fisioterapia_em_evidencia_3
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após a aplicação, e 
consequentemente puderam 
desempenhar a AVD de 
caminhar melhor, pois a 
marcha no Parkinson é 
caracterizada por pobreza de 
movimentos e diminuição 
de velocidade, sendo que a 
presença da festinação ocorre 
na tentativa de perseguir o 
centro da gravidade a fim de 
evitar quedas, caracterizada 
por aumento progressivo da 
velocidade e encurtamento 
do passo12,13. Caetano et al. 
(2007) estudaram dezesseis 
idosos, oito com DP e oito 
neurologicamente sadios. 
Analisaram o equilíbrio 
dinâmico, andando 
livremente e em condições de 
restrição na largura e altura 
da superfície de suporte. 
Os dados cinemáticos 
foram registrados com 
marcadores passivos afixados 
no ombro, quadril, joelho, 
tornozelo, calcanhar e nos 
metatarsos, e pedu-se para 
os sujeitos andarem em 
uma superfície retilínea de 
5 metros. Concluíram que, 
comparado com o andar dos 
idosos neurológicos sadios, 
o andar dos idosos com DP 
foi mais lento, com passadas 
curtas, maior tempo gasto 
com ambos os pés em contato 
com o solo e menor tempo 
gasto na fase de balanço da 
perna14. Goulart et al. (2004) 
analisaram a velocidade da 
marcha e velocidade de subir 
e descer escadas, comparando 
vinte sujeitos com DP e 
vinte saudáveis. Embora 
sem diferença estatística, 
pode-se observar que os 
pacientes com Parkinson 
levaram mais tempo para 
deambular e subir e descer 
degraus, demonstrando 
a menor independência 
vista nesta população, 
mesmo em estágios iniciais 
da doença, resultantes da 
depleção da dopamina, que 
se apresenta na bradicinesia 
e rigidez. Entretanto, 
sugerem que essas alterações 
podem ser resultantes não 
somente das características 
neurológicas da doença, 
mas também das limitações 
musculoesqueléticas que 
a acompanham15. Tais 
afirmações demonstram a 
importância da atuação da 
fisioterapia na DP focando 
a marcha dos idosos 
acometidos. 
Dias et al. (2005), baseados 
nesses achados, avaliaram 
a eficácia do treino 
de marcha com pistas 
visuais em pacientes 
com DP. Selecionaram 
dezesseis sujeitos com DP 
randomizados em dois 
grupos. O primeiro grupo 
experimental realizou 
treino de marcha com 
pistas visuais associadas à 
fisioterapia convencional, e 
o segundo realizou somente 
fisioterapia convencional. 
Chegaram à conclusão 
que o grupo que realizou 
fisioterapia convencional e 
treino de marcha com pistas 
visuais apresentou redução 
significativa no número de 
passos, em um percurso de 
10 m, quando comparado 
ao grupo-controle, que 
realizou apenas fisioterapia 
convencional, aumentando 
o comprimento do passo e a 
velocidade, evidenciando uma 
melhora da cadência no grupo 
de estudo. Os autores citam 
que a utilização das pistas 
visuais tem a finalidade de 
desviar a função dos núcleos 
da base, a fim de regular a 
função motora deficitária13. 
As pistas visuais funcionam 
através de alvos moventes 
que ativam a via cerebelar 
visual-motora16. Ensaios de 
laboratório mostraram que 
estímulos externos, como 
linhas brancas no chão, 
batidas rítmicas e música, 
permitem que pessoas 
com Parkinson caminhem 
com passos largos. Essas 
intervenções ajudam as 
pessoas a andar mais rápido, 
compensando a hipocinesia 
característica da doença17.
O teste de Equilíbrio de Berg 
foi analisado utilizando o 
teste T de student pré e pós-
tratamento. Estatisticamente, 
não houve diferença 
significativa entre as duas 
distribuições, todavia, foi 
observada uma tendência 
12 Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA \u2013 abril 2011
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em melhora do equilíbrio, 
uma vez que na avaliação 
pré-aplicação os sujeitos 
alcançaram 44,75 pontos, e 
no pós subiram este número 
para 47,5 pontos. Observando 
a tendência à elevação na 
pontuação, mesmo que sem 
significância estatística, 
ela pode ser justificada 
pelo incremento de FM em 
membros inferiores advindos 
da reabilitação executada, 
que embora não tenha sido 
idealizada com o intuito 
de promover aumento da 
força muscular, pode mantê-
la ou incrementá-la3. Essa 
tendência à melhora ressalta 
a importância do treino de 
equilíbrio, pois ao avaliar 
o índice de quedas e a 
correlação com o estágio da 
doença em trinta pacientes, 
estudiosos detectaram 
que 60% dos pacientes 
classificados no estágio 
leve de progressão da DP 
apresentaram risco moderado 
de quedas, e 20% risco alto. 
