CCJ0006-WL-PA-11-Direito Civil I-Novo-34077
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reiterada utilização do homem, sem destruição da sua substância. Assim, não é consumível a roupa, de uso de uma 
pessoa, já que lhe proporciona o uso reiterado. Todavia, a mesma roupa torna-se consumível numa loja, onde se destina à venda.

BENS DIVISÍVEIS E INDIVISÍVEIS

A) BENS DIVISÍVEIS - são as que se podem fracionar sem alteração na sua substância, diminuição considerável de valor, ou prejuízo do uso a que se destinam. Podem partir-
se em porções reais distintas, formando cada qual um todo perfeito - art. 87 do CC.

B) BENS INDIVISÍVEIS - são aquelas que não comportam fracionamento ou aquelas que, fracionadas, perdem a possibilidade de prestar serviços e utilidades que o todo 
anteriormente oferecia.

Um exemplo de bem indivisível é um carro ou um diamante lapidado (uma vez que sua divisão irá acarretar uma diminuição considerável de valor). Vale lembrar que um bem 
fisicamente divisível pode ser transformado em indivisível por vontade das partes ou por determinação legal. Também, ressalta -se que a divisão física em partes iguais de 
coisa indivisível, quando possível (um terreno, por exemplo) é denominada pro indiviso.

Analisa-se a divisibilidade com base em dois atributos de natureza:

a) física; e 

b) jurídica. A caracterização da divisibilidade sob o aspecto físico prende-se à natureza da possibilidade de fracionamento do bem. 

Quando pode ser dividido fisicamente, diz-se que o bem é divisível; ao contrário, fala-se em bem indivisível. 

Essa obviedade permite a instalação da assertiva de que a primeira referência que se busca para a definição da divisão de um bem é a da aceitação física.

Em sendo assim, a própria natureza do bem sugere ou aceita a divisão, seja um bem móvel ou imóvel. 

Sublinhe-se que o conhecimento científico atrofiado sedimentou, no primeiro momento, a dimensão da divisibilidade física das coisas, a qual se intimidava, com 
repercussão, inclusive, no campo jurídico. 

A divisibilidade, sobre se revelar um entendimento físico ou natural, incorpora o ideológico, para permitir que os bens incorpóreos também estejam inseridos na regra do 
fracionamento, desde que, seja física ou jurídica a natureza da divisão, não sobrevenha: 

a) a substância; 

b) a diminuição considerável de valor; 

c) o uso a que se destinam.

Recusa a lei que um bem seja dividido, se houver alteração ou perda da sua substância, que significa a qualidade que lhe define e que lhe faz próprio, enquanto se conserva 
a utilidade a que se destina.

Pouco importa a extensão da alteração, sendo suficiente, porém, que atinge a substância do bem, que, aí, já não se presta a alvejar a satisfação de um interesse ou 
necessidade, porquanto se lhe esvaiu a qualidade.

Rejeita a lei que um bem seja dividido, se lhe sobrevier diminuição considerável de valor, que implica a desvalorização de ordem econômica, financeira, histórica, científica, 
cultural, etc que se lhe agrega por força de sua própria natureza. 

Entenda-se como diminuição considerável de valor de que fala a regra o fenômeno que deprecia o bem a ponto de o tornar minguado, capaz de provocar substancial prejuízo, 
de ordem social ou econômico-financeira, ao titular em cujo patrimônio se encontra, com empobrecimento manifesto.

O valor, por conseguinte, não se afere apenas pela expressão monetária, posto que qualidades outras podem influenciar mais na composição dos elementos que definem a 
relevância do bem, com conteúdo que não se limite ao econômico-social.

Nega a lei, por fim, que um bem seja dividido, se lhe ocorrer prejuízo do uso a que se destina, que representa a desfiguração formal ou material que fragiliza ou impede seja 
ele utilizado na plenitude para alcançar o resultado a que se presta, como meio ou instrumento. 

Destaque-se que a regra não exige que o prejuízo do uso seja parcial ou total, razão por que se impõe a análise em cada caso, segundo o bem, a natureza e a sua 
finalidade.

