Senso Religioso - Pe Paulo - design 1

Senso Religioso - Pe Paulo - design 1

Disciplina:O Humano e O Fenômeno Religioso75 materiais416 seguidores
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não é estar sozinho, mas é a ausência de um significado. Com efeito, podemos estar no meio de um milhão de pessoas e estar totalmente sozinhos (quantas vezes já fizemos esta experiência!).
	- Pelo contrário, quando alguém tem consciência do motivo adequado pelo qual está com os outros, ainda que estes fossem distraídos, ou incompreensivos, não estaria realmente só.
	
	Conseqüências das atitudes não razoáveis
	- Assim, a incomunicabilidade aumenta o senso trágico de solidão que o homem moderno e contemporâneo experimenta diante do destino sem significado.

	- Mas a incomunicabilidade, além de exasperar essa solidão pessoal, dá-lhe um relevo externo pelo qual ela se torna clima social exasperante, rosto tristemente característico da sociedade de hoje. Teilhard de Chardin afirmava agudamente: “o perigo maior da sociedade de hoje [...] é a perda do gosto de viver”. Em tal situação, o indivíduo fica sempre mais vulnerável dentro do tecido social. É o resultado mais perigoso da solidão.

		Quando gritam \ "Homem ao mar!"\ o transatlântico, grande 	como uma casa,\ pára de repente, \ e o homem, \ pescam-no 	com cordas.\ Mas quando\ o que está fora de bordo é a alma 	do homem, \ quando ele se afoga \ no horror \ e no 	desespero, \ nem mesmo a sua própria casa \ pára, mas se 	afasta.

	

	Conseqüências das atitudes não razoáveis
	1. A percepção da liberdade: para compreender o que é a liberdade, nós devemos partir da experiência que do sentir-nos livres. Experimentalmente, nós nos sentimos livres quando um nosso desejo é satisfeito, realizado, cumprido.
	Exemplos: uma bela viagem...; um rapaz pede uma garota em namoro...
	- Mas nós não queremos ser livres só durante um relacionamento, só em alguns momentos; queremos ser livres sempre; ser livre, livre, isto é, a liberdade, não um momento de liberdade.
	- Vale dizer: a liberdade se apresenta a nós como a satisfação total. Por isso a liberdade é a capacidade do fim, da totalidade, a capacidade da felicidade.
	- A liberdade é a realização total de si. “A verdade vos libertará”: desse modo, a liberdade é a experiência da verdade de si mesmo. Um Outro é a verdade de mim mesmo: por isso, a liberdade é a capacidade de Deus.
	- Existencialmente, essa liberdade não está ainda completa; ela é uma tensão para a realização total de si mesma; é algo no vir-a-ser.

Conseqüências das atitudes não razoáveis
	2. Precariedade da liberdade
	Vejamos a figura abaixo:				
							 x		

				
		

	
	
	
	Se este pontinho nasce totalmente como momento emergente, como espuma passageira desta enorme onda, desta grande torrente que é o mundo (circulo) que sentido tem falar de liberdade?

	
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...
Conseqüências das atitudes não razoáveis
	- Este mundo, esta realidade em nível humano chama-se humanidade. Mas, mais concretamente, chama-se sociedade. Mas a sociedade é certa ordem orgânica. E é pelo poder que esta ordem é mantida. Então eu, você (representado por aquele pontinho) não teríamos nenhum direito frente ao poder, se fossemos apenas resultado de uma evolução de antecedentes físicos e biológicos.
	- Mas há em nós algo que nos torna dignos de valores e direitos invioláveis: é o fato de sermos “pessoa”, realidade constituída por duas dimensões: material e espiritual (corpo e alma).

	3. Fundamento da liberdade

	- Em um só caso o homem é livre: se supomos que aquele ponto não seja totalmente constituído pela biologia de meu pai e minha mãe, mas possua algo que é relação direta com o infinito, com a origem de todas as coisas, isto é, com Deus.

Conseqüências das atitudes não razoáveis
	
	- Com efeito, afirma o CIC: “O corpo é dado pelos pais, mas a alma é infundida diretamente por Deus”.

	- Se a pessoa toma consciência desta relação com o Mistério, com o infinito, o mundo pode fazer o que quiser, mas não a vence, não a induz; ela é maior, é livre.

