CCJ0006-WL-PA-11-Direito Civil I-Antigo-15844
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Gustavo e Otacílio?
2) A situação seria diferente caso, ao invés de venda, Ɵvesse havido uma doação?
3) Que providências devem ser tomadas por Ana Elisa, caso ela queira reaver o dinheiro emprestado?
 
 
CASO CONCRETO 2

Em ação anulatória de negócio jurídico ajuizada por Berenice em face de Cláudia, alega a autora que celebrou contrato preliminar de promessa de compra e venda com a ré, 
atribuindo a uma luxuosíssima mansão preço vil, o que só constatou posteriormente. Neste senƟdo, pretende a autora a anulação invocando ter ocorrido a figura da lesão. Por outro 
lado, em contestação, a ré sustenta que a autora é pessoa culta, que inclusive se qualificou como comerciante no instrumento do contrato. Logo, não poderia alegar que desconhecia 
o valor de seu próprio imóvel, devendo prevalecer o negócio celebrado.
 
Pergunta-se:
 

a) Se ficasse comprovado nos autos que o valor do bem estava próximo ao valor de mercado poderia se considerar a existência da figura da lesão? JusƟfique.
 
b) O argumento da ré quanto às condições pessoais da autora é perƟnente para o estudo da figura da lesão? JusƟfique.

 
 
 
CASO CONCRETO 3

Carla sofre acidente, vindo a necessitar urgentemente de socorro médico. Um médico que estava na cidade a socorre e a interna em uma pequena clínica, que exige o pagamento de 
um exorbitante valor de trezentos mil reais. No dia seguinte, Cláudio, marido de Carla, após pagar o valor, consulta seu advogado para saber se tal negócio pode ser anulado. Com 
fundamentos legais, responda à consulta do cliente.
 
QUESTÕES OBJETIVAS

1)Na regulamentação dos defeitos do negócio jurídico, significaƟvas foram as alterações introduzidas pelo Novo Código Civil. Leia com ATENÇÃO as proposições abaixo. 
I) O erro não prejudica a validade do negócio jurídico quando a pessoa, a quem a manifestação de vontade se dirige,  oferecer -se para executá -la na conformidade da vontade real
do manifestante.
II) Configura-se a lesão quando alguém, premido da necessidade de salvar -se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação 
excessivamente onerosa.
III) SubsisƟrá o negócio jurídico se a coação decorrer de terceiro, sem que a parte a que aproveite dela Ɵvesse ou devesse ter conhecimento, mas o autor da coação responderá por 
todas as perdas e danos que houver causado ao coacto.
IV) No negócio jurídico viciado por lesão, não se decretará a anulação do negócio, se for oferecido suplemento suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução do 
proveito.
 
Marque a alternativa CORRETA.
 
(A) As proposições I, III e IV são verdadeiras. 
(B) Todas as proposições são verdadeiras. 
(C) As proposições I, II e IV são verdadeiras. 
(D) As proposições I, II e III são verdadeiras. 
(E) Todas as proposições são falsas. 
 
2)Em relação  ao  estado   de   perigo,   considerando   o novo Código Civil e as seguintes asserƟvas:
I  -   Está  disposto na  categoria de causa  de   anulabilidade  do negócio jurídico. 
II -   Em   seu   substrato não está a   ficção de   igualdade das  partes, de modo que a regra   tem relevância na tutela do contratante fraco. 
III -  É  indiferente   que   a  parte  beneficiada   saiba   que   a  obrigação foi assumida pela parte contrária para que esta se salve de grave  dano.
IV -  Não  pode   o  juiz  considerar   circunstâncias   favoráveis   para  o efeito  de estender a regra para pessoa não integrante da família do declarante. 
V -   Confunde -se com o instituto da  lesão,   pois como ocorre   nesta úlƟma,  considera -se, além da premente necessidade econômica, a inexperiência de   quem se obriga a contratar,
circunstâncias determinantes das   prestações avençadas de  maneira manifestamente   desproporcional.
 
Assinale a alternativa correta:
 
(A)         Somente as asserƟvas I, II estão corretas.
(B)          Somente as asserƟvas II, III e IV estão corretas.
(C)          Somente as assertivas I, II, III, e IV  estão corretas.
(D)         Somente as asserƟvas III e V estão corretas.
(E)          Somente as asserƟvas IV e V estão corretas.

