fisioterapia_em_evidencia_3
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outro, associando a
marcha com mobilidade
de cintura escapular,
com auxílio de bastões
e balanceio de membros
superiores. Conforme a
evolução dos sujeitos,
algumas modificações
foram realizadas, com
o intuito de aumentar a
dificuldade dos exercícios e
treinar dupla-tarefa, sendo
estas executadas ao subir e
descer degraus e rampas,
segurar objetos e bolas ao
andar, associar o balanceio
de membros superiores
de forma alternada com
a flexão de quadril e
joelhos durante a marcha,
bater palmas, responder
a perguntas feitas pelas
pesquisadoras e andar para
trás com supervisão.

Outros exercícios foram
executados com o intuito de
treinar dupla-tarefa, de forma
que os sujeitos eram dispostos
em círculo, sendo solicitado a
eles jogar a bola e responder
a perguntas feitas pelas
pesquisadoras ao mesmo
tempo.

Ao fim dos três meses de

8 Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – abril 2011

Artigo - 1º

aplicação do estudo, os
sujeitos foram questionados
sobre a melhora vista por eles
em sua qualidade de vida, e
os testes de equilíbrio de Berg,
TUG e TPF foram reaplicados
para a comparação da pré
e pós-aplicação da técnica
de revitalização geriátrica.
Dessa forma observaram-se
os possíveis efeitos que este
tratamento pode proporcionar
aos portadores da doença de
Parkinson.

RESULTADOS
A análise estatística foi
realizada utilizando o
software R version 2.11.1
(2010-5-31). Os dados
quantitativos foram descritos
através de médias, medianas
e desvio-padrão e foram
aplicados, aos dados que serão
expostos a seguir, o Teste
Exato de Fischer e o Teste
T-Student. As informações
estão classificadas conforme
os quesitos da avaliação.

Os oito sujeitos eram do sexo
feminino, com idade entre 62 e
70 anos, uma média de 69, 75
anos. O tempo de diagnóstico
da doença de Parkinson
variou entre 2 e 12, anos com
média de diagnóstico entre
7 e 13 anos. Segundo o teste
de Hoehn Yahr, o estágio da
doença esteve classificado
entre 0 e 2,5, sendo que
50% dos sujeitos estavam
classificados no estágio 0, com
ausência dos sinais da doença;
20% no estágio 1; 12,5%
no estágio 1,5; 12, 5 % no
estágio 2,5. Tais dados estão
apresentados na tabela 1.

TABELA 1 – IDADE, TEMPO DE DIAGNÓSTICO E ESTÁGIO DA
DOENÇA DE PARKINSON

 Tempo Teste
 Idade de diagnóstico de Hoen Yahr

Média 69,75 7,13 1
Mediana 69,5 5,5 1
Desvio-padrão 5,73 3,94 0,80
____________________________________________________________________
FONTE: elaborado pelas autoras.

TABELA 2 – TESTE DE PERFORMANCE FÍSICA

 Antes Depois
Média 17,5 21,625
Mediana 17,5 22
Desvio-padrão 3,93 4,00
____________________________________________________________________
FONTE: elaborado pelas autoras.

Nos dados apresentados na tabela 2 e exemplificados no gráfico
1, em que foi aplicado o teste paramétrico T de Student para
avaliar se existe diferença entre as médias “antes” e “depois”
da aplicação do estudo, obtendo-se um p-valor = 0,00246,
conclui-se que na variável Teste de Performance Física, quando
analisada a soma das capacidades, observa-se uma diferença
estatisticamente significativa, ao nível de 5% de significância.
Sendo este aumento, em média, de 4,125 pontos, podendo
variar, considerando um intervalo de confiança de 95%, entre
2,008 e 6,241 pontos.

GRÁFICO 1 – TESTE DE PERFORMANCE FÍSICA TOTAL

FONTE: elaborado pelas autoras.

Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – abril 2011 9

Artigo - 1º

TABELA 3- ESCALA DE BERG
 Antes Depois
Média 44,75 47,5
Mediana 46 49
Desvio-padrão 7,70 6,59
____________________________________________________________________
FONTE: elaborado pelas autoras.

GRÁFICO 2 - ESCALA DE BERG

FONTE: elaborado pelas autoras.

TABELA 4– TESTE CRONOMETRADO DE LEVANTAR E IR

 Antes Depois
Média 13,625 segundos 11,6125 segundos
Mediana 11,5 segundos 9,285 segundos
Desvio-padrão 10,06 segundos 7,81 segundos
____________________________________________________________________
FONTE: elaborado pelas autoras.

