concretosimples
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ligada a 
resistência do concreto. 
 
 A impermeabilidade do concreto está relacionada com a durabilidade. Um concreto 
impermeável impede o acesso de agentes agressivos. 
 
 Vários são os fatores que podem influir na durabilidade e na impermeabilidade dos 
concretos, entre eles: 
 
\u2022 porosidade da pasta - a impermeabilidade está diretamente relacionada com a 
porosidade da pasta. Quanto menos porosa, mais impermeável será a pasta e, 
conseqüentemente, o concreto. 
 
 A porosidade depende de dois fatores principais: da relação água/cimento e do 
grau de hidratação da pasta. 
 
 A relação água/cimento, neste caso, define a estrutura da pasta. Quanto menor 
essa relação, mais próximos uns dos outros estarão os grãos de cimento e menor, 
portanto, será a porosidade da pasta. 
 
 Como os produtos da hidratação ocupam um volume maior do que o cimento na 
pasta, a porosidade diminui à medida que a hidratação evolui. 
 
 Pode-se concluir, dessa forma, que a impermeabilidade do concreto aumenta, 
também, com a redução da relação água/cimento e com a evolução da hidratação, 
ou seja, com a idade do concreto. 
 
\u2022 agressão química - principalmente de sulfatos, que reagindo com o hidróxido de 
cálcio livre e o aluminato de cálcio hidratado presentes no cimento, aumentam o 
volume dos sólidos causando expansão que, por sua vez, provocam fissuração, 
que poderão resultar na total deterioração da peça endurecida. Esses efeitos 
podem ser atenuados se a relação água/cimento não ultrapassar 0,40 para peças 
delgadas, com menos de 2,5 cm de recobrimento de armadura, e 0,45 para outras 
estruturas. No caso de se utilizar cimentos resistentes a sulfatos, o fator 
água/cimento deverá ser de 0,45 e 0,50, respectivamente, conforme recomenda o 
ACI - American Concrete Institute. 
 
 
Materiais de Construção \u2013 Araujo, Rodrigues & Freitas 61
\u2022 retração hidráulica - é resultante da retração da pasta de cimento, que ao sofrer 
modificações de volume devidas à movimentação da água, exerce tensões sobre o 
agregado, provocando fissuração no concreto, abrindo dessa forma caminho a 
agressão de agentes exteriores. 
 
 São vários os fatores que influenciam a retração hidráulica. Entre eles a 
concentração de agregados, o fator água/cimento, as dimensões da peça e como já 
vimos anteriormente as condições de cura. Uma vez que a retração ocorrerá 
somente na pasta, quanto menor o seu teor e consequentemente maior 
concentração de agregado, menor será a retração no concreto e, também, como a 
retração é oriunda da movimentação da água que pode sair por evaporação ou 
entrar por capilaridade, quanto maior for o fator água/cimento, maior será 
evidentemente a retração. 
 
 
4. Produção do Concreto 
 
 Uma vez conhecidas as propriedades que devem possuir o concreto em suas duas fases 
- fresco e endurecido-, pode-se detalhar o processo de produção do concreto. 
 
 A produção do concreto consiste em uma série de operações de forma a se obter, a 
partir dos materiais componentes o concreto desejado. 
 
 As operações necessárias à obtenção do concreto são: 
 
\u2022 dosagem; 
\u2022 mistura; 
\u2022 transporte; 
\u2022 lançamento; 
\u2022 adensamento; 
\u2022 cura. 
 
 
 4.1. Dosagem do concreto 
 
 Dosar um concreto consiste em determinar a proporção mais adequada e econômica, 
com que cada material entra na composição da mistura, objetivando as propriedades já 
identificadas para o concreto fresco e endurecido. 
 
 Dosar, é portanto, procurar o traço que atende as condições específicas de um projeto, 
utilizando corretamente os materiais disponíveis. 
 Traço é a maneira de exprimir a proporção dos componentes de uma mistura. 
Genericamente, um traço 1:m:x significa que para uma parte de aglomerante deve-se ter m 
partes de agregados, que pode ser somente miúdo, como no caso das argamassas, ou miúdo e 
graúdo, como nos concretos e x partes de água. 
 
Materiais de Construção \u2013 Araujo, Rodrigues & Freitas 62
 
 O traço pode ser medido em peso ou em volume. Geralmente quando não está 
expressa de forma clara a unidade, supõem-se que esta medida seja em peso. Se o traço for em 
volume deve ser indicado. Freqüentemente adota-se uma indicação mista: o cimento em peso 
e os agregados em volume. 
 
Exemplos de traços para concreto para 1 kg de cimento. 
 
