Caderno Legislação Trabalhista e PRevidenciária
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Caderno Legislação Trabalhista e PRevidenciária

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Trabalhista, que estudaremos
primeiro, e do Previdenciário, que veremos depois, servirão de base para tomada de decisões e
planejamento, pois a legislação segue esses princípios.

Os princípios do Direito do Trabalho se dividem em 1- Primários e 2 – Derivados.

1 – O princípio primário é a Proteção do Economicamente mais Fraco, que é básico e para que o
Direito do Trabalho foi criado. A proteção ao economicamente mais fraco se ... e se objetiva
através das seguintes três regras:

1.1 – INDUBIO PRO-OPERARIUM – ou seja, havendo dúvida e cabendo mais de uma
interpretação para uma norma, deve-se decidir pelo que for mais favorável ao
trabalhador.

1.2 - APLICAÇÃO DA NORMA MAIS FAVORÁVEL – Isto é, havendo duas normas
regulando a mesma matéria, deverá se decidir pela que for mais favorável ao
trabalhador. Assim, se uma Lei estabelece o Salário Mínimo de R$415,00 e uma
Convenção Coletiva estabelece um piso salarial para a categoria de R$ 600,00 valerá
a Convenção.

1.3 - APLICAÇÃO DA CONDIÇÃO MAIS BENÉFICA - Existindo duas Leis para
regular uma matéria, ou havendo uma ou duas condições para se fazer uma tarefa,
deve-se optar pela que menos transtornos trouxer ao trabalhador.

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JULIO CESAR DE SOUZA
(Continuação do Caderno de Legislação Trabalhista e Previdenciária............................................)

2- PRINCÍPIOS DERIVADOS
Do Princípio da Proteção ao Economicamente mais Fraco derivam os seguintes princípios
secundários:

2.1 - DA IRRENUNCIABILIDADE DE DIREITOS:
O trabalhador não pode renunciar a um direito previsto em Lei; o trabalhador não pode
renunciar, por exemplo, a seu direito às férias ou ao descanso semanal.

2.2 - DA CONTINUIDADE DA RELAÇÃO DE EMPREGO: sempre se deve dar a maior
duração possível ao contrato de emprego, tanto que a regra é o contrato por prazo
indeterminado; já o contrato por prazo determinado só pode ser usado em certas
situações.

2.3 – PRIMAZIA DA REALIDADE:
Por este princípio, havendo dúvida sobre as condições acertadas no contrato, prevalece a
realidade dos fatos. Assim, se uma pessoa for contratada como autônoma, assinando os
recibos como tal, mas na realidade atuar como empregado, prevalecerá o vínculo efetivo.

2.4 – GARANTIAS MÍNIMAS AO TRABALHADOR:
A Lei estabelece direitos mínimos que têm de ser respeitados. Por exemplo, ninguém
pode pagar menos que o salário mínimo por hora trabalhada.

PRINCÍPIOS DO DIREITO PREVIDENCIÁRIO:
Os Princípios do Direito Previdenciário estão vinculados aos Princípios da Seguridade Social, da
qual faz parte, pois a Seguridade Social engloba a Assistência Social.

1. PRINCÍPIO DA SOLIDARIEDADE:
Pequenas contribuições de todos geram cobertura para muitos (Art.3º CF 88).

2. PRINCÍPIO DA UNIVERSALIDADE DE COBERTURA E ATENDIMENTOS:
Todos que exerçam atividade ou contribuam no território nacional têm direito à cobertura
previdenciária e atendimento (Art .194 CF 88).

3. UNIFORMIDADE E EQUIVALÊNCIA DE PRESTAÇÕES ENTRE POPULAÇÃO
URBANA E RURAL:
Mesmas prestações previdenciárias para trabalhadores urbanos e rurais.

4. SELETIVIDADE E DISTRIBUTIVIDADE DE BENEFÍCIOS E SERVIÇOS:
O Estado seleciona os benefícios conforme suas possibilidades e distribui para os mais
necessitados. Ex.: Salário-Família.

5. IRREDUTIBILIDADE DO VALOR DOS BENEFÍCIOS:
Os Benefícios devem ter os seus valores corrigidos pela inflação.

6. EQUIDADE NA FORMA DE PARTICIPAÇÃO NO CUSTEIO:
Todos devem participar conforme sua possibilidade, de forma direta - contribuições ou indireta –
impostos. (Art.194, § Único – CF).

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JULIO CESAR DE SOUZA
(Continuação do Caderno de Legislação Trabalhista e Previdenciária............................................)

