fisioterapia_em_evidencia_3
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de
Curitiba, obedecendo aos
critérios de inclusão e
exclusão, conforme propostos
neste estudo.

Critérios de inclusão e
exclusão
Os critérios de inclusão para
o presente estudo deram-

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se pela voluntariedade dos
atletas. Estes deveriam ser
do sexo masculino, possuir
idade entre 14 e 17 anos, jogar
basquetebol há pelo menos
um ano e participar dos
treinos e jogos do time Tittãs
Basketball.
Foram excluídos deste estudo
atletas que sofreram lesões
por entorse de tornozelo
há menos de dois meses do
início das práticas ou que
apresentaram outra patologia
osteomioarticular que os
impedissem de praticar,
treinar e jogar o basquetebol.

Instrumentos utilizados na
pesquisa
Para aplicação da bandagem,
foram utilizados rolos de
esparadrapo impermeável
rígido da marca Cremer® (5
cm x 4,5m) e fita micropore
da marca Nexcare® (50 mm x
4,5 m).

Procedimentos
Este estudo foi aprovado pelo
Comitê de Ética e Pesquisa
(CEP) da Faculdade Dom
Bosco em 17/12/2009, sob o
protocolo 0066.0.301.000-09.

A pesquisa bibliográfica
foi realizada do período de
1º de julho de 2010 a 10 de
outubro de 2010. A pesquisa
de artigos foi realizada nas
plataformas CAPES e Bireme.

Após a autorização dos pais
e/ou responsáveis legais pelos
sujeitos deste estudo, por
meio da assinatura do Termo
de Consentimento Livre e
Esclarecido (TCLE), foi dado
início à pesquisa de campo.

 Ao iniciar a prática de
campo, logo no primeiro

encontro, foram realizadas
entrevistas individuais com
cada atleta, na qual foram
coletados dados pessoais,
como altura, peso, tempo de
prática de basquete e posição
em quadra.

Após o preenchimento desse
questionário, os sujeitos
foram submetidos a um
protocolo de avaliação
que contempla itens como
goniometria, seguindo os
critérios de Marques [12];
testes de instabilidade
ligamentar, que seguem os
critérios de Loudon, Bell e
Johnston [13] e Magee [14];
e questões sobre histórico
de lesões e outros, com o
intuito de validar os critérios
de inclusão e exclusão desta
pesquisa.

Foram selecionados doze
sujeitos, que formaram um
grupo em que a aplicação
da bandagem no tornozelo
foi realizada por 20 jogos ou
treinos. O mesmo grupo foi
criteriosamente observado
durante outros 20 jogos ou
treinos, sem a aplicação
da bandagem. Os dados
das práticas aplicadas e
observadas foram tabulados
em forma de planilha no
Microsoft Office Excel.

Todos os dados registrados
foram digitados no
computador em planilha
do Microsoft Office Excel, e
tabelas foram elaboradas para
a interpretação dos dados.
Para a análise estatística,
foi utilizado o teste t
independente.

Técnica para aplicação da
bandagem
A aplicação da bandagem
funcional seguiu os princípios
de Ferreira apud Sacco et
al. [16] e foi parcialmente
adaptada pelos autores do
presente estudo. A aplicação
foi feita da seguinte maneira:
o sujeito ficava sentando
em um banco à frente da
pesquisadora e apoiava sua
panturrilha sobre a coxa da
pesquisadora, sendo que o
tornozelo deveria permanecer
livre de contato e posicionado
em leve dorsiflexão e
eversão. A pesquisadora
realizava uma inspeção,
com intuito de verificar uma
possível umidade na região
do tornozelo. Havendo
umidade, fazia a secagem do
local com uma toalha. Em
seguida, retirava uma tira
de micropore para contornar
o tornozelo numa altura
aproximada de três dedos
acima dos maléolos. Após a
aplicação do micropore, que
tem por função proteger a
pele e evitar desconforto,
foram destacadas duas tiras
de esparadrapo medindo,
aproximadamente, a
distância entre o micropore
da região medial até
o micropore da região
lateral. Com o tamanho do
esparadrapo estipulado
individualmente, fixava-se
a primeira tira na região
medial, estendendo-
se do maléolo medial e
contornando o retropé.
A partir daí, a tira de
esparadrapo era tracionada
até o micropore da região
lateral.

