CCJ0006-WL-PA-10-Direito Civil I-Antigo-15843
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maneira de obter -se a má formação da vontade da ví\u19fma; ou, mesmo não estando o bene\ufb01ciário de má-fé, em casos como o 
dolo de terceiro, o desvio do querer seria tão profundo que a lei não poderia relevá -lo[32]. 
                               No entanto, até mesmo no campo do dolo e da coação, o regime do atual Código, pres\u19fgia a teoria da con\ufb01ança e não dispensa a culpa do bene\ufb01ciário para a 
con\ufb01guração do vício de consen\u19fmento. Se o ardil ou a ameaça \u19fverem sido pra\u19fcados por estranho e não pela parte do contrato que deles se bene\ufb01cia, a anulação somente será 
possível quando esta deles \u19fver \u19fdo conhecimento ou condições de conhecê-los (arts. 148 e 154). 
                                Se é impensável cogitar -s e da poss ib ilidade de boa-fé no dolo e na coação, quando pra\u19fcados diretamente por um dos contratantes, é perfeitamente viável a 
atuação de boa -fé do contratante se a coação ou o dolo \u19fverem sido pra\u19fcados por terceiro,  s ituação em que a ausência de má-fé entre os sujeitos do negócio impede sua 
anulação.   Dessa maneira, mesmo nos mais graves vícios de consen\u19fmento, a boa-fé do des\u19fnatário da declaração de vontade prevalece sobre o defeito de formação da vontade do 
declarante. 
                               Até mesmo a fraude contra credores se funda na base da teoria da con\ufb01ança, visto que a sanção aos negócios onerosos pra\u19fcados em prejuízo da garan\u19fa dos 
credores só a\u19fnge o terceiro adquirente ou sub-adquirente que tenha atuado de má -fé. O que tenha adquirido bens do devedor insolvente de boa -fé (isto é, sem conhecer a 
insolvência) não é a\u19fngido pela invalidade do contrato (arts. 107 e 109). 
                               Como se vê, o sistema geral dos vícios de consen\u19fmento, na evolução do Código de 1916, para o atual, submeteu-se, predominantemente, à teoria da con\ufb01ança, 
onde o destaque maior é conferido a boa -fé, à lealdade, e à segurança das relações jurídicas \u201d . 
8. ERRO, IGNORÂNCIA, DOLO E COAÇÃO 
O Código Civil declara que é anulável o negócio jurídico: 
\u2022             Por incapacidade relativa do agente; 
\u2022             Por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra credores. (art. 138, 145, 151, 156, 157 e 158 do CC) 
\u2022             ERRO - é a falsa idéia ou falso sen\u19fdo que se tem de alguma coisa. Em regra erro não se presume. Alegado, deve ser mostrado, isto é, provado. 
O erro é a falsa representação da realidade, o sujeito engana -se sozinho. Já a ignorância é o completo desconhecimento da realidade, embora tanto o erro como a ignorância 
acarrete efeitos iguais, quais sejam, a anulabilidade do negócio jurídico, não obstante possuírem conceitos dis\u19fntos.          
Não é qualquer erro que é capaz de anular o negócio jurídico, há de ser erro substancial ou essencial e escusável conforme prevê o art. 139 do C.C.     
O erro substancial possui sub-espécies tais como: o error in nego\u19fo (incidente sobre a natureza do negócio); o error in corpore( no objeto principal do negócio); o error in substan\u19fa 
or in qualitate; o error in persona (na pessoa) e, por fim, o error iuris (erro de direito).   
O erro de direito (error iuris) é o falso conhecimento, ignorância ou interpretação errônea da norma jurídica aplicável ao negócio jurídico. Ocorre quando o agente emite a declaração 
de vontade no pressuposto falso de que procede de acordo com o preceito legal. O erro de direito era admi\u19fdo como substancial quando fosse o mo\u19fvo principal do negócio jurídico 
e não houvesse a intenção, por parte doa gente, de descumprir a lei.         
O art. 3º da LICC diz que a alegação de ignorância da lei não é admi\u19fda quando apresentada como jus\u19f\ufb01ca\u19fva para seu descumprimento. Signi\ufb01ca dizer, ao revés, que pode ser 
argüida se não houver tal nefasto propósito.         
Além de ser essencial e escusável conforme o padrão do homo medius, e o caso concreto, há ainda de ser efe\u19fvo e real, sendo a causa do negócio jurídico.           
Há a possibilidade de convalescimento do erro conforme se prevê o art. 144 do C.C. em razão do princípio da conservação dos atos e negócios jurídicos (pás de nullité sans grief) e 
ainda pelo princípio da segurança jurídica.             
