Caderno Legislação Trabalhista e PRevidenciária
37 pág.

Caderno Legislação Trabalhista e PRevidenciária


DisciplinaLegislação Trabalhista e Previdenciária4.724 materiais21.936 seguidores
Pré-visualização11 páginas
não podiam ser dispensados, não era compatível com o regime do Fundo 
de Garantia por Tempo de Serviço \u2013 FGTS e foi extinto com a Constituição Federal de 1988, que 
tornou todos os trabalhadores integrantes do Regime do FGTS. 
Restam agora as estabilidades provisórias, cujos tipos analisaremos a seguir, salvo os raros casos 
de Direito Adquirido. Para nos aprofundarmos nos detalhes do Regime do FGTS como 
possibilidades de saques, forma de custeio, etc., a legislação que lhe serve de base deverá ser 
consultada (Lei 8.036 de 1990 e o Decreto 99.684 de 1990).
- 24 -
JULIO CESAR DE SOUZA
(Continuação do Caderno de Legislação Trabalhista e Previdenciária............................................)
Cabo Frio, 19 de outubro de 2011.
Aula 7 - DIREITO COLETIVO DO TRABALHO
O Direito do Trabalho se divide em três segmentos: 
o Direito Individual, que estudamos até agora, o Direito Coletivo, que analisaremos aqui, e o 
Direito Administrativo do Trabalho, que trata das multas, fiscalização e outras atividades do 
Ministério do Trabalho e Emprego - MTE e de suas superintendências regionais em cada Estado 
(Ex.: DRTs).
No Direito Individual do Trabalho, o Princípio da Proteção ao Economicamente mais Fraco é 
fundamental e básico e objetiva proteger o trabalhador, equilibrando juridicamente a 
desigualdade econômica e social, evitando que este seja subjugado pelo empregador.
Já no Direito Coletivo, partindo da premissa de que a União faz a força, ocorre relacionamento 
entre instituições com força equivalente. De um lado os trabalhadores unidos de forma coletiva, 
com uma liderança e objetivos comuns, formando blocos ou entidades profissionais de classe. 
De outro lado os empregadores, através de seus empreendimentos, ou agrupados também em 
bloco formando Entidades Econômicas ou Patronais de classe.
- 25 -
JULIO CESAR DE SOUZA
(Continuação do Caderno de Legislação Trabalhista e Previdenciária............................................)
Dessa forma, como existe a equivalência de força, presumido-se a representatividade e 
legitimidade de todos, isto é, dos Sindicatos dos Trabalhadores e dos Sindicatos Patronais, a 
intervenção estatal é remota ou não necessária.
No Direito Individual, a proteção é dada diretamente ao trabalhador.
No Direito Coletivo, a proteção se dá através do grupo ao qual o trabalhador está vinculado. 
Cabe ressaltar que o Direito Coletivo age e tem forte influência sobre o Direito Individual, 
inclusive criando normas mais favoráveis através de Acordos, Convenções e Dissídios Coletivos, 
que são Fontes do Direito do Trabalho conforme estudamos na Aula 1.
DIVISÃO DO DIREITO COLETIVO DO TRABALHO
1.Direito Sindical
O Direito Sindical se refere a:
- Liberdade Sindical
- Estrutura e Organização Sindical
- Prerrogativa das Entidades Sindicais
- Administração, Proteção aos Dirigentes e Forma de Atuação dos Sindicatos
2.Relações Coletivas de Trabalho
As Relações Coletivas de Trabalho abordam:
- Convenção e Acordo Coletivo de Trabalho
- Representação dos Trabalhadores nas empresas
- Dissídio Coletivo
- Negociação Coletiva
- Conflitos Coletivos
- Normas Internacionais de Proteção ao Trabalho
LIBERDADE SINDICAL
A Liberdade Sindical, embora consagrada em nosso ordenamento jurídico pelo Artigo 8º da CF 
88, que determina que \u201cÉ livre a Associação Profissional ou Sindical observado o seguinte...\u201d, 
não é, todavia, total nem absoluta.