Plano de Aula: 11 - DIREITO CIVIL I

DIREITO CIVIL I

Estácio de Sá Página 3 / 4

Título

11 - DIREITO CIVIL I

Número de Aulas por Semana

Número de Semana de Aula

11

Tema

DEFEITOS NOS NEGÓCIOS JURÍDICOS (CONT.)

Objetivos

Ÿ         Introduzir os conceitos dos  defeitos nos negócios jurídicos incorporados no atual Código Civil.
Ÿ         Compreender a noção de estado de perigo.
Ÿ         Apresentar as posições doutrinárias acerca do estado de necessidade nos negócios jurídicos.
Ÿ         Conceituar as espécies de negócios usurários existentes.
Ÿ         DisƟnguir os casos de fraude contra credores e sua normaƟzação.
Reconhecer os requisitos, efeitos e diferenças entre figuras jurídicas semelhantes.

Estrutura do Conteúdo

1 - DEFEITOS NOS NEGÓCIOS JURÍDICOS
1.1 Conceito legal de estado de perigo;
1.2 O estado de necessidade no âmbito dos negócios jurídicos;
1.3 Negócios usurários;
1.3 Lesão;
1.4 Fraude contra credores;
1.4.1 Credor quirografário;
1.4.2 Ação pauliana
 
DOS DEFEITOS DO NEGÓCIO JURÍDICO 

NO NOVO CÓDIGO CIVIL: FRAUDE, ESTADO DE PERIGO E LESÃO (Continuação)
 

Humberto Theodoro Júnior
SUMÁRIO(cont.) 8. O estado de necessidade no âmbito dos negócios jurídicos: anulabilidade ou rescindibilidade? 9. Conceito legal de estado de
perigo. 10. Negócios usurários. 11. Esboço histórico da lesão no direito brasileiro. 12. Conceito de lesão como vício de consentimento.

 8. O estado de necessidade no âmbito dos negócios jurídicos: anulabilidade ou rescindibilidade?
                               Como defeitos do negócio jurídico o Código atual acrescenta duas figuras novas: o estado de perigo e a lesão, que correspondem às hipóteses do 
Código italiano de desequilíbrio econômico do contrato, ali apelidadas de stato di pericolo e stato di bisogno#.
                               Em todas elas, não há propriamente erro da vítima no declarar a vontade negocial, o que se passa é o quadro de perigo enfrentado no momento do 
aperfeiçoamento do negócio que coloca a pessoa numa contingência de necessidade premente de certo bem ou valor e, para obtê-lo, acaba ajustando preços e condições 
desequilibradas. O contrato, em tais circunstâncias, se torna iníquo, porque uma das partes se aproveita da conjuntura adversa para extrair vantagens injustas à custa da 
necessidade da outra.
                               No estado de perigo, o que determina a submissão da vítima ao negócio iníquo é o risco pessoal (perigo de vida ou de grave dano à saúde ou à 
integridade física de uma pessoa). Na lesão (ou estado de necessidade), o risco provém da iminência de danos patrimoniais, como a urgência de honrar compromissos, de 
evitar a falência ou a ruína dos negócios.
                               As duas situações jurídicas, no direito italiano, não são vistas como causas de anulabilidade. Recebem tratamento repressivo distinto, qual seja o da 
rescindibilidade (arts. 1.447 e 1.448).
                               Defende-se historicamente a rescindibilidade como algo diverso da anulabilidade, porque esta se ligaria aos vícios de consentimento, enquanto aquela 
se voltaria para a repressão da injustiça ou iniquidade. Não se detecta na lesão ou no estado de perigo um vício de constituição do negócio jurídico com ato de vontade, mas 
na sua organização econômica. Atende-se mais à proteção dos critérios de justiça e eqüidade, na prática negocial, que à liberdade de vontade. Embora esta, indiretamente, 
também se resguarde#.
                               O Código brasileiro, mesmo conhecendo a sistemática italiana, preferiu ignorar a distinção técnica ali feita entre rescisão e anulação. Optou por 
englobar todos os casos de patologia negocial no campo único da anulabilidade, por entender que não há razões práticas e teóricas para justificar o tratamento dicotômico.
                               Quando