fisioterapia_em_evidencia_3
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Média DP
Total de jogos observado 12 20,00 0,00
 aplicado 12 16,08 6,62 
Total de entorses observado 12 0,50 0,67
 aplicado 12 0,00 0,00
Valor de significância (p) 0,026
FONTE: Dados da pesquisa (2010)
A tabela 4 mostra a relação dos sujeitos que tiveram entorse, o 
membro que sofreu entorse e o membro dominante. Pode-se 
observar também o mecanismo de lesão que provocou a entorse.
Tabela 4 \u2013 Relação ao membro dominante, membro que sofreu entorse e 
mecanismo da entorse.
ATLETA
MEMBRO 
DOMINANTE
MEMBRO COM 
ENTORSE
MECANISMO 
DE ENTORSE
A direito direito inversão
B direito direito inversão
C direito esquerdo inversão
D direito direito inversão
E esquerdo direito inversão
FONTE: Dados da pesquisa (2010)
Percebe-se, ao analisar a tabela 4, que o número maior de 
entorses ocorreu no membro dominante.
Discussão
O objetivo do presente estudo foi verificar o possível efeito 
profilático da bandagem funcional para a prevenção de entorse 
de tornozelo em indivíduos saudáveis, ou seja, sem histórico de 
lesões por entorse de tornozelo.
Existem diversos estudos, 
aseguir relacionados, que 
comparam as mais variadas 
órteses e bandagens para 
estabilização do tornozelo, 
e que geram discussões 
se as órteses e bandagens 
interferem no desempenho 
funcional do atleta.
Anjos et al. [15] analisaram 
a utilização do estabilizador 
Active AnkleSyste e sua 
influência no desempenho 
do salto vertical em atletas 
de voleibol. Os autores 
concluíram que esse tipo 
de estabilizador para a 
articulação do tornozelo não 
interfere no desempenho do 
salto vertical em atletas de 
voleibol, podendo, assim, ser 
utilizado como profilaxia para 
lesões de entorse no tornozelo. 
Pienkowski apud Sacco et al. 
[16] estudou três diferentes 
estabilizadores de tornozelo 
em atletas de basquetebol 
saudáveis, sem histórico de 
lesão há 6 meses; descobriu 
que estes implementos não 
afetam a performance dos 
jogadores no que diz respeito 
a saltos, corrida e agilidade. 
Resultados semelhantes 
foram encontrados no estudo 
de Cardoso et al. [17], que 
verificaram que a utilização 
das órteses (Stirrup, Aircast 
Sport-Stirrup, Summit, NJ) 
não tem influência sobre 
a atividade elétrica dos 
músculos tibial anterior, 
fibular longo e gastrocnêmio 
(porção medial e lateral) 
durante o salto vertical e 
deslocamento lateral em 
atletas do sexo feminino na 
prática de voleibol.
Visto que a utilização de 
implementos para o tornozelo 
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não tem influência no que 
diz respeito à diminuição 
do desempenho do atleta, 
os autores deste estudo 
analisaram o esparadrapo 
agindo como bandagem 
funcional na articulação do 
tornozelo, sendo que no 
basquetebol existe imensa 
gama de saltos durante uma 
partida.
Muitos estudos foram 
realizados para avaliar os 
implementos como agentes 
profiláticos para lesões 
no tornozelo. Surve et al. 
apud Murphy, Connolly 
e Beynnon [18] estudaram 
um grupo de 504 atletas do 
futebol americano masculino, 
para verificar o efeito de 
uma órtese de tornozelo 
semirrígida na incidência de 
entorse de tornozelo. Foram 
analisados indivíduos com 
e sem histórico de entorse 
anterior. Os resultados 
mostraram que o uso de uma 
órtese semirrígida diminuiu 
significativamente a incidência 
de entorses em jogadores com 
histórico anterior de entorse 
de tornozelo, corroborando 
com os resultados encontrados 
por Silter et al. apud Cardoso 
[17], que verificaram, em um 
grupo de 1.601 atletas de 
basquetebol, que a utilização 
da órtese provocou redução 
na quantidade de lesões em 
atletas com histórico prévio 
de entorse de tornozelo, sendo 
esses atletas observados por 
duas temporadas, somando 
um total de 13.430 exposições.
Obsevou-se que os resultados 
dos estudos supracitados 
mostraram-se divergentes 
do presente estudo, visto 
que neste foram analisados 
indivíduos saudáveis, sem 
histórico de lesão há pelo 
menos dois meses antes 
do início da pesquisa de 
campo. Por outro lado, 
os resultados do presente 
estudo aproximaram-se dos 
encontrados por Ubell et al. 