A definição de Liberdade Sindical engloba na realidade várias liberdades que, sistematizando, 
poderíamos dividir em três grupos:
a) LIBERDADE SINDICAL QUANTO AO INDIVÍDUO
1. Liberdade de aderir ao sindicato
2. Liberdade de não se filiar ao sindicato
3. Liberdade de sair do sindicato
- 26 -
JULIO CESAR DE SOUZA
(Continuação do Caderno de Legislação Trabalhista e Previdenciária............................................)
b) LIBERDADE QUANTO AO GRUPO PROFISSIONAL
1- Liberdade de fundar um sindicato 
2- Liberdade de determinar o quadro sindical, considerando a ordem profissional e territorial
3- Liberdade de estabelecer relações entre sindicatos para formar agrupamentos mais amplos
4- Liberdade para fixar as regras internas de forma e de fundo, para regular a vida sindical
5- Liberdade nas relações entre o sindicalizado e o grupo profissional
6- Liberdade nas relações entre o sindicato de empregados e de empregadores
7- Liberdade no exercício do direito sindical em relação à profissão
8- Liberdade do exercício do direito sindical em relação à empresa
c) LIBERDADE QUANTO AO ESTADO
1- Liberdade para o sindicato ter independência em relação ao Estado
2- Liberdade para haver conflito entre a autoridade do Estado e a Ação Sindical
3- Liberdade de o sindicato integrar-se ou não ao Estado
Para obtermos Liberdade Sindical total e plena, teriam que ser extintos:
a) a Unicidade Sindical imposta por Lei
b) a Contribuição Sindical Obrigatória
c) a Organização Sindical por categoria imposta por Lei
d) o Poder Normativo da Justiça do Trabalho.
ORGANIZAÇÃO E ESTRUTURA SINDICAL BRASILEIRA
A Organização Sindical Brasileira tem por base uma estrutura Confederativa, Simétrica, com 
base na Unicidade Sindical e dividida em categorias.
ESTRUTURA CONFEDERATIVA - É uma pirâmide em que no ápice estão as Confederações, 
no meio as Federações, que são Entidades Sindicais de grau superior, e na base os Sindicatos.
SIMETRIA - As Estruturas Econômicas (Empregadores) e Profissionais (Trabalhadores) são 
simétricas.
UNICIDADE SINDICAL - É o fato, previsto na Constituição e na CLT, de só poder existir um 
Sidicato na mesma base territorial, para representar a categoria econômica ou profissional que 
não pode ser menor que um Municipio. 
Categorias: 
No Brasil existem duas categorias: A ECONÔMICA, que agrega a representa os empregadores, e 
a PROFISSIONAL, que agrega e representa os trabalhadores. 
A categoria profissional pode ser também DIFERENCIADA, agregando trabalhadores 
específicos por características e peculiaridades de condições de vida profissional em comum e 
são representados de modo específico, como Motoristas, Vendedores, Telefonistas, etc., seja qual 
for a atividade econômica. 
- 27 -
JULIO CESAR DE SOUZA
(Continuação do Caderno de Legislação Trabalhista e Previdenciária............................................)
CONFLITOS COLETIVOS DE TRABALHO
Os conflitos são gerados por divergência de interesses entre as empresas e os trabalhadores e 
podem ser de natureza jurídica, mais rara, ou econômica, mais comum.
ADMINISTRAÇÃO DO CONFLITO
Os conflitos são administrados através das Políticas de Relações Trabalhistas; as principais são a 
Paternalista, a Autocrática, a de Reciprocidade e a Participativa, que trazem vantagens e 
desvantagem e vão depender do profissionalismo em lidar com o conflito, da Cultura e do Clima 
Organizacional e a consequente produtividade que a Direção do empreendimento quer ter.
A solução do conflito pode ser: 
1. POR AUTOCOMPOSIÇÃO \u2013 quando as próprias partes, trabalhadores e empresa, resolvem 
os impasses através de negociações coletivas, como ocorre na Conciliação e na Mediação, que 
geram Acordo ou Convenção Coletiva de Trabalho, cujo melhor resultado é quando todos 
ganham.
2. POR HETEROCOMPOSIÇÃO \u2013 quando as partes não conseguem por conta própria 
solucionar as divergências e delegam a um terceiro a solução do conflito, como ocorre na 
Arbitragem, ou através do Poder Judiciário, quando o conflito passa a se chamar Dissídio 
Coletivo e sua decisão Sentença Normativa.
GREVE
Quando o conflito não é administrado ou solucionado amigavelmente ou por terceiros, só resta 
- 28 -
JULIO CESAR DE SOUZA
(Continuação do Caderno de Legislação Trabalhista e Previdenciária............................................)
aos trabalhadores como defesa, ou para forçar a solução, utilizar o seu direito legal e 
constitucional de entrar em greve, que todavia não é um direito absoluto, pois deve observar