CS2010 - Aula 3 - O Sistema de Contas Nacionais no Brasil - completo

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O Sistema de Contas Nacionais no Brasil
Contabilidade Social - Aula 3
O Sistema de Contas Nacionais no Brasil até 1996
A Fundação Getulio Vargas quem desenvolveu o primeiro sistema de contas nacionais para o Brasil.
Seguindo as recomendações do System of National Accounts (SNA 53), em 1956 foram apresentadas as primeiras estimativas das contas nacionais.
Até 1986, A FGV foi responsável pelas contas nacionais.
Durante esse período o IBGE tratava de calcular a Matriz de Insumo-Produto, um instrumento alternativo.
A partir de 1987 o IBGE se torna responsável pelas contas nacionais.
O sistema anteriormente possuía 5 contas, passou a ter apenas 4.
A conta equivalente à conta do governo passou a ser uma conta complementar.

Quadro 3.1 Conta Produto Interno
Débito
Crédito
1.1

1.2
1.3
Produto Interno Bruto a Custo de Fatores(2.4)
1.1.1Remuneração dos empregados(2.4.1)
1.1.2Excedente operacional Bruto (2.4.2)
Tributos Indiretos(2.8)
(-) Subsídios(2.9)
1.4
1.5

1.6

1.7
1.8

1.9
Consumo final das famílias(2.1)
Consumo final das administrações públicas(2.2)
FormaçãoBruta de capital fixo(4.1)
Variação de estoques(4.2)
Exportações de bens e serviços não fatores(3.1)
(-) importações de bens e serviços não fatores(3.5)
Produto Interno Bruto a preços de Mercado
Dispêndiocorrespondente ao Produto Interno Bruto
Quadro 3.1– Conta Renda Nacional Disponível Bruta (RDB)
Débito
Crédito
2.1
2.2

2.3
Consumo final das famílias(1.4)
Consumo final das administrações públicas(1.5)
Poupança bruta(4.3)
2.4

2.5

2.6

2.7

2.8
2.9
Produto Interno Bruto a custo de fatores(1.1)
2.4.1remuneração dos empregados(1.1.1)
2.4.2excedente operacional bruto (1.1.2)
Remuneração de empregados líq. recebida do resto do mundo(3.3 – 3.6)
Outros rendimentos líq. recebidos do resto do mundo(3.4 – 3.8)
Transferências unilateraisliq. Recebidas do resto do mundo(3.4 – 3.8)
Tributos indiretos(1.2)
(-) subsídios(1.3)

Utilização da RDB
Apropriação da RDB
Quadro 3.3– Conta transações correntes com o resto do mundo
Débito
Crédito
3.1

3.2

3.3

3.4
Exportações de bens e serviços não fatores(1.8)
Remuneração de empregados recebida doresto do mundo(2.5+3.6)
Outros rendimentos recebidos do resto do mundo(2.6+3.7)
Transferências unilaterais recebidas do resto do mundo(2.7+3.8)
3.5

3.6

3.7

3.8

3.9
Importações de bens e serviços não fatores(1.9)
Remuneração de empregados paga ao resto do mundo(3.2– 2.5)
Outros rendimentos pagos ao restodo mundo(3.3 – 2.6)
Transferências unilaterais pagas ao resto do mundo(3.4 – 2.7)
Saldo das transações correntes com o resto do mundo(4.4)
Recebimentos correntes
Utilização dos recebimentos correntes
Quadro 3.4 – Conta de capital
Débito
Crédito
4.1

4.2
Formação bruta de capital fixo(1.6)
4.1.1Construção
4.1.1.1Administrações públicas
4.1.1.2Empresas e famílias

4.1.2Máquinas e equipamentos
4.1.2.1Administrações públicas
4.1.2.2Empresas e famílias
4.1.3Outros
Variaçõesde estoques(1.7)

4.3
4.4
Poupança bruta(2.3)
(-) saldo das transações correntes com o resto do mundo(3.9)
Total da formaçãode capital bruta (FBK)
Financiamento da formação bruta de capital (FBK)
Conta PIB
Com exceção ao fato de não existir uma conta do governo, as contas são semelhantes às apresentadas anteriormente.
A conta Produto Interno Bruto corresponde a conta de produção.
A principal diferença é que importações agora aparecem com o sinal negativo no lado do débito.
Portanto, no lado do débito temos PIB a preços de mercado
Do lado do crédito temos a demanda agregada.
Conta PIB
O consumo do governo aparece como consumo das administrações públicas.
Tem sua contrapartida a débito na conta renda nacional disponível bruta.
Excedente operacional compreende lucros aluguéis e juros pagos.