[19], que estudaram quatorze 
indivíduos saudáveis, sem 
histórico de lesão no tornozelo 
nos últimos seis meses. Esses 
autores objetivaram comparar 
três métodos de estabilização 
do tornozelo para verificar 
o quanto essas medidas 
poderiam proteger esta 
articulação em um movimento 
de inversão forçada durante 
a aterrisagem de um salto. 
Foram analisadas as órteses 
Aircast, Bledsoe, e Swede-O. 
Os autores concluíram que 
os três métodos reduziram 
a inversão forçada durante 
a aterrisagem de um salto, 
sendo que as órteses Bledsoe 
e Aircast mostraram-se 
melhores no que diz respeito 
à prevenção de inversão 
forçada, comparadas à órtese 
Swede-O.
Com relação aos mais diversos 
tipos de implementos, estudos 
comparam qual é o método 
mais eficaz para produzir o 
efeito profilático, sendo que 
nesta pesquisa foi analisado 
apenas um método, ou seja, 
a utilização do esparadrapo 
como forma de implemento 
para estabilização. Os 
resultados deste estudo 
mostraram que o esparadrapo 
teve resultado na profilaxia 
para os indivíduos estudados, 
o que não concorda com 
os resultados encontrados 
por Sharpe et al. [20], que 
compararam a melhor 
intervenção terapêutica 
na prevenção de entorses 
recidivadas. Os autores 
estudaram 56 atletas com 
histórico prévio de entorse 
de tornozelo, que foram 
divididos em quatro grupos 
de intervenções: grupo 1 com 
utilização de órtese (n = 19); 
grupo 2 com utilização de 
bandagem (n = 12); grupo 3 
com intervenção combinada 
de órtese e bandagem (n = 
8); grupo 4 sem intervenção 
(n = 17). Os atletas foram 
acompanhados por 1.717 
exposições práticas e 
650 exposições em jogos 
competitivos. Houve como 
resultado uma frequência de 
lesões de 0% para o grupo 
órtese (n = 0), 25% para o 
grupo bandagem (n = 3), 25% 
para o grupo de intervenção 
combinada (n = 2) e 35% para 
o grupo sem tratamento (n 
= 6). Portanto, os autores 
concluíram que a órtese 
como profilaxia foi efetiva 
na redução da incidência 
de entorse de tornozelo em 
atletas do futebol feminino 
com história prévia de 
entorse de tornozelo, quando 
comparada aos outros 
métodos.
Já Timothy et al. [21] 
verificaram, em seu estudo, 
que o grupo que utilizou 
bandagem teve menos lesões 
quando comparado aos 
indivíduos que utilizaram 
órtese, embora estes 
resultados não tenham sido 
significamente estatísticos.
De acordo com alguns 
autores [16, 22], a bandagem 
funcional perde seu efeito 
ao longo de uma atividade. 
No presente estudo, embora 
o esparadrapo tenha se 
mostrado como agente 
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profilático para a entorse 
de tornozelo, foi observada 
a perda de aderência do 
material utilizado no decorrer 
do tempo de jogo. Esse fator, 
porém, não foi quantificado 
em tempo, pois a característica 
de cada atleta no que diz 
respeito ao suor, posição em 
quadra e tempo de corrida 
pode intervir para a aderência 
ou não do material utilizado. 
Abian-Vicén et al. apud 
Meurer et al. [22] verificaram 
que a bandagem do tipo 
elástica apresentou menor 
perda da restrição após 30 
minutos de exercícios, quando 
comparada à bandagem 
inelástica.
Quanto ao mecanismo de 
entorse, os resultados desta 
pesquisa mostram que as seis 
entorses ocorridas durante 
este estudo aconteceram 
por mecanismo de inversão. 
A entorse por inversão é 
citada na literatura como o 
mecanismo mais frequente 
dentre as entorses de 
tornozelo [1]. Esse fato é 
confirmado pelos resultados 
encontrados por Fortes e 
Carazzato [23], em que, das 
93 entorses de tornozelo 
estudados, 69 (74,2%) 
ocorreram por mecanismo 
de inversão, seguidas de 19 
(20,4%) por mecanismo de 
eversão.
Com relação à influência do 
esparadrapo como medida 
profilática para lesões de 
entorse de tornozelo, os 
autores desta pesquisa 
sugerem que está ligada à 
restrição biomecânica que 
este implemento produz à 
articulação, devido ao fato de 
a técnica