CCJ0006-WL-PA-11-Direito Civil I-Novo-34077
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apropriação. Conclui-se que a noção de coisa conecta-se, a priori, à de substancia.  
Existem coisas que não são apropriáveis embora sejam úteis, sendo, portanto, denominadas res communes , dentre as quais podemos destacar o ar, a luz, as estrelas, o 
mar. Assim, as coisas comuns são de todo mundo ao mesmo tempo em que não são de ninguém. Há também as coisas que podem ser apropriadas, porém não pertencem 
a ninguém, como é o caso dos animais de caça, dos peixes e das coisas abandonadas (res derelictae). 
Tudo o que tem valor e, por esse motivo, adentra no universo jurídico como objeto de direito, é um bem. Evidencia -se, portanto que a utilidade e a possibilidade de 
apropriação são o que dão valor às coisas, transformando-as em bens. 
 Bem em o sentido de valor, utilidade ou interesse de natureza material, econômico ou moral, ou, em outras palavras, é tudo aquilo que é protegido pelo Direito, tendo ou 
não conteúdo ou valoração econômica. 
Na terminologia jurídica, bens corresponde à res dos romanos, porém, nem sempre bens e coisa podem ser tidos em sentido equivalente,  porquanto há bens que não se 
entendem como coisas, e há coisas que não se entendem como bens. 
Na compreensão jurídica, somente como bens podem ser compreendidas as coisas que tenham dono, isto é, as coisas apropriadas. Escapam, pois, ao sentido de bens, as 
coisas se dono (res nulius). 
Desse modo, toda coisa, todo direito, toda obrigação, enfim, qualquer elemento material ou imaterial, representando uma utilidade ou uma riqueza, integrado no patrimônio 
de alguém e passível de apreciação monetária, pode ser designado como bens. 
Difere-se também de patrimônio, que é o conjunto de bens de que alguém é titular, abrangendo todas as relações jurídicas passíveis de avaliação pecuniária e imputável a 
mesma pessoa. Fazem parte do patrimônio tanto os direitos como os deveres, tanto ativo, como o passivo. Excluem-se: os direitos da personalidade, direito a saúde, a 
liberdade, ao nome e os direitos de família puros, sem apreciação patrimonial (pátrio poder), incluindo-se   os que tenham expressão pecuniária, como o direito aos 
alimentos. 
1 \u2013 BENS CORPÓREOS E INCORPÓREOS. 
É inquestionável a possibilidade de as coisas físicas serem objeto de relações jurídicas. Assim, na propriedade de uma coisa qualquer (um carro, um relógio), o objeto será 
a própria coisa. Os incorpóreos são os que não têm existência tangível e são relativos aos direitos que as pessoas físicas ou jurídicas têm sobre as coisas, sobre os 
produtos de seu intelecto ou com outra pessoa, apresentando valor econômico, tais como os direitos reais, obrigacionais e autorais. 
.2 - CERTAS COISAS INCORPÓREAS COMO OBJETO DE RELAÇÕES JURÍDICAS 
São aqueles que não tem existência tangível e são relativos aos direitos que as pessoas físicas ou jurídicas têm sobre as coisas, sobre os produtos de seu intelecto ou 
contra outra pessoa, apresentando valor econômico, tais como: direitos reais, obrigacionais, autorais. Referimo -nos também aos chamados bens de personalidade: 
  
art 5º- Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no 
País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: 
............. 
VI \u2013 é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da 
lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias: 
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato\u37e 
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença\u37e 
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou 
moral decorrente de sua violação\u37e 
XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer\u37e 
  
e aos bens imateriais (Lei do Direito Autoral). 
3 - PESSOAS COMO OBJETO DE RELAÇÕES JURÍDICAS 
Só há lugar em casos muito restritos.  
4 \u2013 CLASSIFICAÇÃO DOS BENS. 
O Código Civil armou a estrutura normativa do instituto dos bens, com a arrumação que comporta o seguinte esquema de classificação, observando-se três grupos:  
1) os bens considerados em si mesmos (móveis e imóveis\u37e fungíveis e infungíveis\u37e consumíveis e inconsumíveis\u37e divisíveis e indivisíveis\u37e singulares e coletivos)\u37e  
2) os bens reciprocamente considerados (principais e acessórios)\u37e e  
3) os bens conforme a natureza das pessoas de seus titulares (públicos e privados, disponíveis ou indisponíveis).  
2. OS BENS CONSIDERADOS EM SI MESMO 
\u2013 BENS IMÓVEIS 
O Código Civil encarregou-se de definir os bens imóveis, com base em três critérios: 
a) natural; 
b) artificial; e 
c) ficcional ou legal. 
Estabelece o Código Civil que são bens imóveis o solo e tudo quanto lhe incorporar natural ou artificialmente, numa combinação de dois critérios: o natural e o artificial. 
Sob o critério legal ou ficcional , o Código Civil considerou, ainda, bens imóveis:  
a) os direitos reais sobre imóveis e as ações que o asseguram\u37e e b) o direito à sucessão aberta.  
Ressalta o legislador que não perdem o caráter de bens imóveis:  
a) as edificações que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade, forem removidas para outro local\u37e e  
b) os materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele se reempregarem. Permite -se a inferência de que não é pela propriedade ou característica de 
transferibilidade ou removibilidade que se define um bem imóvel, consoante se conclui da leitura das coisas elencadas pelo legislador. 
Também, não será sua natureza corpórea, porque é possível que o direito à sucessão aberta, considerado para os efeitos legais, um bem imóvel, não se apresente com os 
predicativos próprios das coisas que têm corpo.  
Certamente, estimula o erro a afirmação de que o legislador descreveu taxativamente os bens imóveis, como se todos estivessem relacionados à exaustão nos dispositivos 
do Código Civil, haja vista que a legislação complementar poderá descrever outros.De acordo com o artigo 79 do CC, são bens imóveis o solo e tudo quanto se lhe incorporar 
natural ou artificialmente (árvore, plantação, casa etc). Não perdendo as características de imóvel as edificações que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade, 
forem removidas para outro local e os materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele se reempregarem. 
São considerados imóveis por força de lei os direitos reais sobre imóveis e as ações que os asseguram e o direito à sucessão aberta (aquela que se realiza por causa 
mortis). 
  
RES NULLIUS \u2013 coisa de ninguém    
RES DERELICTAE \u2013 coisa abandonada \u2013 
RES COMMUNES OMNIUM \u2013 coisa comum aos homens 
 Desta distinção resultam os importantes efeitos jurídicos abaixo, entre outros: 
1- a propriedade dos bens móveis se transfere com a tradição (1267 CC), enquanto que a transferência da propriedade dos imóveis se faz por escritura pública (1245  CC); 
2- os bens móveis podem ser alienados livremente, enquanto que os imóveis, ressalvado o regime de separação absoluta de bens, nenhum dos cônjuges pode, sem 
autorização do outro, alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis (1647 CC). 
\u2013 BENS MÓVEIS. 
São as coisas móveis caracterizadas como aquelas que têm movimento próprio (semolventes), como animais\u37e ou as removíveis por força alheia, tais como objetos, 
mercadorias, utensílios, moeda, títulos da dívida pública etc. (art 82 CC), sem alteração da substância ou da destinação econômico -social, bem como as que são móveis 
por força de lei, como a energia elétrica, os direitos pessoais de caráter patrimonial e respectivas ações etc (art 83 do CC). 
Assim, de acordo com o Código Civil, bens móveis são os "suscetíveis de movimento próprio, ou de remoção por força alheia, sem alteração da substância