há voluntariedade. Assim, não se pode falar que surge a obrigação do acusado de cumprir a pena (exigir da pessoa a obrigação de limitar a sua liberdade). 
O Estado dispõe, portanto, de um poder-dever, que não lhe é lícito deixar de exercer. O Estado, através da força, compele o indivíduo a cumprir a pena.
No Estado Democrático de Direito: o Estado é constituído em função do indivíduo. Reconhece direitos fundamentais, como a dignidade da pessoa humana (a pessoa é um fim em si mesma, não serve a algo) e a liberdade.
 
Direito Penal Substantivo e Direito Penal Adjetivo - terminologia antiga, já superada, estudada apenas como interesse histórico. O Direito Penal substantivo seria o Direito Penal propriamente dito (conjunto de normas..) ao passo que o Direito Penal adjetivo seria o atual Direito Processual, que tem a finalidade de determinar a forma como deve ser aplicado o Direito Penal; 
 
Direito penal comum: caso não se trate de matéria de competência das justiças eleitoral, militar ou do trabalho, a competência do julgamento é da justiça comum.
 
Direito penal especial: especificação do penal comum; corpo autônomo de princípios, com diretrizes próprias. Trata-se de penal especial quando a norma é aplicada por órgãos especiais. No Brasil, são seus ramos: Direito penal militar e Direito penal eleitoral. 
 
¹ não confundir com Lei Extravagante ou especial e nem com a parte especial do Código Penal; os crimes previstos pela legislação especial e pela parte especial do código penal são da justiça comum.
 
² Justiça comum x Justiça especial: são divididas pela matéria que compete ser processada e julgada por determinado órgão judicial. A justiça militar, eleitoral e trabalhista são as Justiças especiais do Judiciário brasileiro. A Justiça do Trabalho é a única que não tem competência penal alguma, mesmo em relação aos crimes contra a organização do trabalho, que são da competência da Justiça Comum Federal. 
A Justiça comum é a residual.
 
³ Justiça federal militar x Justiça estadual militar: a federal julga militares da Marinha, do Exército ou da Aeronáutica e civis que sejam réus acusados de praticar crimes militares definidos em Lei; já a estadual, tem a competência de julgar membros da Policia Militar e membros do Corpo de Bombeiros, apenas.
 
OBS: se o ato criminoso está definido nos dois códigos (especial e comum), há uma série de regras para decidir de quem será a competência. 
Nota: Crianças maiores de 12 anos e menores de 18 são inimputáveis. Isso não significa que são completamente impunes, mas que sofrerão as sanções definidas por lei especial: o Estatuto da criança e do adolescente (lei 8060/90). Caso haja necessidade de afastar o adolescente da sociedade, este será detido em casas próprias, não em unidades prisionais.
 
 
Código Penal
terça-feira, 16 de agosto de 2011
10:31
Parte geral: a doutrina elaborou três grandes Teorias cujos objetos (normas) são encontrados na Parte Geral. Busca-se responder a essas perguntas:
 
O que é o Direito Penal? 
 
A Teoria da Norma ou Lei Penal é a interpretação dos artigos que se referem a esta pergunta.
 
Quais são os requisitos para que um fato seja considerado crime?
 
A Teoria do Delito ou crime é o estudo dos artigos que querem responder a esta pergunta.
 
Como se pune a prática de crimes?
 
A Teoria da Pena é a resposta ou estudo desses artigos que referem a esta pergunta.
 