7. DIVERSIDADE DA BASE DE FINANCIAMENTO:
A base de financiamento da Previdência deve ser a mais variável possível para que uma
dificuldade salarial momentânea não prejudique todo o conjunto.

8. ADMINISTRAÇÃO DEMOCRÁTICA E DESCENTRALIZADA:
Participação da sociedade na organização e gerenciamento da Seguridade Social através de
gestão Quadripartite com a participação do Governo – Empregador – Empregadores e
Aposentados.

9. TRÍPLICE FORMA DE CUSTEIO:
Empresas, Trabalhadores e Governo.

10. PREEXISTÊNCIA DO CUSTEIO EM RELAÇÃO AOS BENEFÍCIOS /SERVIÇOS:
Não pode ser criado um benefício ou serviço sem fonte para custeá-lo ou receita.

PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO APLICÁVEIS AO DIREITO TRABALHISTA E
PREVIDENCIÁRIO

1. Razoabilidade da Conduta Jurídica
2. Boa fé nos contratos
3. Intransferibilidade de direito maior que o possuído
4. Não beneficiamento com a própria malícia
5. Pactua Sunt Servanda – cumprir os contratos
6. Não prejudicar a outrem pelo exercício do próprio direito
7. Não há condenação sem defesa

Origens do Direito Previdenciário

A proteção social teve seu embrião na assistência familiar mútua ou recíproca. O Clã – Pais,
Filhos, Irmão e Parentes, por instinto de solidariedade e preservação do grupo familiar,
providenciava assistência para os desvalidos ou para aqueles que não pudessem mais trabalhar.
Com a evolução da sociedade, os grupos passaram a se agrupar em função do trabalho, como nas
Corporações de Ofício. As pessoas tendem, por um Instinto natural, a se agrupar, principalmente
se exercerem um mesmo ofício ou profissão, e este convívio desenvolve um espírito de
solidariedade no grupo.
Como exemplo, podemos citar uma sala de aula, que é um dos grupos sociais em que
desenvolvemos esta solidariedade de nos preocupar uns com os outros.
Nas Corporações de Ofício as condições de trabalho eram adversas e os integrantes trabalhavam
para se alimentar e sobreviver com suas famílias. Assim, a relação de trabalho, desde aquela
época, gera atividades e importunos que mereciam atenção especial dos trabalhadores.
Os trabalhadores, por temor ou prevenção, de forma espontânea desenvolveram um sistema de
assistência mútua ou recíproca, isto é, todos contribuíam com certa importância para um fundo
de reserva ou caixa que poderia ser usada por cada integrante do grupo que estivesse
impossibilitado de trabalhar e seu sustento e de sua família.
Assim, surgem as caixas de socorro mútuo ou as mutuas ou o mutualismo.
A Igreja e o Estado só passam a intervir para organizar e ajudar mais...

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JULIO CESAR DE SOUZA
(Continuação do Caderno de Legislação Trabalhista e Previdenciária............................................)

FONTES E NATUREZA JURÍDICA DO DIREITO TRABALHISTA E
PREVIDENCIÁRIO

A natureza jurídica de um direito determina a qual dos dois grandes ramos do Direito - Público
ou Privado - ele pertence, e é de grande importância para entendermos a aplicação do direito,
iniciando pelas fontes.

A definição básica do Direito Público é: ramo do Direito em que a intervenção do Estado na
relação jurídica e na elaboração da norma é total. Ex.: Direito Penal, Direito Constitucional,
Direito Tributário e Direito Previdenciário.

Direito Privado: é aquele em que a autonomia das partes na relação jurídica é grande ou total,
embora sempre exista alguma intervenção do Estado para proteger a sociedade ou o grupo
abrangido. Ex.: Direito Civil, Direito Comercial e Direito Trabalhista.

Temos que a natureza jurídica do Direito Previdenciário é de Direito Público, pois os particulares
não podem, por si próprios, criar benefícios ou contribuições com os quais a sociedade deve
arcar.

Já o Direito Trabalhista é um ramo do Direito Privado, pois, uma vez respeitados os direitos
mínimos estabelecidos em Lei para proteger os trabalhadores de forma individual, as partes
(empregado e empregador) são livres para estabelecer ou contratar o que quiserem.
De forma coletiva, envolvendo o Sindicato Laboral, a autonomia é muito maior, como veremos
ao tratar do Direito Coletivo.

A palavra Fonte significa origem, local onde nasce. Assim, neste contexto,