Resumo - Nilo Batista - Introdução Crítica ao Direito Penal Brasileiro
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Resumo - Nilo Batista - Introdução Crítica ao Direito Penal Brasileiro

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Introdução Crítica Ao Direito Penal Brasileiro: Principais Tópicos

Sistema Penal: Grupo de instituições que, segundo regras jurídicas pertinentes, incumbe-se de realizar o direito penal. Apresentado como igualitário, justo e comprometido com a dignidade humana, mostra-se seletivo, repressivo e estigmatizante.
Segundo Zaffaroni: Controle social punitivo institucionalizado, o sistema penal inclui práticas rotineiras ilegais como a tortura para obtenção de confissão.

Integra a instituição policial (que investiga os crimes e prende os suspeitos), a instituição judiciária (responsável por julgar os réus e atribuir-lhes as penas) e a instituição penitenciária, que executa a pena, acompanhando o condenado durante o seu cumprimento.

Criminologia: Atividade intelectual que estuda os processos de criação das normas penais e das normas sociais relacionadas com o comportamento desviante; sua forma, seu conteúdo e seus efeitos; os processos de infração e de desvio destas normas; a reação social provocada por aquelas infrações ou desvios (Lola Aniyar de Castro, parafraseada). Como teoria crítica, cabe-lhe a tarefa de “fazer aparecer o invisível”. Procura interpretar a realidade.

Política Criminal: Conjunto de princípios e recomendações para a reforma ou transformação da legislação criminal e dos órgãos encarregados de sua aplicação. Conforme a ênfase dada a determinada instituição do Sistema Penal, subdivide-se em política de segurança pública, política judiciária e política penitenciária. Procura transformar a realidade.

5. Princípios penais básicos
1.Princípio da Legalidade (Reserva Legal): Não há crime sem lei anterior que o defina claramente, nem pena sem prévia cominação legal. Exclui penas ilegais (função de garantia) e constitui penas legais (função constitutiva). CF art, 5º, inciso XXXIX, CP art. 1º.
4 Funções:

1. Proibir a retroatividade da lei penal desfavorável

2. Proibir a criação de crimes e penas pelo costume

3. Proibir o emprego de analogia para criar crimes, fundamentar ou agravar penas
4. Proibir incriminações vagas e indeterminadas

2. Princípio da Intervenção Mínima: “O direito penal só deve intervir nos casos de ataques muito graves aos bens jurídicos mais importantes” (Muñoz). Relaciona-se com a fragmentariedade e a subsidiariedade do direito penal. Compatível (e logicamente conectado) com o Estado Democrático de Direito e com outros princípios jurídico-penais positivos.
Fragmentariedade: O caráter relativo da pena - que não tem como fim fazer justiça (fim absoluto), mas proteger bens jurídicos - implica a seleção de bens jurídicos a serem protegidos e de ofensas a serem criminalizadas. Não se castigam todas as ofensas a quaisquer bens jurídicos.
Subsidiariedade: O direito penal, “remédio sancionador extremo” (Roxin) só deve ser ministrado quando fracassam as demais barreiras protetoras do bem jurídico predispostas por outros ramos do direito (Muñoz).

3. Princípio da Lesividade: Só pode ser castigado aquele comportamento que lesione direitos de outras pessoas e que não é simplesmente pecaminoso ou imoral (Roxin). Implícito.
4 Funções:

1. Proibir a incriminação de uma atitude interna

2. Proibir a incriminação de uma conduta que não exceda o âmbito do próprio autor
3. Proibir a incriminação de simples estados ou condições existenciais
4. Proibir a incriminação de condutas desviadas que não afetem qualquer bem jurídico.

4. Princípio da Humanidade: As penais devem ser racionais, proporcionais ao delito e úteis à sociedade. Afasta-se a possibilidade de penas perpétuas ou cruéis, como a esterilização, a lobotomia, a prisão perpétua e a morte. Pertence à Política Criminal, mas é reconhecido explicitamente na constituição (art. 5º, incisos III, XLVI e XLVII).

5. Princípio da Culpabilidade: Repúdio à responsabilidade objetiva (pelo resultado). Para cometer crime, o sujeito deve agir com dolo ou culpa (responsabilidade subjetiva) e ser reprovável por sua conduta. A culpabilidade (reprovabilidade) é o fundamento e o limite da pena, que é pessoal (intranscendível, ver art. 5º, inc. XLV, CR) e deve ser individualizada, isto é, deve levar em conta a pessoa concreta à qual se destina.

Três acepções da expressão direito penal

Direito penal objetivo: Conjunto de normas que definem as condutas criminosas ao imputá-las penas, tratam da sua própria validade e estabelecem princípios e diretrizes para a sua interpretação. Integra o direito público.

Direito penal subjetivo: Facultas agendi do estado de criar as infrações penais e as respectivas sanções, de natureza criminal, e de executar essas mesmas sanções na forma do preceituado em lei. Jus puniendi. Tecnicamente inútil e politicamente perigoso, o conceito é criticado por Nilo Batista, pois o réu não tem o dever de se submeter à pena, e sim a ela é submetido.

“Se o poder do estado de assegurar as condições de vida social não pode ser equiparado a um direito subjetivo, menos ainda a submissão do réu à pena pode ser tomada como cumprimento de uma obrigação jurídica” (Anibal Bruno).

Ciência do direito penal: Estudo do ordenamento jurídico-penal positivo, com a finalidade de permitir uma aplicação equitativa e justa da lei penal. Trata-se de conhecer o direito aplicável. Embora dogmática, deve ser aberta aos dados da realidade, aos seus efeitos sociais concretos e às finalidades político-criminais.
Princípios da dogmática:
Lei da proibição da negação: A lei deve ser acatada como objeto de conhecimento, sendo vedado negá-la como ponto de partida da argumentação.

Lei da proibição de contradição: Unidade sistemática. Exprime a impossibilidade de princípios e proposições contraditórios coexistirem no sistema.

Missão do direito penal: Proteção de bens jurídicos, por meio da cominação, aplicação e execução da pena.
Há, contudo, “funções ocultas da pena”, que incluem o controle do mercado de trabalho, o reforço protetivo à propriedade privada, a manutenção do status quo, o controle das classes sociais dominadas e dos opositores políticos, a vingança e a cobertura ideológica. Elas formam a “missão secreta” do direito penal.