CCJ0006-WL-PA-10-Direito Civil I-Novo-34076
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CCJ0006-WL-PA-10-Direito Civil I-Novo-34076

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contra os causadores do dano, se houver, por parte destes, culpa ou dolo.

Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do 
Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos 
administradores ou sócios da pessoa jurídica.

A pessoa jurídica tem o seu fim através da dissolução, deliberada entre seus membros, ou quando é cassada a autorização para seu funcionamento, porém subsiste até a 
conclusão da liquidação. Concluída a liquidação, será cancelada a inscrição da pessoa jurídica. Ainda poderá ter seu fim por determinação legal ou por ato do governo. 

DOMICÍLIO DA PESSOA JURÍDICA

 

As regras sobre o domicílio das pessoas jurídicas concentraram-se num mesmo dispositivo legal , bordejando as pessoas jurídicas de direito público interno e as pessoas 
jurídicas de direito privado. 

Como na expressão domicílio subtende-se a idéia de residência, com ânimo definitivo, jaz inapropriada a sua extensão às pessoas jurídicas, o que, porém e no fundo, 
ocorre apenas como mais uma criação ficcional do legislador. 

Diz-se, sem receio de equívoco, que ao legislador cabia articular e engenhar sistema normativo mais esmerado e expressão mais adequada para, com precisão, alcançar 
melhor a disciplina sobre o chamado domicílio das pessoas jurídicas. 

Na realidade, o novo texto pouco ou nada remoçou o instituto do domicílio das pessoas jurídicas, haja vista que foi reproduzido sem inovação de relevo algum. 

Com as considerações acima expendidas, retoma-se o tema, salientando que as pessoas jurídicas, malgrado a sua realidade incorpórea, reclamam a identificação do 
núcleo ou do centro em que ocorrem as relações jurídicas a partir do qual se desenvolvem as atividades que lhe são próprias, em conformidade com a sua natureza. 

Sob esse influxo, o Código Civil fixou, peremptoriamente, o domicílio das pessoas jurídicas, quer de direito público quer privado, de caráter interno ou externo. 

Domicílio da pessoa jurídica de direito público interno - Em relação às pessoas jurídicas de direito público interno, limitou-se o Código Civil a ativar a regra consagrada 
na legislação anterior, acrescentando, apenas, que o domicílio dos Territórios são as respectivas capitais, disposição inexistente anteriormente à falta, então, de sua 
personificação. Com efeito, diz o Código que o domicílio: 

a) da União é o Distrito Federal; 

b) dos Estados e Territórios, as respectivas capitais; e

c) dos Municípios, o lugar onde funcione a administração municipal. Releva advertir que as autarquias e as demais entidades de caráter público criadas por lei foram 
enquadradas na categoria genérica das chamadas demais pessoas jurídicas de que cuida o Código Civil , a cujo regime jurídico equiparam-se para efeito de domicílio.

Domicílio das demais pessoas jurídicas - À exceção da União, dos Estados, dos Territórios e dos Municípios, as pessoas jurídicas, de direito público interno ou de 
direito privado, têm como domicílio: 

a) o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações; ou

b) o lugar designado no estatuto ou contrato social ou ato constitutivo.

Na definição certeira do domicílio, examina-se, em primeiro diagnóstico, a disposição legal encartada nos atos legais da pessoa jurídica. 

Em havendo posição afirmativa, o domicílio será o lugar, por conseguinte, definido no estatuto, contrato social ou ato constitutivo, pacificado pela formalidade que o 
credencia expressamente.

À falta de revelação expressa, o domicílio das pessoas jurídicas será, porém, o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações. 

Admite-se, em outra análise, que se consolide o entendimento de que, à revelia das disposições expressas e formais constantes no estatuto, contrato social ou ato 
constitutivo, o domicílio desloque-se para o lugar onde se exerce o verdadeiro comando da pessoa jurídica, com a presença de seu corpo dirigente, do qual partam as ações 
estratégicas e gerenciais de maior nível ou poder hierárquico, em decorrência das quais pulsa a vida empresarial. 