A segunda tira partia na
mesma altura da primeira,

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porém estava posicionada na
região anteromedial e seguia
paralelamente à primeira
tira, até chegar à região
antero-lateral. Para finalizar,
foi aplicado, ao redor do
tornozelo, na mesma altura
do micropore, mais uma tira
de esparadrapo, que tinha
como função fixar as duas
primeiras.

Como ter sofrido lesão por
entorse de tornozelo há
menos de dois meses foi
um critério de exclusão
deste estudo, os atletas que
sofreram entorse durante o
estudo foram excluídos das
aplicações de esparadrapo,
permanecendo no estudo
somente para jogos ou
treinos e sendo apenas
observados. Cabe salientar
que a análise estatística foi
realizada em proporção de
jogos ou treinos para os dois
grupos.

Ao final dos encontros, foi
realizada uma avaliação
dos dados coletados, com
o intuito de verificar e
comparar em qual momento
de jogo ou treino – com
aplicação da bandagem ou
sem – houve menor número
de lesões por entorse de
tornozelo.

Resultados
Após realizar as pesquisas
de campo, os doze sujeitos
estudados sofreram um
total de 866 exposições, pois
no presente estudo foram
analisados 24 tornozelos,
sendo os dois MMII de cada
sujeito.

Os doze sujeitos estudados
foram acompanhados

durante 433 exposições, deste total, por 193 jogos os sujeitos
receberam a aplicação da bandagem e por 240 jogos os sujeitos
foram apenas observados sem a aplicação da bandagem.

Ao final do estudo foi observado um número de seis entorses
de tornozelo, sendo que cinco indivíduos sofreram apenas uma
entorse, um indivíduo sofreu duas entorses e sete indivíduos
não sofreram nenhuma entorse. Todas as lesões ocorreram em
jogos nos quais os sujeitos não estavam com bandagem, ou
seja, durante o momento no qual os indivíduos estavam apenas
sendo observados, conforme mostra a tabela 1. Sendo assim,
não ocorreu nenhuma lesão no momento em que os sujeitos
estavam com a bandagem.

Tabela 1 – Total de entorses em jogos sem a aplicação de bandagem.

Nº de entorses n %

 0 7 58,3%
 1 4 33,3%
 2 1 8,3%

 Total 12 100%
FONTE: Dados da pesquisa (2010)

A tabela 2 mostra a quantidade total de aplicações de bandagem
para os doze sujeitos, a quantidade total de observações para
os doze sujeitos e a quantidade de entorses ocorridas durante a
pesquisa.

Tabela 2 – Quantidade de exposição e entorses sofridas
pelos doze indivíduos.

Situação Exposições Entorses
Com aplicação de bandagem 193 0
Sem aplicação de bandagem 240 6

FONTE: Dados da pesquisa (2010)

Para verificação do efeito profilático ou não da bandagem com
a utilização de esparadrapo, foram comparadas as quantidades
de lesões com e sem a aplicação do esparadrapo. A partir daí
foi utilizado o Teste t Independente para as análises estatísticas.
A tabela 3 mostra que a situação “observado”, que diz respeito
aos jogos nos quais não foi realizada a aplicação da bandagem,
obteve uma média de 20 jogos por indivíduo e 0,5 entorse sofrida
por indivíduo. Pode-se observar que para a situação “aplicado”,
que diz respeito aos jogos em que a bandagem foi aplicada,
obteve-se uma média de 16,08 aplicações de bandagem por
indivíduo e uma média de 0,0 entorse por indivíduo.

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No que dizem respeito à análise estatística, os dados mostraram
que, para os sujeitos dessa pesquisa, a aplicação de esparadrapo
no tornozelo surtiu efeito positivo, pois foi notada diferença
significativa no total de entorses ocorridas por meio do Teste t
Independente, apresentando p = 0,026, sendo este menor que o
p adotado para o presente estudo (p < 0,05). Cabe novamente
salientar que na análise estatística considerou-se a proporção do
maior número de exposições sem a bandagem para equalização
dos resultados.

Tabela 3 – Médias e DP do total de jogos e entorses com e sem a aplicação
da bandagem e resultado do p-valor.

 Situação n