CCJ0006-WL-PA-10-Direito Civil I-Antigo-15843
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CCJ0006-WL-PA-10-Direito Civil I-Antigo-15843

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“teoria da responsabilidade”  (culpa do
autor da declaração), evoluiu -se para a “teoria da confiança ”, seguindo -se o exemplo de legislações modernas como a italiana e a portuguesa. Não é mais apenas pela falta de 
culpa do declarante (erro escusável) que se anula o ato errôneo, mas porque o desƟnatário da declaração, por sua vez, teve culpa no evento, já que poderia ter evitado a práƟca 
viciada do negócio jurídico, pois o erro era daqueles que poderiam ser percebidos por pessoas de diligência normal nas circunstâncias do negócio (art. 138). A contrario sensu, ainda
que haja divórcio entre a vontade e a declaração, esta prevalecerá se o outro contratante (de boa -fé) não Ɵnha condições de perceber o erro do declarante.
                               Essa teoria, segundo a óƟca tradicional, não teria maior repercussão nos vícios mais graves como o dolo e a coação, porque, entre as partes do negócio, uma delas 
quase sempre se comporta de má -fé, por força da própria maneira de obter -se a má formação da vontade da víƟma; ou, mesmo não estando o beneficiário de má-fé, em casos como o 
dolo de terceiro, o desvio do querer seria tão profundo que a lei não poderia relevá -lo[32].
                               No entanto, até mesmo no campo do dolo e da coação, o regime do atual Código, presƟgia a teoria da confiança e não dispensa a culpa do beneficiário para a 
configuração do vício de consenƟmento. Se o ardil ou a ameaça Ɵverem sido praƟcados por estranho e não pela parte do contrato que deles se beneficia, a anulação somente será 
possível quando esta deles Ɵver Ɵdo conhecimento ou condições de conhecê-los (arts. 148 e 154).
                                Se é impensável cogitar -s e da poss ib ilidade de boa-fé no dolo e na coação, quando praƟcados diretamente por um dos contratantes, é perfeitamente viável a 
atuação de boa -fé do contratante se a coação ou o dolo Ɵverem sido praƟcados por terceiro,  s ituação em que a ausência de má-fé entre os sujeitos do negócio impede sua 
anulação.   Dessa maneira, mesmo nos mais graves vícios de consenƟmento, a boa-fé do desƟnatário da declaração de vontade prevalece sobre o defeito de formação da vontade do 
declarante.
                               Até mesmo a fraude contra credores se funda na base da teoria da confiança, visto que a sanção aos negócios onerosos praƟcados em prejuízo da garanƟa dos 
credores só aƟnge o terceiro adquirente ou sub-adquirente que tenha atuado de má -fé. O que tenha adquirido bens do devedor insolvente de boa -fé (isto é, sem conhecer a 
insolvência) não é aƟngido pela invalidade do contrato (arts. 107 e 109).
                               Como se vê, o sistema geral dos vícios de consenƟmento, na evolução do Código de 1916, para o atual, submeteu-se, predominantemente, à teoria da confiança, 
onde o destaque maior é conferido a boa -fé, à lealdade, e à segurança das relações jurídicas ” .
8. ERRO, IGNORÂNCIA, DOLO E COAÇÃO
O Código Civil declara que é anulável o negócio jurídico:
•             Por incapacidade relativa do agente;
•             Por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra credores. (art. 138, 145, 151, 156, 157 e 158 do CC)
•             ERRO - é a falsa idéia ou falso senƟdo que se tem de alguma coisa. Em regra erro não se presume. Alegado, deve ser mostrado, isto é, provado.
O erro é a falsa representação da realidade, o sujeito engana -se sozinho. Já a ignorância é o completo desconhecimento da realidade, embora tanto o erro como a ignorância 
acarrete efeitos iguais, quais sejam, a anulabilidade do negócio jurídico, não obstante possuírem conceitos disƟntos.         
Não é qualquer erro que é capaz de anular o negócio jurídico, há de ser erro substancial ou essencial e escusável conforme prevê o art. 139 do C.C.    
O erro substancial possui sub-espécies tais como: o error in negoƟo (incidente sobre a natureza do negócio); o error in corpore( no objeto principal do negócio); o error in substanƟa 
or in qualitate; o error in persona (na pessoa) e, por fim, o error iuris (erro de direito).  
