Senso Religioso - Pe Paulo - design 1

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Disciplina:O Humano e O Fenômeno Religioso75 materiais416 seguidores
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QUESTÕES metodológicas

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INTRODUÇÃO
	- Qual é a coisa mais importante da sua vida?
	É o seu próprio EU.

	- Qual é o problema mais importante da sua vida, problema este que não pode ficar sem solução?
	É o problema do conhecimento do próprio eu.

	- Quando é que a pessoa conhece a si mesma?
	A pessoa conhece a sim mesma quando sabe qual é a razão da sua existência, quando tem clareza do sentido da sua vida.

	Qual método devemos seguir para poder conhecer a nós mesmos?
	Devemos nos observar em ação na vida cotidiana.

	Quando eu me vejo em ação na vida cotidiana o que vem à tona em mim?

INTRODUÇÃO
	- Vem à tona aquele complexo de evidências e exigências fundamentais que constituem o meu ser: exigência de verdade, de amor, de justiça, de felicidade, etc.

	- Vem à tona aquelas perguntas fundamentais: de onde venho e para onde vou? Por que vale a pena que eu exista, que a realidade exista? Por que existe a dor, a morte?

	- Mas se estas exigências e perguntas constituem o nosso ser, então, necessariamente, deve existir uma resposta; caso contrário, a nossa existência seria uma eterna contradição.

	- Mas queremos não uma resposta qualquer: queremos uma resposta que seja total, que explique e dê sentido à nossa vida na sua totalidade, ou seja, que dê sentido à vida e à morte à alegria e à tristeza, etc.

	- A resposta total não está em algo ou em alguém igual a nós: as coisas que conquistamos e possuíamos não nos bastam, queremos sempre mais.

INTRODUÇÃO
	- É o que descreve Carlos Drummond de Andrade em uma de suas poesias (“sete faces”)

		Meu Deus, porque me abandonastes se sabias que eu não era 	Deus, se sabias que eu era fraco./ Mundo,mundo, vasto mundo, se 	eu me chamasse Raimundo,seria uma rima, não seria uma 	solução./Mundo, mundo, vasto mundo, mais vasto é o meu coração.

	
	- Além disso, fazemos experiência cotidiana do quanto a vida é efêmera, do quanto somos frágeis e limitados.

	- Mas, então, onde estará a resposta para esta minha humanidade que tem desejos infinitos, que deseja sempre mais?

	- Se a estrutura do homem é pergunta, suprimiremos a pergunta se não admitirmos a existência de uma resposta. Essa resposta só pode ser o insondável mistério, que a tradição religiosa chama “Deus”.

	

INTRODUÇÃO
	- “O mundo sem Deus seria uma fábula contada por um idiota num acesso de raiva”, diz um personagem de Shakespeare, e nunca se definiu tão bem o tecido de uma sociedade atéia.

	Com efeito, se não houvesse uma razão pela qual as coisas acontecem, seria uma injustiça uma mãe dar a luz a uma criança... Por isso, o que caracteriza a vida de uma pessoa que leva a vida a sério, é exatamente a busca de si mesmo, como documenta a letra da música a seguir:

	Por tanto amor, por tanta emoção / A vida me fez assim/ Doce ou atroz, manso ou feroz / Eu caçador de mim.

	Preso a canções, entregue a paixões / Que nunca tiveram fim / Vou me encontrar longe do meu lugar/ Eu, caçador de mim.

	Nada a temer senão o correr da luta / Nada a fazer senão esquecer o medo / Abrir o peito à força de uma procura / Fugir às armadilhas da mata escura.

	Longe se vai sonhando demais / Mas onde se chega assim / Vou descobrir o que me faz sentir / Eu, caçador de mim.

introdução
	
	-“Fazer universidade? Que curso?” Traduzindo: “O que serei quando adulto?” Estas perguntas são justas e verdadeiras. Mas para que a pessoa possa se realizar, de fato, é preciso ter presente outras perguntas, que se não forem respondidas, tiram o gosto do viver: “Qual é utilidade da minha vida?” “O que estou fazendo neste mundo?”.

	- Precisamos nos colocar diante da vida com um rosto, atentos para que a cultura na qual estamos inseridos, não reduza o nosso desejo, o nosso eu.

	 - Precisamos enfrentar esta luta: “Não fiquem presos à corte das almas pequenas que repetem os gestos e não sabem entender (Claudio Chieffo, “Parsifal – Canção do amor).