Para a variável Escala de Berg, cujos dados estão exemplificados
na tabela 3 e no gráfico 2, obteve-se p-valor = 0,1865; no “Teste
Cronometrado de Levantar e Ir, apresentado na tabela 4 e
demonstrados no gráfico 3, obteve-se um p-valor = 0,09168.
Utilizando também o teste T de Student, concluiu-se que não há
evidências estatísticas de que os valores desses testes tenham se
alterado após a aplicação do tratamento, considerando um nível
de 5% de significância.

10 Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – abril 2011

Artigo - 1º

GRÁFICO 3 – TESTE CRONOMETRADO DE LEVANTAR E IR

FONTE: elaborado pelas autoras.

Discussão
No presente estudo, utilizaram-se como instrumentos de
avaliação quantitativa os testes de TPF, Berg e TUG.

Foi avaliada cada uma das variáveis do TPF em separado com a
intenção de identificar a perda funcional para AVD’s e AIVD’s
na doença de Parkinson. As AVD’s podem ser divididas em
seis categorias básicas, conforme o Índice de Kats 7. Segundo
a TPF, os itens comer, vestir-se, girar 360º, caminhar 15,2 m,
subir um degrau, subir e descer números de degraus simulam
as AVD’s básicas; itens como escrever uma sentença, erguer um
livro e colocá-lo em uma estante, pegar uma moeda no chão são
classificadas como AIVD’s.

A avaliação das AVD’s e AIVD’s em portadores de Parkinson
no presente estudo através do TPF baseiam-se em autores
que apresentam a doença de Parkinson (DP) como distúrbio
neurodegenerativo progressivo, que acomete os núcleos da base
(NB) do sistema nervoso central, principalmente com destruição
dos neurônios da substância negra, responsáveis pela produção
do neurotransmissor conhecido como dopamina, abrangendo
um grupo de manifestações clínicas caracterizadas por tremor e
perturbação dos movimentos involuntários da postura corporal,
do equilíbrio, rigidez que tem uma prevalência maior em
idosos em uma faixa etária entre 55 e 65 anos3,8,9. Esses sinais

e sintomas podem acarretar
limitações das AVD’s já na
fase inicial da doença, e fazem
dos aspectos físicos uns dos
grandes responsáveis pela
piora da qualidade de vida
(QV) desses indivíduos10.
Os portadores da doença
de Parkinson apresentam
dificuldades em lidar com
tarefas como caminhar,
levantar da cadeira, mover-se
na cama, comer e colocar os
sapatos. Essas limitações, no
estado funcional e nas AVD’s,
frequentemente explicam a
perda de independência e
o declínio na qualidade de
vida11.
Quando analisada a soma
das capacidades do TPF
através do teste T de Student,
observa-se uma diferença
estatisticamente significativa
no Teste de Perfomance
Física. Ou seja, os sujeitos
aumentaram sutilmente a
capacidade de realizar várias
atividades, individualmente
não muitosignificativas,
mas em conjunto, sim,
melhorando a perfomance
física e, consequentemente, as
AVD’s e AIVD’s dos sujeitos
estudados. Esses dados
podem ser comparados aos
achados de Lana et al. (2007),
em estudo realizado com 24
indivíduos portadores da
doença de Parkinson, com
idade superior a 65 anos,
entre os estágios 2 e 3 no teste
de Hoehn e Yahr, divididos
em dois grupos, em que o
grupo experimental associava
atendimentos de fisioterapia
com cinesioterapia ao uso
do fármaco Levodopa, e
o grupo-controle somente
o uso do fármaco. Obteve
diferença significativa o grupo

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Artigo - 1º

que realizou cinesioterapia
associado ao Levodopa, com
aumento da qualidade de
vida e melhora das AVD’s
como caminhar, levantar da
cadeira, mover-se na cama,
comer e colocar os sapatos,
estas avaliadas pela escala
SPES e pelo questionário de
qualidade de vida PDQL11.

Para a variável TUG, foi
utilizado o teste de T de
Student, que não demonstrou
diferença significativa na
pré e pós-aplicação do
estudo, entretanto houve
tendência à melhora na
habilidade e mobilidade e
diminuição no tempo de
execução do teste. No início
da aplicação do estudo,
os sujeitos executaram o
teste em 13,6 segundos,
caindo este tempo para 11,6
segundos