Sociologia J. - Anotação (21)
8 pág.

Sociologia J. - Anotação (21)

Disciplina:Sociologia Jurídica e Judiciária1.772 materiais14.409 seguidores
Pré-visualização3 páginas
PREPARATÓRIO PARA OAB

Professora: Dra. Claudia Tristão

DISCIPLINA: DIREITO CIVIL

Capítulo 10 Aula 2

HERANÇA JACENTE

Coordenação: Dr. Flávio Tartuce

01

Herança Jacente

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A

violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

www.r2direito.com.br

Herança jacente é herança sem herdeiros. Ocorre a JACÊNCIA da herança quando NÃO SÃO

CONHECIDOS os herdeiros legítimos ou testamentários, ou quando estes herdeiros SÃO CONHECIDOS

mas a RENUNCIARAM sem deixar substitutos ou representantes. A declaração do estado de jacência serve

como ponte de transferência dos bens do monte hereditário ao Estado.

A matéria está prevista a partir do artigo 1.819 que DEFINE herança jacente: como a herança cujos

beneficiários ainda não são conhecidos, aguardando o conhecimento inequívoco dos herdeiros, isto é, a

herança é jacente quando não houver quem possa dela cuidar legitimamente.

Não se conhecendo o herdeiro, todos os bens do falecido ficam sob a guarda e administração de um

curador até que apareça o sucessor devidamente habilitado ou, até a declaração da sua vacância, ou seja,

da sua ausência.

Portanto, a jacência é apenas UMA FASE NO PROCESSO QUE VISA A DECLARAÇÃO DA VACÂNCIA DA

HERANÇA.

Uma vez aberta a sucessão e não aparecerem sucessores, o juiz poderá, de ofício, determinar a indicação de

um curador para administrar o monte hereditário. Mas não é só ao juiz que cabe tomar essa iniciativa, outras

pessoas, igualmente interessadas, têm o direito de requerer à autoridade judiciária que sejam tomadas

medidas de acautelamento e conservação do patrimônio hereditário em prol de futuros herdeiros a serem

encontrados ou, em última análise, em favor do Estado, que também é herdeiro.

A nomeação do curador e a arrecadação da herança é um PROCEDIMENTO CAUTELAR para evitar a

dilapidação dos bens por terceiros oportunistas.

Todos os atos praticados pelo curador estarão sob a supervisão da autoridade judiciária, respondendo pelos

prejuízos a que der causa, podendo ser removido do cargo e suspensa sua remuneração, se o caso.

Depois de entregue os bens ao curador, o juiz determinará a publicação de editais com o prazo de seis

meses, reproduzidos três vezes, com intervalo de trinta dias, convocando os eventuais herdeiros para que

venham se habilitar, como estabelece o artigo 1.820 do C.C., c.c. o artigo 1.152 do C.P.C.

Tomadas essas providências de investigação e habilitação de herdeiros legítimos ou testamentários, e

ninguém se declarar sucessor do de cujus ou algum dos herdeiros convocados não se apresentar no PRAZO

de UM ANO APÓS A PRIMEIRA PUBLICAÇÃO DO EDITAL DE CONVOCAÇÃO DE HERDEIROS, ocorrerá o

pronunciamento judicial de vacância, transferindo-se a titularidade do patrimônio do falecido ao Estado,

por imposição sucessória estabelecida pelo artigo 1.844 do Código Civil.

Passada em julgado a sentença que declarou a vacância, os interessados poderão reclamar seu direito de

herdeiros somente por ação declaratória.

Aula 2

02

Ao contrário do que ocorre com os herdeiros descendentes, ascendentes, cônjuge e colaterais, a aquisição

da herança vacante pelo Estado se opera ipsa vi iuris, ou seja, não há necessidade de aceitação.

Desse modo podemos concluir que HERANÇA VACANTE é a que não foi disputada por qualquer herdeiro e

que, judicialmente foi declarada de ninguém.

A declaração de vacância muito embora transfira a titularidade da massa hereditária ao Estado, esta não se

incorpora ao patrimônio público de pronto, apresentando como característica principal a

PROVISORIEDADE.