Dos que se encontravam no 
estágio moderado e todos os 
classificados no estágio grave 
da doença, 75% apresentaram 
risco alto de quedas, concluindo 
que o risco de queda na DP 
aparece desde o estágio leve 
e tende aumentar conforme a 
evolução da doença18.
Para tanto, é preciso entender 
que a condição de equilíbrio é 
determinada pela integração 
de vários sistemas, em que 
a visão fornece as devidas 
relações espaciais; o aparelho 
vestibular responde a 
estímulos que envolvem 
o corpo, propiciando 
coordenação da resposta 
motora; a propriocepção pelos 
sensores proprioceptivos 
dos músculos, tendões, 
articulações, vísceras e pele 
traduzem esses estímulos 
por reflexos relacionados a 
calor, frio ou dor. Qualquer 
alteração apresentada pelo 
idoso em um destes sistemas 
interfere na interação da 
manutenção do equilíbrio 
corporal. Os distúrbios 
motores ocasionados pela 
doença, como rotação do 
tronco reduzida, postura de 
tronco flexionada, amplitude 
de movimento reduzido nos 
quadris, joelhos e tornozelos, 
ausência ou redução 
do balanço dos braços, 
comprimento reduzido do 
passo e festinação, assim como 
alterações na variabilidade, 
regularidade e estabilidade 
temporal do andar \u2013 como o 
maior gasto em duplo suporte 
\u2013interfere em sua agilidade 
e equilíbrio dinâmico, o 
que pode comprometer o 
desempenho das AVD\u2019s e 
aumentar o índice de quedas14. 
Adkin, Bloem e Allum 
(2005) mediram as oscilações 
anteroposterior e médio-
lateral do tronco durante 
a realização de tarefas de 
postura quieta e a locomoção. 
Os resultados para as tarefas 
de postura quieta sugerem 
que, mesmo sob efeito da 
medicação, as estratégias de 
restabelecimento do equilíbrio 
são alteradas nos pacientes, 
entretanto, para as tarefas 
de locomoção, nenhuma 
diferença significativa para 
as oscilações do tronco 
foi encontrada, tendo 
sido revelado apenas que 
portadores de DP levam 
mais tempo para realizar 
cada tarefa de locomoção, 
quando comparados com 
o grupo-controle de idosos 
sadios. Concluiu-se que o 
maior tempo gasto pelos 
pacientes para locomover-se 
funciona como uma estratégia 
compensatória para reduzir 
a oscilação do tronco19. A 
dificuldade do indivíduo com 
DP em executar movimentos 
que influenciam no equilíbrio, 
como balanceio de MMSS, 
rotação de tronco e flexão de 
quadril para deambular, são 
causados pela degeneração 
dos NB, que têm a função 
de controlar o movimento, 
explicando que é possível, 
para os pacientes com 
Parkinson, gerar padrões de 
movimentos normais quando 
se focalizam no desempenho. 
Isso porque pode ocorrer 
a ativação da região do 
córtex pré-motor, intacto, 
sem recorrer ao circuito 
deficitário dos núcleos da 
base, auxiliando na produção 
dos movimentos. Teixeira e 
Alouche (2007) confirmaram 
isso em seu estudo com 
dez indivíduos saudáveis 
e dez com DP, em que foi 
solicitado que vestissem uma 
camisa com botões o mais 
rapidamente possível de 
forma isolada (tarefa simples) 
enquanto verbalizavam 
nomes próprios femininos em 
ordem aleatória (dupla tarefa). 
Concluíram que os pacientes 
com DP levaram mais tempo 
para completar ambas as 
tarefas, quando comparados 
aos indivíduos saudáveis. 
Ambos os grupos cometeram 
mais erros na dupla 
tarefa20. Porém, afirmam a 
possibilidade de melhora do 
desempenho com a prática, 
sendo que a capacidade de 
aprender novas sequências 
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA \u2013 abril 2011 13
Artigo - 1º
de movimentos ao realizarem 
repetições é possível nos 
estágios iniciais e moderados 
da doença21.
Estas afirmações enfatizam 
a atuação da fisioterapia na 
doença de Parkinson, que 
deve interferir no curso 
natural da doença, sendo 
que melhora as AVD\u2019s