1:a:p 
 
onde: a = peso de agregado miúdo para 1 kg de cimento 
 p = peso de agregado graúdo para 1 kg de cimento 
 
ou 
 
1:a\u201d:p\u201d em volume 
 
onde: a\u201d = volume de agregado miúdo 
 p\u201d = volume de agregado graúdo 
 
 
 A dosagem pode ser não experimental ou experimental. 
 
 Na dosagem não experimental o engenheiro baseia-se na sua experiência profissional 
ou em tabelas confeccionadas com base em outras obras realizadas, como apresentado na 
Tabela 10. 
 
 Na dosagem experimental o engenheiro baseia-se nas características dos materiais, nas 
solicitações mecânicas a que estará sujeito o concreto e nas implicações inerentes a cada obra. 
Assim sendo, é levado em conta as cargas que vão atuar na estrutura, as dimensões da peça, 
os processos construtivos bem como as condições do meio em que vai ser implantada a 
construção. 
 
 A NBR 6118/78, antiga NB 1, só permite a dosagem não experimental, para obras de 
pequeno vulto, às quais deverão respeitar as seguintes condições: 
 
\u2022 quantidade mínima de cimento por m3 de concreto de 300 kg; 
\u2022 proporção de agregado miúdo no volume total do agregado entre 30 a 50%, fixada 
de maneira a se obter um concreto de trabalhabilidade adequada ao seu emprego; 
e 
\u2022 quantidade de água no volume total de concreto entre 7 a 10%, mínima 
compatível com a trabalhabilidade necessária. 
 
Materiais de Construção \u2013 Araujo, Rodrigues & Freitas 63
 
Tabela 10 \u2013 Tabela prática para traços de concreto. 
 
 
 
 
 
FATOR 
 
 
CONSUMO POR M3 DE CONCRETO FRESCO 
 
RESISTÊNCIA À 
COMPRESSÃO 
 
TRAÇO A/C CIMENTO AREIA BRITAS ÁGUA 3 dias 7 dias 28 dias 
litros/kg kg
 
 sacos m3 Nº1-
m3 
Nº2-
m3 
litros Kgf/cm2 kgf/cm2 kgf/cm2 
1 : 1 : 2 0,44 514 10,3 0,363 0,363 0,363 226 228 300 400
1 : 11/2 : 3 0,49 387 7,7 0,409 0,409 0,409 189 188 254 350
1 : 2 : 21/2 0,55 374 7,5 0,528 0,330 0,330 206 148 208 298
1 : 2 : 3 0,61 344 6,9 0,486 0,364 0,364 210 117 172 254
1 : 21\2 : 3 0,65 319 6,4 0,562 0,337 0,337 207 100 150 228
1 : 2 : 4 0,68 297 5,94 0,420 0,420 0,420 202 90 137 210
1 : 21\2 : 31\2 0,71 293 5,86 0,517 0,362 0,362 208 80 123 195
1 : 21\2 : 4 0,73 276 5,5 0,487 0,390 0,390 201 74 114 185
1 : 21\2 : 5 0,79 246 4,9 0,435 0,435 0,435 195 58 94 157
1 : 3 : 5 0,88 229 4,6 0,486 0,405 0,405 202 40 70 124
1 : 3 : 6 0,95 208 4,2 0,441 0,441 0,441 198 30 54 100
1 : 4 : 8 1,20 161 3,2 0,456 0,456 0,456 194 NÃO NÃO NÃO
 
 
 
Materiais de Construção \u2013 Araujo, Rodrigues & Freitas 64
 Para o caso de grandes obras, a dosagem experimental é a única aceitável, isto porque, 
os materiais constituintes e o produto resultante são ensaiados em laboratórios. 
 
 Uma dosagem experimental, de modo geral, é orientada pelo seguinte roteiro: 
 
\u2022 caracterização precisa dos materiais; 
\u2022 estudo das dimensões das peças a concretar; 
\u2022 cálculo da tensão de dosagem (resistência de dosagem); 
\u2022 determinação do fator água/cimento; 
\u2022 estabelecimento do traço inicial; e 
\u2022 estabelecimento do traço final. 
 
 Existem, atualmente, um grande número de métodos de dosagem de concreto adotados 
no Brasil. Essa variedade, entretanto, não deve ser considerada contraditória, pois muitos 
deles consideram condições específicas de aplicação. 
 
 O método de dosagem que será desenvolvido neste trabalho nos parece o mais 
apropriado para o uso específico em obras rurais dada a facilidade de entendimento e 
aplicação. Será um método de dosagem parcialmente