8_ A TEORIA DA CRISE E A PRODUÇÃO CAPITALISTA DO ESPAÇO EM DAVID HARVEY
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8_ A TEORIA DA CRISE E A PRODUÇÃO CAPITALISTA DO ESPAÇO EM DAVID HARVEY


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social quanto ao seu valor, mediando as relações sociais, Marx chamou fetichismo da 
mercadoria. 
 Pois bem. De tudo o que dissemos até aqui, interessa-nos endossar o caráter 
histórico e socialmente determinado do trabalho que produz valor (trabalho abstrato) em 
detrimento do que lhe é ontologicamente essencial, ou seja, a apropriação útil da 
natureza. E isto porque, no capitalismo, o \u201cmister de fazer dinheiro\u201d, o ardil da 
autovalorização do capital deve arcar com o drama de reduzir os trabalhos concretos 
úteis a trabalho abstrato e \u201cdeslocar para frente\u201d a contradição insuperável, sob a 
relação-capital, entre trabalho necessário e mais-trabalho. Ou seja, para que o capital 
consiga ampliar a base sobre a qual se reproduz (mais-trabalho, na forma de mais-valia) 
tem de sufocar o trabalho necessário que repõe o valor da força de trabalho, 
encontrando nele, porém, o seu limite tensionado. A natureza mesma da relação-capital 
se manifesta por isso como uma contradição em processo que se expressa sob a luz do 
dia nos embates travados entre capitalistas e trabalhadores enquanto personificações 
desta relação. Por certo, a luta por melhores salários, redução da jornada de trabalho, 
garantias e melhores condições de emprego fizeram dos trabalhadores, reunidos numa 
classe pelo capital, uma classe para si mesma, consciente de seu infortúnio \u2013 a 
contradição crítica eleva-se à crítica da contradição. 
Se do lado do trabalho (da classe trabalhadora) essa contradição em processo se 
traduz como crítica da contradição, do lado do capital ela se manifesta, geralmente, 
como crises cíclicas de sobreacumulação, o que implica em reestruturações profundas 
que atingem desde a organização das funções do processo produtivo a funções do 
Estado - só para ficarmos com a remodelação dos arranjos institucionais que se 
desencadeia estruturalmente. 
Tendo em vista as colocações mais determinantes que foram expostas até aqui, 
interessa compreender agora os marcos gerais desse processo e sua dinâmica espacial, 
procurando, pois, adentrar no cerne da teoria da ordenação espaço-temporal de Harvey. 
 
2. A produção de uma economia do espaço 
 
As críticas feitas à economia política marxista \u2013 além das arquiconhecidas sobre 
a ausência da \u201cdimensão cultural\u201d em sua abordagem \u2013 são dirigidas geralmente à 
abstração com que são anunciadas e tratadas as leis (de tendência) do processo de 
produção e reprodução capitalista; ou seja, sua abordagem é essencialmente: 1) abstrata