Às vezes o erro surge devido ao meio de comunicação empregado para a transmissão de vontade negocial ,  assim diante de mensagem truncada, há o vício e,   ipso facto,  a 
possibilidade de anulação do negócio jurídico.            
Outras vezes o erro decorre de culpa in eligendo ou in vigilando de quem escolhe o mensageiro para levar a declaração de vontade. Não raro encontram -se discrepâncias graves entre 
a declaração de vontade emi\u19fda e a vontade \ufb01nalmente comunicada.       
\u2022             DOLO -   Indica toda a espécie de ar\u19f\u130cio, engano promovido por uma pessoa, com a intenção de induzir outrem à  prá\u19fca de um ato jurídico, em prejuízo deste e proveito ou 
de outrem. 
O dolo no âmbito civil não se confunde com aquele previsto no âmbito penal ( art. 18, I do CP) onde agente atua com a vontade predes\u19fnada a causar o delito ou assumiu o risco de 
produzi -lo. 
A grande maioria das ações anulatórias em geral é mesmo com base no dolo em face da grande di\ufb01culdade de se provar processualmente o erro. O dolo anulador do negócio jurídico 
é sempre o dolo principal, é o dolo malus. Porque o dolus bônus é moderadamente aceitável, embora o CDC condene explicitamente a propaganda enganosa.          
Registre -se que o dolus pode ser comissivo ou omissivo (chamado de dolo nega\u19fvo), pois fere frontalmente o princípio da boa fé obje\u19fva presente tanto no C.C. como no CDC.          
É possível ainda, o dolo de terceiro (art. 148 C.C.) como o do representante (art. 149 C.C.). Porém, o dolo bilateral (art. 150 C.C.) pode não gerar a anulabilidade do negócio jurídico, pois 
prevalece o princípio de que ninguém poder valer -se da própria torpeza para auferir vantagens. 
\u2022             COAÇÃO -   O terceiro defeito é a coação que representa toda ameaça ou pressão exercida sobre a pessoa para obrigá - la, contra sua vontade, a pra\u19fcar ato ou realizar negócio 
jurídico. Há a coação \u130sica (vis absoluta) e a coação psicológica (vis compulsiva) que diferem não só pelo meio empregado, mas sobretudo, por seus efeitos.             
Vejamos que a coação é o mais grave dos defeitos dos negócios  jurídicos e especialmente na coação \u130sica temos na verdade a  inexistência do negócio jurídico, pois não há 
manifestação de vontade livre, espontânea e de boa fé. Não há vontade jurígena. 
Já na coação psicológica há a manifestação de vontade, embora não corresponda à intenção real do coacto, o que certamente redunda num negócio anulável.            
Exigem -se certos requisitos para \u19fpi\ufb01cação da coação (art. 153 do C.C.) e para ser considerada como defeito: deve ser determinante do negócio; deve ser grave e injusta; deve dizer 
respeito ao dano atual ou iminente e deve ameaçar a pessoa, bens da ví\u19fma ou pessoas de sua família (essa tomada na acepção alto sensu , art. 151 C.C.). 
É possível que a coação seja exercida por terceiro sem que a parte a que aproveite dela \u19fvesse ou devesse ter conhecimento, mas nessa hipótese prevista no art. 155 do C.C., o 
negócio subsis\u19frá não sendo anulado. Não se considera coação a simples ameaça , o exercício normal de direito e nem temor reverencial.   
     
 
[1] RODRIGUES, Silvio. Dos Vícios de Consentimento . 2. ed., São Paulo: Saraiva, 1982, nº 2, p. 5. 
[2] RODRIGUES, Silvio. ob. cit., nº 2, p. 6. 
[3] RODRIGUES, Silvio. ob. cit., nº 2, p. 7. 
[4] BEVILÁQUA, Clóvis. Teoria Geral do Direito Civil . Atualizada por Caio Mário da Silva Pereira. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1975, § 65, p. 254. 
[5] Ea quae lege fieri prohibentur si fuerint facta, non solo inutilia, sed pro infectis, etiam habentur - é o que se proclama no direito imperial (Cód. 1, 14, 1.5). 
[6] BEVILÁQUA, Clóvis. Teoria Geral cit., § 65, p. 255. 
[7] BEVILÁQUA, Clóvis. Teoria Geral cit ., § 65, p. 257. 
[8] BEVILÁQUA, Clóvis, idem, ibidem. 
[9] BETTI, Emilio. Teoria geral do negócio jurídico