Dá-se, no caso, a descaracterização ou a desformalização do domicílio, principalmente quando ele se artificializa por meio de maquiagens ou traquinagens jurídicas, com o 
propósito de escapulir às exigências e obrigações legais, iludindo o Estado ou a sociedade. 

Característica que merece destaque é a de que a pessoa jurídica, se dispuser de estabelecimentos em lugares diferentes, será dotada de domicílio plural. 

Com efeito, conforme o perfil, as características e as necessidades intrínsecas da pessoa jurídica, pode -se, perfeitamente, fragmentar a sua unidade nuclear, de cujos
pedaços compõem-se outros estabelecimentos, a fim de otimizar a atuação da entidade, ao tempo em que cada uma delas será considerada domicílio para os atos 
individualmente praticados.

Essa disposição socorre os que contratam com a pessoa jurídica, cultivando-se a possibilidade de facilitar, de um lado, o acionamento judicial dessas entidades e, do outro,
barrar o surgimento de embaraços processuais relativos ao foro. 

Quando a administração, ou diretoria, tiver sede no estrangeiro, estabelece o Código Civil que se haverá por domicílio da pessoa jurídica, no tocante às obrigações por cada 
uma das suas agências, o lugar do estabelecimento, sito no Brasil, a que ela corresponder. 

Assim, as obrigações assumidas pela pessoa jurídica, cuja administração ou corpo dirigente situem-se em território estrangeiro, serão legadas à agência localizada no país, 
reconhecendo-se como tal o seu domicílio. Para a lei, o fato de a pessoa jurídica centrar a sede de sua administração ou diretoria no estrangeiro não transmuda ou inibe o 
domicílio do lugar em que se estabelece no Brasil, em relação às obrigações aqui contraídas, independentemente da nacionalidade da empresa. 

Pluralidade de Domicílios - Mostra-se flagrante a opção que o legislador assentou sobre a pluralidade de domicílio. 

O regime adotado pelo Código Civil foi o de privilegiar a existência de mais de um domicílio, seja pessoa natural ou pessoa jurídica de direito privado, razão por que se disse 
que o legislador perfilhou a escola que cultiva a pluralidade de domicílio. 

Plural ou singular, o que importa, porém, é que haja pelo menos um domicílio, haja vista que não é crível a existência de pessoa jurídica ou de pessoa natural , ainda que 
desprovida de toda sorte de bens materiais, sem domicílio, como representação do local em que possa a ser encontrada. 

Assim, tendo a pessoa natural multifárias residências ou exercendo sua ocupação em variadas localidades, é certo que cada uma delas constituirá o seu domicílio ou, em 
última hipótese - homenageando a segurança das relações jurídicas -, o local onde for encontrada, com o que se afasta o risco da inexistência de domicílio na ordem 
jurídica nacional. 

E no que tange às pessoas jurídicas, prevalece, também, a regra que autoriza a existência da pluralidade de domicílio, bastando que se diversifiquem os estabelecimentos 
em lugares diferentes, reputando-se domicílio cada um deles, segundo os atos nele praticados. 

Preponderância do domicílio - Ao contrário de juízo precipitado, diz -se que o legislador optou pelo modelo liberal, ao consentir a pluralidade de domicílio, sem 
hierarquizá-lo ou priorizá-lo.

Na pluralidade de domicílio, resolve-se o conflito pela prevalência da atração do fato ou ato sob cuja área de influência ou conexão foi editado, gerando obrigações ou 
direitos.

 

Referências bibliográficas:
Nome do livro: Curso de Direito Civil. Vol 1 Parte Geral - ISBN. 8530927923

Nome do autor: NADER, Paulo.

Editora: Forense

Ano: 2008

Edição: 5a

Nome do capítulo:  A codificação do Direito Civil 

N. de páginas do capítulo:   16 

Aplicação Prática Teórica

CASO CONCRETO