12_ A TEORIA DA CRISE E A PRODUÇÃO CAPITALISTA DO ESPAÇO EM DAVID HARVEY
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12_ A TEORIA DA CRISE E A PRODUÇÃO CAPITALISTA DO ESPAÇO EM DAVID HARVEY


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intensificação, mais importante é a expansão geográfica para sustentar a acumulação de 
capital\u201d. (Harvey, 2005a, p. 48). 
 A essa necessidade de expansão correspondem também as relações entre 
transportes, comunicação e integração espacial, o que implica em estruturas físicas 
(rodovias, portos, usinas, etc.) e sociais (educação, pesquisa, fiscalização, etc.) que 
proporcionam ao capital excedente (na forma mercadoria, moeda ou capacidade 
produtiva) um meio de aplicação a longo prazo, permitindo, com isso, seu 
deslocamento espaço-temporal. As inversões do capital excedente, porém, não podem 
ser feitas diretamente \u2013 não há como transformar um excedente em forma de sapatos ou 
camisas em estradas ou escolas! Para isso, pois, é fundamental a mediação de 
instituições de crédito e, principalmente, do Estado para que sejam possíveis as 
operações financeiras. O sistema de ralações que surge daí, envolvendo agentes e 
interesses variados, configura o que Harvey chama de circuitos do capital. 
 
2.2. Circuitos do capital e desenvolvimento geográfico desigual 
 
 Como diz o próprio Harvey (2005, p. 93), \u201ca idéia de ordenação espaço-
temporal é bastante simples\u201d. A condição geral de sua premência, já dissemos, advém 
quando 
a sobreacumulação num dado sistema territorial representa uma condição de 
excedentes de trabalho (desemprego em elevação) e excedentes de capital 
(registrados como acúmulo de mercadorias no mercado que não podem ser 
dissolvido sem uma perda, como capacidade produtiva ociosa e/ou como 
excedentes de capital monetário a que faltam oportunidades de investimento 
produtivo e lucrativo). (idem.). 
 Esses excedentes podem encontrar duas vias de absorção: 1) o deslocamento 
temporal mediante investimentos de capital com rendimento a longo prazo ou gastos 
sociais, como educação e pesquisa; 2) o deslocamento espacial, substanciado na 
conquista de novos mercados, capacidades produtivas, recursos, etc. em novos lugares. 
A combinação dessas duas vias de escape costuma se dar nas ações de Estados 
imperialistas, que mantêm com territórios dependentes uma relação geográfica desigual, 
conforme explicitaremos. 
No deslocamento temporal, os fluxos de capital são retirados do domínio da 
produção e do consumo imediatos - que Harvey chama de circuito primário12 - e são 
 
12 Os conceitos de circuitos primário, secundário e terciário não equivalem exatamente aos departamentos 
I e II (e III, bens de consumo de luxo ou duráveis) da reprodução em Marx. Ao que parece, o circuito 
primário, por excelência, contém os departamentos I e II (produção de valor e reprodução da força de 
trabalho). O excedente produzido aí e redirigido aos circuitos secundário e terciário (equivalentes ao