PRIMEIRA PARTE: QUESTÕES METODOLÓGICAS
PRIMEIRA PREMISSA:
 REALISMO

i. realismo

	1. De que se trata

	Pouca observação e muito raciocínio conduzem ao erro. Muita observação e pouco raciocínio conduzem à verdade” (Alexis Carrel).

	2. O método é imposto pelo objeto: uma reflexão sobre a própria experiência

	Realismo: observação global, apaixonada e insistente do fato, do acontecimento real.

	Santo Agostinho dizia: ”Procuro a fim de saber algo e não a fim de pensá-lo”.

	 O homem são quer saber como é um fato, e só quando sabe como é, e somente então, pode também pensá-lo.

	

i. realismo

	
	Assim, na esteira das observações de Carrel e de Santo Agostinho, também para a experiência religiosa é importante, antes de mais nada, saber como é e de que se trata exatamente.

	Seja como for, antes de qualquer outra consideração, devemos afirmar que trata-se justamente de um dado fato; aliás, trata-se do dado de fato estatisticamente mais difundido na atividade humana.

	A experiência religiosa propõe ao homem uma interrogação sobre tudo o que ele realiza. A interrogação do senso religioso aquela presente na vida dos homens de todos o tempos: é “que sentido tem tudo?”

	Portanto, se queremos saber o que é o senso religioso, defrontamos logo com um problema de método. Como encarar o fenômeno religioso, para termos certeza de conhecê-lo bem? 	

	
	
	i. REALISMO
	É preciso dizer que, neste campo, a maior parte das pessoas confia, consciente ou inconscientemente, no que dizem os outros, em particular naqueles que se destacam na sociedade, nos meios de comunicação. 	

	Que faremos para saber o que é a experiência religiosa? Estudaremos os autores que falam dela? Podemos até fazer isso, mas privilegiar esse método é incorreto. O realismo exige que o método não seja imaginado, pensado, organizado ou criado pelo sujeito, mas imposto pelo objeto. (exemplo: uma folha de caderno em cima de uma mesa...)

	Ora, que tipo de fenômeno é a experiência religiosa? É um fenômeno que diz respeito ao ser humano.

	Então, como agir? Em se tratando, pois, de um fenômeno que se passa em mim, é sobre mim mesmo que devo refletir. Faz-se necessária uma investigação sobre mim mesmo, uma investigação existencial.
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I. REALISMO
	3. A experiência implica uma avaliação

	Depois de termos conduzido uma investigação existencial, é necessário saber emitir um juízo acerca dos resultados de tal investigação sobre nós mesmos. De fato, sem capacidade de avaliação não podemos fazer experiência das coisas.

	Observação: gostaria de precisar que a palavra “experiência” não significa exclusivamente “provar”: o homem experiente não é aquele que acumula “experiências” - fatos e sensações - a torto e a direito. A experiência coincide, certamente com “provar” alguma, mas coincide sobretudo com o juízo dado a respeito daquilo que se prova.

		 O que caracteriza a experiência é compreender uma coisa, 	descobrir-lhe o sentido. A experiência implica, portanto, 	inteligência do significado, do valor

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I. REALISMO
	Um juízo exige um critério a partir do qual seja efetuado. Desse modo, qual critério adotar para julgar o que se encontrou no decurso dessa reflexão sobre si mesmo?

	4. Critério para a avaliação

	Duas são as possibilidades: ou critério é encontrado fora de nós, ou é encontrado dentro de nós.

	 Qual das duas possibilidades é a mais razoável, ou seja, que considera todos os fatores? Só pode ser aquela que considera que o critério está dentro de nós.

	Com efeito, ainda que tivéssemos desenvolvido uma investigação existencial em primeira pessoa, mas tomássemos dos outros o critério para nos julgar, o resultado não deixaria de ser alienante.

	

	
	
	Exemplo: carta de um universitário italiano:

	“Acabo de iniciar a especialização na Universidade San 	Raffaele, depois de ter feito a graduação na Milão-	Bicocca; e tudo o que me parecia consolidado e quase óbvio vem se mostrando com uma exigência prepotente de ser julgado. O relacionamento com os colegas de curso, o grêmio estudantil, etc.; vivendo essa realidade, tendo encontrado em mim mesmo, inesperadamente, o método a que temos sido educados