Mas, como regra geral, sustente-se que, se houver prejuízo do uso, inviabiliza-se a divisão do bem, salvo se restar demonstrado que, ainda prejudicado, ele pode cumprir 
uma obrigação, promover uma necessidade ou suprir um interesse, malgrado o faça parcialmente. 

Sublinhe-se que bens divisíveis, corpóreos ou incorpóreos - aqui se fala apenas em divisão jurídica, não física -, são aqueles que de possível fracionamento, que comportam 
segmentação, que aceitam divisão, que se compatibilizam com fracionamento.

No entanto, não é fato que todo bem é divisível, embora enquanto coisa possa se submeter à divisão, haja vista que o comando legal assimila a regra segundo a qual os 
bens naturalmente divisíveis podem se tornar indivisíveis:

a) por determinação legal; ou 

b) por vontade das partes - divisão chamada convencional. Comporta-se obsequioso o Código Civil à regra de que uma lei possa determinar que um bem, naturalmente 
divisível, trespasse sua realidade física e, pois, se transforme num bem indivisível, se o interesse público assim justificar. 

Mais: à vontade das partes - aqui se entenda pessoas físicas ou jurídicas que protagonizem relação jurídica  - tem autoridade, também, para alterar o regime natural do bem, 
objeto da nuclear do contrato, emprestando-lhe, circunstancialmente, a natureza de indivisibilidade.

Ressalve-se, contudo, que os bens corpóreos somente podem ser juridicamente divididos quando forem naturalmente - diga-se normalmente e não apenas por influência de 
fenômeno natural - divisíveis. 

BENS SINGULARES E BENS COLETIVOS

A) BENS SINGULARES – Embora reunidos, se consideram per si, independentemente dos demais, têm individualidade própria, valor próprio.  À esta singularidade deve-se,
também, emprestar o significado da titulação de um predicativo exclusivo que particulariza o bem, distinguindo-lhe extraordinariamente, como se fosse fora do comum ou
excepcional.

B) BENS COLETIVOS (ou universais) - são as que, embora constituídas de duas ou mais coisas singulares, consideram -se agrupadas num todo.

Os bens coletivos dividem-se em:

a) universalidades de fato (universitas facti); e

b) universalidades de direito (universitas juris).

Na universalidade de fato, concorre a pluralidade de bens singulares, simples ou compostos pertinentes à mesma pessoa, natural ou jurídica, os quais se prestam à 
destinação unitária ou comum.

Justifica-se a lembrança de que, na universalidade de fato - tome-se o exemplo de uma esquadrilha, biblioteca, pinacoteca, manada, esquadra, etc -, emerge a constatação 
da composição homogênea dos bens, sob o mesmo domínio. Consente o Código Civil que os bens que formam a universalidade de fato podem ser objeto de relação 
jurídicas próprias , razão por que se diz que eles, se assim desejar o titular, destacam-se do patrimônio agrupado para servir a negócios jurídicos autônomos.

Na universalidade de direito, reúne-se uma complexidade de bens corpóreos e incorpóreos, a qual se credencia a sedimentar o patrimônio, com ativo e passivo, de uma 
pessoa natural ou jurídica, categorizando-a economicamente.

Identifica-se, na universalidade de direito, um conjunto que forma uma unidade jurídica, por agregação de bens subordinados a idêntico tratamento jurídico, enquanto se 
apresentarem, porém, na projeção patrimonial da mesma pessoa.

Referências bibliográficas:

Nome do livro: Curso de Direito Civil. Vol 1 Parte Geral - ISBN. 8530927923

Nome do autor: NADER, Paulo.

Editora: Forense

Ano: 2009

Edição: 6a

Nome do capítulo: Bens e patrimônio

N. de páginas do capítulo: 13

Aplicação Prática Teórica

CASO CONCRETO 1

Noção de patrimônio. Distinção entre bens e coisas.
Jairo Silva Santos, jovem tímido de 19 anos é convidado pelos colegas de escola para participar de um luau na praia do Peró, em Cabo Frio/RJ. A noite estava estrelada, a 
música envolvente e aquela gente toda dançando freneticamente deixavam o jovem ainda mais deslocado. Até que conhece Maria Priscila, que o leva para o outro lado da 
praia e com quem acaba tendo sua primeira