O erro de direito (error iuris) é o falso conhecimento, ignorância ou interpretação errônea da norma jurídica aplicável ao negócio jurídico. Ocorre quando o agente emite a declaração 
de vontade no pressuposto falso de que procede de acordo com o preceito legal. O erro de direito era admiƟdo como substancial quando fosse o moƟvo principal do negócio jurídico 
e não houvesse a intenção, por parte doa gente, de descumprir a lei.        
O art. 3º da LICC diz que a alegação de ignorância da lei não é admiƟda quando apresentada como jusƟficaƟva para seu descumprimento. Significa dizer, ao revés, que pode ser 
argüida se não houver tal nefasto propósito.        
Além de ser essencial e escusável conforme o padrão do homo medius, e o caso concreto, há ainda de ser efeƟvo e real, sendo a causa do negócio jurídico.          
Há a possibilidade de convalescimento do erro conforme se prevê o art. 144 do C.C. em razão do princípio da conservação dos atos e negócios jurídicos (pás de nullité sans grief) e 
ainda pelo princípio da segurança jurídica.            
Às vezes o erro surge devido ao meio de comunicação empregado para a transmissão de vontade negocial ,  assim diante de mensagem truncada, há o vício e,   ipso facto,  a 
possibilidade de anulação do negócio jurídico.           
Outras vezes o erro decorre de culpa in eligendo ou in vigilando de quem escolhe o mensageiro para levar a declaração de vontade. Não raro encontram -se discrepâncias graves entre 
a declaração de vontade emiƟda e a vontade finalmente comunicada.      
•             DOLO -   Indica toda a espécie de arƟİcio, engano promovido por uma pessoa, com a intenção de induzir outrem à  práƟca de um ato jurídico, em prejuízo deste e proveito ou 
de outrem.
O dolo no âmbito civil não se confunde com aquele previsto no âmbito penal ( art. 18, I do CP) onde agente atua com a vontade predesƟnada a causar o delito ou assumiu o risco de 
produzi -lo.
A grande maioria das ações anulatórias em geral é mesmo com base no dolo em face da grande dificuldade de se provar processualmente o erro. O dolo anulador do negócio jurídico 
é sempre o dolo principal, é o dolo malus. Porque o dolus bônus é moderadamente aceitável, embora o CDC condene explicitamente a propaganda enganosa.         
Registre -se que o dolus pode ser comissivo ou omissivo (chamado de dolo negaƟvo), pois fere frontalmente o princípio da boa fé objeƟva presente tanto no C.C. como no CDC.         
É possível ainda, o dolo de terceiro (art. 148 C.C.) como o do representante (art. 149 C.C.). Porém, o dolo bilateral (art. 150 C.C.) pode não gerar a anulabilidade do negócio jurídico, pois 
prevalece o princípio de que ninguém poder valer -se da própria torpeza para auferir vantagens.
•             COAÇÃO -   O terceiro defeito é a coação que representa toda ameaça ou pressão exercida sobre a pessoa para obrigá - la, contra sua vontade, a praƟcar ato ou realizar negócio 
jurídico. Há a coação İsica (vis absoluta) e a coação psicológica (vis compulsiva) que diferem não só pelo meio empregado, mas sobretudo, por seus efeitos.            
Vejamos que a coação é o mais grave dos defeitos dos negócios  jurídicos e especialmente na coação İsica temos na verdade a  inexistência do negócio jurídico, pois não há 
manifestação de vontade livre, espontânea e de boa fé. Não há vontade jurígena.
Já na coação psicológica há a manifestação de vontade, embora não corresponda à intenção real do coacto, o que certamente redunda num negócio anulável.           
Exigem -se certos requisitos para Ɵpificação da coação (art. 153 do C.C.) e para ser considerada como defeito: deve ser determinante do negócio; deve ser grave e injusta; deve dizer 
respeito ao dano atual ou iminente e deve ameaçar a pessoa, bens da víƟma ou pessoas de sua família (essa tomada na acepção alto sensu , art. 151 C.C.).
É possível que a coação seja exercida por terceiro sem que