CCJ0006-WL-PA-11-Direito Civil I-Antigo-15844
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em estado de necessidade, ou sob premente necessidade, não é necessário que a parte se 
sinta reduzida à indigência ou à total incapacidade patrimonial, bastando que seu estado seja de dificuldades econômicas ou de falta de disponibilidades líquidas para honrar 
seus compromissos.
                               O que importa apurar é se a dificuldade econômica ou a inexperiência do contratante foram a causa determinante do negócio lesivo, ou seja, se a parte 
prejudicada lançou mão do contrato como instrumento para tentar satisfazer sua necessidade; e, ainda, se foi por causa dessa premência que as condições iníquas vieram 
a ser ajustados#.
                               Em suma, o desequilíbrio entre as prestações deverá decorrer do estado de premência ou de inexperiência. E, mais, esse desequilíbrio deve ser 
congênito, ou seja, deve ter se dado no momento da contratação e não ser fruto de oscilações de mercado ulteriores ao negócio. Deve, ainda, persistir até o momento da 
anulação porque é daqueles defeitos que a lei permite sejam remediados a posteriori. Extinta, pois, a disparidade de prestações, não mais haverá razão para a ruptura da 
avença. Isto, porém, pressupõe prestações ainda por satisfazer. Se a lesão já se consumou e o negócio se exauriu, pouco importa que o bem tenha se valorizado ou 
desvalorizado posteriormente ao contrato. A anulação será possível em função do prejuízo que o lesado efetivamente sofreu no momento do ajuste ”. (Belo Horizonte, 2002)
 

l                                FRAUDE CONTRA CREDORES - Artifício ardil utilizado pelo devedor com o intuito de burlar o recebimento do credor; consiste na alienação de bens 
capazes de satisfazer a pretensão legítima do detentor do crédito. É todo ato praticado pelo devedor com a intenção de defraudar os seus credores do que lhes é 
devido.

Logo após o surgimento da Lex Poetelia Papiria, que impossibilitou a continuidade da aplicação da execução pessoal (dele como pessoa) do devedor, começaram, também, 
a surgir manobras fraudulentas que visavam despir o credor da garantia do recebimento do seu crédito.

A fraude contra credores, prevista no artigo 106 do Código Civil, é a mais comum dessas manobras. Contra essa artimanha utilizada pelo devedor, surgiu a Ação Pauliana, 
que visa a anulação da alienação fraudulenta, para que o credor possa, assim, ter o seu crédito satisfeito.

CREDOR QUIROGRAFÁRIO -   “É o credor que não possui qualquer título de garantia ou preferência, em relação aos bens do devedor, devendo, por isso, ser pago segunda a 
força dos bens livres do devedor.”

DEVEDOR INSOLVENTE -  “É o devedor que deve mais do que possui, é aquele que não paga suas dívidas na data aprazada”.

A fraude contra credores é vício social e corresponde a todo ato suscetível de diminuir ou onerar seu patrimônio, reduzindo ou eliminando a garantia que este representa para 
o pagamento de suas dívidas, é praticada pelo devedor insolvente ou por este ato reduzido à insolvência.

Há dois elementos característicos: eventus damni (a insolvência) e o consilium fraudis (conluio fraudulento).Podemos ao analisar certo contrato presumi-lo como fraudulento,
por exemplo, se este ocorre na clandestinidade, se há continuação da possa de bens alienados pelo devedor; se há falta de causa do negócio; se há parentesco ou 
afinidade entre o devedor e o terceiro; se ocorre a negociação a preço vil; e pela alienação de todos os bens.

A ação que pode socorrer os credores em caso de fraude é a ação pauliana ou revocatória e, pode incidir não só nas alienações onerosas, mas igualmente nas gratuitas 
( doações). Há o ônus de se provar o consilium fraudis e eventus damni (art. 158 do C.C.).

Há a tipificação de fraudes aos credores também quando ocorre a remissão de dívidas (perdão) ou a concessão fraudulenta de garantias tais como penhor, hipoteca e 
anticrese.

(art. 1563 do C.C.) ou pagamento antecipado de dívidas            

Somente nas alienações onerosas se exige provar o consilium fraudis ou a má fé do terceiro adquirente.