Conta RDB
Corresponde à conta de apropriação.
Apresenta a renda nacional bruta (Poupança bruta ao invés de líquida).
Inclui lançamentos do governo.
Apresenta a renda a preços de mercado (não a custo de fatores).
Apresenta a renda Nacional (e não a Interna), pois inclui o recebimento de rendas do resto do mundo.

Conta de transações com o resto do mundo
É equivalente a conta setor externo.
Mas apresenta apenas um item referente ao saldo da transações correntes com o resto do mundo, no lado do crédito.
Se o país “importou” poupança esse item é negativo e vice-versa.
A renda líquida enviada ao exterior está subdividida em remuneração de empregados, outros rendimentos e transferências entre o Brasil e o resto do mundo.

Conta de Capital
Como não existe mais uma conta governo, a poupança não está mais discriminada como privada e do governo, temos apenas poupança bruta.
O item resultado do balanço de pagamentos em transações correntes aparece com o nome saldo em transações correntes com o resto do mundo.
O (-) significa que o item que faz contrapartida a este esta também no crédito em outra conta.
Significa que a poupança externa vem somar a poupança interna.
A conta discrimina a participação do setores público e privado.
Conta corrente das administrações públicas
Quadro3.5 – Conta complementar
Conta corrente das administrações públicas
Débito
Crédito
A

B
C

D
E
Consumo final das administrações públicas
a.1Salários e Encargos
a.2Outras compras de bens e serviços
Subsídios
Transferênciasde assistência e previdência
Juros da dívida pública
Poupança em conta corrente

F
G
H
Tributos indiretos
Tributos diretos
Outras receitas correntes líquidas
h.1Outras receitas correntes brutas
h.2(-) Outras despesas de transferência
h.2.1Trans. Intragovernamentais
h.2.2Trans. Intergovernamentais
h.2.3Trans. ao setor privado
h.2.4Trans. Ao exterior
Total da utilização da receita corrente
Totalda receita corrente
Conta corrente das administrações públicas
O consumo do governo aparece subdividido entre salários e encargos e outras compras de bens e serviços.
Juros aparecem do lado da utilização
As outras receitas líquidas também é fragmentado em vários subitens para evitar dupla contagem.
O item Poupança em conta corrente fecha a conta do governo
Se for negativo, o governo apresentou déficit
Mas a conta não apresenta como esse valor foi financiado.
Contas Nacionais no Brasil: o formato atual
O sistema de contas nacionais atual é uma adaptação do SNA 1993.
As primeiras contas nesse sistema foram apresentadas em 1998, com dados a partir de 1995.
O novo sistema de contas uma maior riqueza de informações.
Integra dois instrumentos de mensuração distintos: a Tabela de Recursos e Usos e As Contas Econômicas Integradas.
Tabela de recursos e usos
A estrutura básica está baseada na Matriz Insumo-Produto.
A matriz Insumo-Produto consiste numa planilha que apresenta as as transações intersetoriais.
Mas também apresenta alguns dos agregados econômicos que apresentamos no sistema básico.
Está ligada ao trabalho de Wassily Leontief.
Por isto, antes de apresentarmos a Tabela de recursos e usos, temos que conhecer a Matriz de Insumo-Produto.

Matriz Insumo-Produto
Apresentaremos um exemplo da Matriz para uma economia com apenas 3 setores.
Chamaremos de Xij as vendas do setor i para o setor j.

Matriz de Insumo-Produto
Tabela3.1– Compras e vendas setoriais na economia H no período t
ComprasSetoriais

Vendas Setoriais
Setores
Demanda Final
Produção Bruta
Setores
 
1
2
3
 
 
1
X11
X12
X13
Y1
X1
2
X21
X22
X23
Y2
X2
3
X31
X32
X33
Y3
X3
Valor Adicionado
V1
V2
V3
––
––
Produção Bruta
X1
X2
X3
––
––
Matriz Insumo-Produto
Esta matriz, apresenta de modo desagregado, as informações referentes ao valor bruto da produção, ao valor adicionado, ao consumo intermediário, à demanda intermediária e a demanda final.
Todas estas são informações importantes do sistema de contas nacionais.
A matriz também é usada para planejamento econômico.
A partir da matriz, também podemos encontrar as seguintes relações.
X11= “vendas” do setor 1 ao próprio setor 1
X12= vendas do setor 1 ao setor 2
X13= vendas do setor 1 ao setor 3
Y1= demanda final pelos bens produzidos pelo setor 1
X1= X11+ X12+ X13+ Y1(produção bruta ou valor bruto da produção do setor 1)
X11= “vendas” do setor 1 ao próprio setor 1
X21= compras