Recapitulando: Após a arrecadação da herança jacente e os bens entregues ao curador, após a publicação

dos editais, e a conseqüente declaração de vacância da herança, o artigo 1.822 dá mais uma chance aos

herdeiros ao estabelecer o PRAZO DE CINCO ANOS, contados a partir da abertura da sucessão para que os

herdeiros legítimos ou testamentários pereçam de vez no seu direito de suceder. Se neste prazo de cinco anos

ninguém se habilitar, os bens passam automaticamente ao domínio público, ou seja, ao Município, Distrito

Federal, ou União, dependendo da localização espacial dos bens. E mais, não haverá mais a possibilidade

de sua reivindicação por qualquer sucessor.

Uma outra situação que se configura a jacência é a de que quando conhecidos os herdeiros estes renunciam

à herança. Nesta hipótese, segundo o que dispões o artigo 1.823, a herança será declarada desde logo

vacante.

Petição de Herança

Aberta a sucessão, o herdeiro adquire a propriedade e a posse dos bens da herança, independentemente de

estar presente ou não. Tendo direito à herança, cabe ao herdeiro a FACULDADE de reclamar a sua cota-

parte. Contudo, se ocorrer o encerramento do inventário e a homologação da partilha dos bens, esse

herdeiro deixado de fora não perde seu direito sucessório. Nesta hipótese, por meio da AÇÃO PETIÇÃO DE

HERANÇA o herdeiro procura o reconhecimento judicial de sua qualidade de sucessor, com a finalidade de

recuperar todo ou parte do patrimônio sucessório, indevidamente em poder de outra pessoa.

A ação de petição de herança possui objetivo de buscar o reconhecimento judicial da qualidade sucessória

do requerente e a conseqüente restituição de todos os bens da herança, ou de parte deles, indevidamente

retidos pelo terceiro demandado.

Tem LEGITIMIDADE ATIVA para intentar a ação de petição de herança o possível herdeiro, demonstrando

que se encontra impedido de ter acesso a ela por razões que lhe fogem ao conhecimento e à vontade.

Mas nada impede que o ajuizamento ocorra por INICIATIVA DE OUTROS INTERESSADOS, como: 1) o

inventariante, 2) o síndico da falência do de cujus ou do herdeiro, 3) o curador da herança do falecido ou do

herdeiro nos casos de herança jacente, 4) o companheiro(a), entre outros, justamente porque a lei permite

que essas pessoas atuem como REPRESENTANTES dos entes personalizados.

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A

violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

www.r2direito.com.br

03

A LEGITIMIDADE PASSIVA tem como pressuposto: 1) um terceiro estranho à sucessão causa mortis que esteja

em poder dos bens como se fosse herdeiro, 2) herdeiro que esteja na posse do bem sem o devido título, ou

que o fez em excesso, ou ainda, 3) herdeiro aparente, sem ter realmente direito à herança.

A ação de petição de herança poderá ser cumulada com outras ações, como: ação de investigação de

paternidade, de reconhecimento da condição de companheiro, entre outras, porém, e isso é importante, os

pedidos devem ser compatíveis entre si, adequando o rito processual e observada a competência

jurisdicional.

O artigo 1826 fixa a responsabilidade do possuidor da herança, que será dosada na sua posse de boa ou

má-fé, conforme estabelecem os artigos 1.214 a 1.222, que tratam dos efeitos da posse. Assim, se o

possuidor estiver em posse dos bens de BOA-FÉ, terá direito aos frutos percebidos; não responderá pela

perda ou deterioração da coisa a que não deu causa; terá direito à indenização das benfeitorias necessárias

e úteis, podendo levantar as voluptuárias. Já, se de MÁ-FÉ, responde pelos frutos colhidos e percebidos; pela

deterioração e perda da coisa; somente lhe serão ressarcidas as benfeitorias necessárias e úteis, mas sem

direito à retenção da coisa, nem de levantar as voluptuárias.

Cessão da Herança