OBS: 
As Leis, principalmente os Códigos, normalmente se dividem em Partes. No caso do Código Penal, como já é sabido, há a divisão entre Parte Geral e Parte Especial; cada uma, por sua vez, se divide em (nem todas as subdivisões são obrigatórias): 
>Títulos
>>Capítulos
>>>Sessões
>>>>Artigos
>>>>>Parágrafos
>>>>>>Incisos (trazem um rol, podendo vir atrelados diretamente a um artigo ou a um parágrafo)
>>>>>>>Alíneas (também trazem um rol; normalmente dentro dos próprios incisos)
 
 
 
Parte especial:
 
 
Fontes do Direito Penal
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
08:25
Fonte: lugar de origem (no caso, origem primária ou gênese das normas jurídico-penais).
Para Kelsen, fonte do direito é o fundamento de validade jurídico-positiva das normas de direito.
Fonte material ou de produção se relaciona com a origem do direito enquanto fonte formal ou de conhecimento com as formas de sua manifestação.
 
Fontes do Direito Penal Objetivo: 
 
Fonte material ou de produção: (fonte de produção das normas penais).
No Brasil, Poder legislativo federal: Congresso Nacional. (art. 22,I).
Isto é, o Estado é a única fonte de produção (compete à União legislar em matéria penal).
Nos EUA, os estados têm competência em matéria penal.
 
A edição de uma lei de matéria penal significa uma potencial restrição (proibição da prática de um comportamento): isso faz com que produzir uma lei penal seja uma atividade com regras meticulosas (não basta que o Congresso aprove uma lei para que ela seja legítima em matéria penal); o Congresso deve utilizar o procedimento legislativo ordinário (tem que seguir todo trâmite normal e, portanto, detalhado de elaboração das leis). É incompatível, por exemplo, com as medidas provisórias. 
 
Fonte formal ou de conhecimento do D.P Objetivo: (qual instrumento que o poder legislativo federal se vale para materializar a sua vontade). 
Trata-se da Lei (federal) - fonte imediata do conhecimento do Direito Penal. 
Somente a lei formal pode encontrar fundamento político-jurídico para sua obrigatoriedade (somente ela pode dar certeza e precisão que seus elevados fins - proteção dos bens jurídicos - e suas graves sanções exigem); estão fora desse conceito, decretos, regulamentos, resoluções, portarias ou medidas provisórias.
O costume, a doutrina e a jurisprudência podem ter influência na criação das leis, mas não são fontes do DP.
Costume não tem a mesma importância da lei, em matéria penal. É considerado fonte mediata (dependerá sempre da intermediação da lei; pode ser levado em consideração para entender a lei ou inspirar a criação da lei).
 
O costume não é fonte primária das normas incriminadoras, mas pode ser elemento de interpretação (há expressões em tipos penais que pelo costume é que se interpretam, como ato obsceno).
O costume contra legem não tem nenhuma eficácia, pois apenas uma lei pode revogar outra.
 
Ex.: Crime de ato obsceno (ela é interpretada conforme os costumes vigentes na sociedade, já que a lei não define o que é ato obsceno, apenas se sabe que tem cunho sexual, praticado em ato público).
 
Fontes da Dogmática Penal:
 
Fontes de conhecimento: a Lei penal; além disso, as leis constitucionais, dados históricos, sociológicos, filosóficos, jurisprudência. 
 
 
Teoria da Norma Penal
terça-feira, 23 de agosto de 2011
10:10
Norma jurídica (conceito): proposições que indicam como as coisas devem ser (Bobbio).
As normas penais são espécies das normas jurídicas. Prescrevem condutas no âmbito penal.
 
Norma Penal (espécies):
 
incriminadoras: principal espécie da norma penal; estabelecem as proibições e suas respectivas penas em caso de violações. Ex: art. 121, 155, 171, 135 do CP. 
Estão todas previstas na Parte especial do CP ou na Lei extravagante.
 
aplicativas: aquelas que estabelecem a validade e o limite de aplicação das normas penais incriminadoras (art. 2º ao 5º do CP). Previstas na Parte geral do CP.
 
explicativas: aquelas nas quais o próprio legislador procura esclarecer o sentido de um termo empregado numa norma incriminadora. (art. 18 e 327 do CP). Parte geral do CP.
 
diretivas: aquelas que estabelecem