concretosimples
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experimental, que considera o maior
número de parâmetros possíveis, permitindo ao engenheiro fabricar um concreto que garanta
o máximo de rendimento dos materiais disponíveis com as características de qualidade
desejadas.
 Por uma questão didática o método de dosagem parcialmente experimental, será
apresentado detalhadamente, no item 5, do presente capítulo.
 4.2. Mistura ou Amassamento
 É a primeira fase da produção propriamente dita do concreto e tem como objetivo a
obtenção de uma massa homogênea onde todos os componentes estejam em contato entre si.
A falta de homogeneidade determina decréscimo sensível de resistência mecânica e
durabilidade dos concretos. A mistura poderá ser manual ou através de equipamentos
chamados betoneiras.
 O amassamento manual, conforme prescreve a NBR 6118/78, só poderá ser
empregado em obras de pequena importância, onde o volume e a responsabilidade do
concreto não justifiquem o emprego de equipamento mecânico, não podendo nesse caso,
amassar, de cada vez, volume superior ao correspondente a 100 kg de cimento.
 O amassamento manual deverá ser realizado sobre um estrado ou superfície plana
impermeável e resistente. Mistura-se inicialmente os agregados e o cimento de maneira a se
obter uma coloração uniforme. Em seguida adiciona-se água aos poucos prosseguindo-se a
mistura até se conseguir uma massa de aspecto uniforme.

Materiais de Construção – Araujo, Rodrigues & Freitas 65

 A Figura 9 apresenta um roteiro para o amassamento manual do concreto, sendo:
1. Espalhar a areia, formando uma camada de uns 15 cm.
2. Sobre a areia colocar o cimento.
3. Com uma pá ou enxada, mexer a areia e o cimento até formar uma mistura bem uniforme.
4. Espalhar a mistura, formando uma camada de 15 a 20 cm.
5. Colocar a pedra sobre esta camada, misturando muito bem.
6. Formar um monte com uma coroa (buraco) no meio.
7. Adicionar e misturar a água aos poucos, evitando que escorra.

FIGURA 9 - Amassamento manual (ABCP, Cimento-Folheto de Orientação)

Materiais de Construção – Araujo, Rodrigues & Freitas 66

 O amassamento mecânico é feito em equipamentos especiais chamados de betoneiras,
conforme a Figura 10, que são constituídas essencialmente por um tambor ou cuba, fixo ou
móvel em torno de um eixo que passa pelo seu centro, no qual, por meio de pás, que, também,
podem ser fixas ou móveis, se produz a mistura.

FIGURA 10 - Amassamento mecânico (ABCP, Cimento-Folheto de Orientação)

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 Os principais elementos a serem considerados na operação de uma betoneira são:
- tempo de mistura - o tempo de mistura é contado a partir do instante em que todos os
materiais são lançados na cuba. Dependendo do tipo de concreto e do tipo de betoneira, a
NBR 6118/78, estabelece que o amassamento mecânico em canteiro deverá durar, sem
interrupção, o tempo necessário para permitir a homogeneização da mistura de todos os
elementos inclusive eventuais aditivos; a duração necessária aumenta com o volume da
amassada e será tanto maior quanto mais seco for o concreto. O tempo mínimo de
amassamento, em segundos, será de 120 d , 60 d ou 30 d , conforme o eixo da
misturadora seja inclinado, horizontal ou vertical, sendo d o diâmetro máximo da misturadora
em metros.
- velocidade de rotação - quanto a velocidade de rotação, para cada tipo de betoneira existe
uma velocidade ótima do tambor, acima da qual poderá haver o início da centrifugação dos
materiais, diminuindo, portanto, a homogeneidade da mistura.
- ordem de colocação dos materiais - quanto a ordem de colocação dos materiais na
betoneira, não existem regras pré-fixadas, no entanto, para betoneiras pequenas, de
carregamento manual deve-se colocar primeiro a água, depois o agregado miúdo, o cimento e
por último o agregado graúdo. É conveniente usar, em cada betonada, um número inteiro de
sacos de cimento, pois a fração de saco medido em peso é trabalhosa e a medida em volume
para o aglomerante não é aconselhável.
 4.3. Transporte
 É a terceira etapa da produção do concreto, que após a mistura, tem que ser
transportado ao local de enchimento das formas.
 O transporte do concreto pode ser externo ou seja da central de concretagem até a
obra, em caminhão betoneira, ou dentro da obra, até o local de lançamento, com carrinho de
mão, giricas, elevadores, guinchos ou mesmo através de bombeamento (Figura 11).
 No transporte do concreto deve-se tomar cuidado para que não haja vibração
excessiva, o que pode provocar segregação dos componentes, prejudicando a homogeneidade
do concreto. O transporte, também deve ser rápido, a fim de evitar que o concreto perca a
trabalhabilidade necessária às etapas seguintes.
 4.4. Lançamento
 O lançamento é a operação que consiste em colocar o concreto nas formas. O tempo
máximo permitido entre o amassamento e o lançamento, esta situado entre 1 e 2 horas.

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O cuidado geral no lançamento consiste em manipular o concreto de forma que seus
componentes não se separem e as recomendações são:

Figura 11 – Veículos para transporte do concreto.

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• que as formas estejam livres de detritos e substâncias estranhas;
• que as formas, quando em madeira, estejam saturadas de água, para que não absorvam a

água do concreto;
• que seja evitado arrastar o concreto distâncias muito grandes. O arrastamento da mistura,

com enxada, nas formas ou mesmo sobre o concreto já aplicado, pode provocar perda de
argamassa, que adere aos locais por onde passa. Admite-se que o concreto seja espalhado,
por arrastamento, em distâncias na ordem de 0,80 a 1,00 m. Para distâncias maiores deve-
se apanhar o concreto com uma pá e aplicá-lo onde for necessário;

• que seja evitado o lançamento do concreto de grandes alturas. A altura máxima permitida,

para que não haja segregação, está em torno de 1,50 a 2,00 m. Para peças esbeltas, como
pilares, em que a altura é superior as indicadas, o concreto deve ser lançado através de
janelas abertas na face lateral da forma, que serão posteriormente fechadas, a medida que
avança a concretagem.

 4.5. Adensamento
 É a operação que tem por finalidade a eliminação do ar e dos vazios contidos na
massa. Deve ser feito durante e imediatamente após o lançamento.
 O adensamento pode ser executado por processos manuais - socamento ou
apiloamento - ou por processos mecânicos - vibração ou centrifugação. Qualquer que seja o
processo deve-se buscar que o concreto preencha todos os espaços da forma, evitando-se a
formação de ninhos e a segregação dos componentes. Deve ser evitada, também, a vibração
junto a ferragem, quando o concreto for armado, para não ocasionar vazios que prejudiquem a
aderência do concreto com a armadura.
 Quando bem executado, o adensamento melhora a resistência mecânica e aumenta a
impermeabilidade, a resistência a intempéries e a aderência do concreto à armadura.
 O gráfico da Figura 12, apresenta a relação entre os vazios e a resistência teórica do
concreto. Observa-se facilmente que a medida que aumentam os vazios do concreto, a sua
resistência diminui.
 Para o adensamento manual podem ser usadas barras de aço ou pedaços de madeira
que funcionarão como soquetes. A camada de concreto deve ser submetida a choques
repetidos, sendo mais importante o número de golpes, do que a energia de cada golpe. O
adensamento manual é feito por camadas de concreto, com espessura máxima de 15 a 20 cm e
para um concreto fresco com slump de 5 a 12 cm. O processo de adensamento deve cessar
assim que aparecer na superfície do concreto uma camada lisa de cimento