	- Eis o paradoxo: a liberdade é a dependência de Deus. É um paradoxo, mas é muito claro. O homem não existia, agora existe, amanhã não existirá mais: portanto, depende.

	- Ou depende do fluxo de seus antecedentes materiais, e é escravo do poder, do condicionamento da sociedade ou depende daquilo que está na origem do fluxo das coisas, além delas, isto é, de Deus.
	
	

Conseqüências das atitudes não razoáveis
	- A liberdade se identifica com a dependência de Deus em nível humano, isto é, reconhecida e vivida. Ao passo que a escravidão é negar ou censurar esta relação. A consciência desta relação chama-se religiosidade.
	- O anti-poder é o amor: e o divino é a afirmação do homem como capacidade de liberdade, isto é, como irredutível capacidade de atingir o Outro, Deus. O divino é amor, como testemunha este esplêndido poema de Tagore:

	Aqueles que me amam neste mundo procuram por todos os meios manter-me ligado a eles. O teu amor é maior do que o deles. No entanto, Tu me deixas livre.

	Pelo temor de que os esqueças não ousam deixar-me só. Passam, porém, os dias, uma após o outro, e Tu não te mostras nunca.

	Não te chamo nas minhas orações, não te conservo no meu coração e, no entanto, o teu amor por mim ainda espera o meu amor.
	
	

PERGUNTAS
	1. De onde vem a provocação que desperta no homem o senso religioso (ou as perguntas)?

	2. Quais são as características que estão presente na realidade e que despertam fascínio no homem?

	3. O que significa dizer que o Mundo dá testemunho de quem o cria?

	4. Qual é a formula do itinerário rumo ao significado ultimo de tudo?

III. PRECONCEITO, IDEOLOGIA, RACIONALIDADE E SENSO RELIGIOSO
1. Esclarecimento sobre o preconceito
	
	- Se a negação das perguntas traz conseqüências tão contrárias à natureza, porque o ser humana se entrega a semelhantes atitudes? A única resposta só pode ser: por causa do domínio do preconceito.
	- Antes de tudo, é preciso distinguir:

		a) Existe um sentido justo do preconceito: com efeito, uma proposta de qualquer natureza o homem reage, e reage em base naquilo que sabe e que é. Por isso, frente a cada encontro, formula imediatamente uma imagem, um pré-conceito perante qualquer coisa.

		b) O mau sentido do termo “preconceito” ocorre quando o homem se coloca diante da realidade proposta tendo aquela reação como critério de juízo, e não apenas como condicionamento a ser superado numa atitude de pergunta.
	
1. Esclarecimento sobre o preconceito
	- Para o que nos interessa, duas são as raízes de um preconceito paralisante:

		a) O pré-juízo materialista. É a posição documentada num texto de Pavese aos 17 anos:

		Uma vez chegada ao materialismo, não há mais o que caminhar. 	(...) Debato-me para me livrar; mas me convenço sempre mais 	que não há nada a fazer.

		b) Aquela que chamaria a “autodefesa social do preconceito”. Ela me parece bem exposta num trecho do Górgias, de Platão:

		Calicles: Não sei como, mas muitas vezes me parece que tu 	raciocines bem, Sócrates, embora aconteça aquilo que acontece 	com tantos outros, ou seja, não ficar plenamente persuadido. 	Sócrates: É apego à mentalidade comum do povo, radicado na 	tua alma, que é para ti obstáculo.
2. Sobre a ideologia
	
	- A ideologia é a construção teórico-pratica desenvolvida a partir de um preconceito.

	- Mais precisamente, é uma construção teórico-pratica baseada sobre um aspecto, ainda que verdadeiro, da realidade, mas considerado, de certa fora, unilateral e tendenciosamente absolutizado por uma filosofia ou um projeto político.

	Exemplo: diante da existência do homem “pobre”, teoriza-se sobre o problema da necessidade concreta, torna-se um homem “pobre”, teoriza-se sobre o problema da necessidade, mas o homem concreto, com sua necessidade concreta, torna-se um pretexto; o indivíduo, na sua concretude, é posto de lado depois de oferecer o pretexto para o intelectual formular o seu juízo ou para o político justificar e propagandear a sua atividade.
1. Esclarecimento sobre o preconceito
	- A postura cientifica - no sentido exato do termo – é algo que não poderá esgotar a atenção dada à experiência. Exatamente “por experiência” vivemos situações e fenômenos que