A AÇÃO PAULIANA visa prevenir a lesão aos direitos dos credores, e acarreta anulação do negócio. Embora maior parte da doutrina defenda que ocorra ineficácia relativa do 
negócio se demonstrada a fraude ao credor, então a sentença declara a ineficácia doa to fraudatório perante o credor, permanecendo o negócio válido entre os contratantes. 
Os efeitos da declaração da nulidade relativa é “ex nunc”, da sentença em diante.

No entanto, na opinião do grande processualista Cândido Rangel Dinamarco, tal sentença tem cunho constitutivo negativo e decreta ineficácia superveniente.

É importante esclarecer que a ação pauliana não é ação real, nem quando referir -se aos bens imóveis; trata-se de ação pessoal, pois visa anular o negócio fraudulento 
restaurando o status quo ante do patrimônio do devedor.         

Não se pode confundir a fraude aos credores com fraude à execução. Posto que essa última, é instituto do direito processual, pressupõe a demanda em andamento e 
devedor devidamente citado, também por ter requisitos o eventual consilium fraudis e o prejuízo do credor.            

A fraude à execução independe de ação revocatória e, apenas é aproveitada pelo credor exeqüente. E, por fim, acarreta a nulidade absoluta onde a má fé é presumida ( in re 
ipsa). Ao passo que a fraude aos credores acarreta a nulidade relativa do negócio jurídico e, é aproveitada indistintamente por todos credores.      

 
Nome do livro: O Direito Civil à luz do Novo Código - ISBN: EAN-13:  9788530926663
Nome do autor: COSTA, Dilvanir José.
Editora: Rio de Janeiro: Forense

Ano: 2009.

Edição: 3a
Nome do capítulo: Parte Geral - Inovações do novo Código - dos Fatos Jurídicos
N. de páginas do capítulo: 5

Aplicação Prática Teórica

Os conhecimentos apreendidos serão de fundamental importância para a reflexão teórica envolvendo a compreensão necessária de que o direito, para ser entendido e estudado 
enquanto fenômeno cultural e humano, precisa ser tomado enquanto sistema disciplinador de relações de poder, a parƟr da metodologia uƟlizada em sala com a aplicação dos 
casos concretos, a saber:
 

CASO CONCRETO 1

Ana Elisa empresta R$ 15.000,00 (quinze mil reais) a seu amigo, Luiz Gustavo. No vencimento da obrigação, Luiz Gustavo não paga o emprésƟmo. Ana Elisa, dispondo de ơtulo execuƟvo, 
ingressa com a ação de execução. Nenhum bem de Luiz Gustavo é encontrado para ser penhorado. Ana Elisa, porém, descobre que Luiz Gustavo, após vencido o débito, havia vendido 
para seu irmão Otacílio o único imóvel de que era Ɵtular, mais precisamente, uma sala comercial avaliada em R$ 95.000,00 (noventa e cinco mil reais).
 
Pergunta-se:
 
1) É válida a venda entre Luiz Gustavo e Otacílio?
2) A situação seria diferente caso, ao invés de venda, Ɵvesse havido uma doação?
3) Que providências devem ser tomadas por Ana Elisa, caso ela queira reaver o dinheiro emprestado?
 
 
CASO CONCRETO 2

Em ação anulatória de negócio jurídico ajuizada por Berenice em face de Cláudia, alega a autora que celebrou contrato preliminar de promessa de compra e venda com a ré, 
atribuindo a uma luxuosíssima mansão preço vil, o que só constatou posteriormente. Neste senƟdo, pretende a autora a anulação invocando ter ocorrido a figura da lesão. Por outro 
lado, em contestação, a ré sustenta que a autora é pessoa culta, que inclusive se qualificou como comerciante no instrumento do contrato. Logo, não poderia alegar que desconhecia 
o valor de seu próprio imóvel, devendo prevalecer o negócio celebrado.
 
Pergunta-se:
 

a) Se ficasse comprovado nos autos que o valor do bem estava próximo ao valor de mercado poderia se considerar a existência da figura da lesão? JusƟfique.
 
b) O argumento da ré quanto às condições pessoais da autora é perƟnente para o estudo da figura da lesão? JusƟfique.

 
 
 
CASO CONCRETO 3

Carla sofre acidente, vindo a necessitar urgentemente de socorro médico. Um médico que estava na cidade a socorre e a interna