Senso Religioso - Pe Paulo - design 1

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Disciplina:O Humano e O Fenômeno Religioso75 materiais432 seguidores
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não se reduzem ao âmbito biológico e fisico-químico.
	- A própria experiência, na sua totalidade, leva à compreensão autêntica do termo da razão ou racionalidade. Com efeito, a razão é aquele acontecimento singular da natureza no qual esta se revela como exigência operativa para explicar a realidade em todos os seus fatores, de modo que o homem seja introduzido na verdade das oisas.
	- Com já vimos, racionalidade não coincide com mensurabilidade exata ou capacidade de dialética. Paul Ricoeur afirmou: “Aquilo que sou é incomensurável com aquele que sei”.
	- O homem é aquela minúscula partícula que exige um significado, uma razão, a razão. Ele se pergunta: “Por que existo?” Exatamente porque aceitamos o que somos não podemos censurar o desejo que nos incita como um aguilhão. A pessoa tem dentro de si essa pergunta, e uma vez que a resposta é maior do que a sua capacidade de apreensão ou imaginação, defini-la por causa disso como “ilusão” é repetir a fábula de Esopo sobre a raposa e as uvas.

	4. Sobre o senso religioso e a racionalidade

	
	- O senso religioso vive dessa racionalidade, é este seu rosto, sua expressão mais autêntica. O senso religioso aparece como a primeira e mais autêntica aplicado do termo razão na medida em que não cessa de procurar responder à exigência que para ela é a mais estrutural: a do significado.
	- No seu Tractus, Wittgenstein afirma: “O sentido da vida, isto é, o sentido do mundo, pode ser chamado Deus. (...) Rezar é pensar no sentido da vida”.
	- Somente numa dimensão religiosa é possível intuir toda a dinâmica estrutural da consciência da consciência (ou razão):
		1) porque a dimensão religiosa coloca a exigência do significado, que é como a soma ou a intensidade última de todos os fatores da realidade;
		2) porque nos abre e nos coloca no limiar daquilo que é diverso, é outro, é infinito.
COMO SE DESPERTAM AS PERGUNTAS ÚLTIMAS
COMO DESPERTAR AS PERGUNTAS ÚLTIMAS
	1. O estupor da presença

	Provocando a imaginação: se alguém estivesse saindo do ventre de sua mãe neste momento com a consciência de uma pessoa de 20 anos, qual seria seu primeiro sentimento diante da realidade?

	Seria tomado por um sentimento de maravilha, de estupor diante de uma realidade que não é sua, que existe independentemente de si e da qual depende: é a percepção original do dado, do dom.
		
		“O estupor absoluto está para a inteligência da realidade de Deus, 	assim como a clareza e a distinção estão para a compreensão das 	ideias matemáticas. Sem a maravilha permanecemos surdos ao 	sublime” (A. Haschel).

	Exemplo: Giussani que pergunta em sala de aula: Segundo vocês, o que é a evidência? Quem poderia defini-la?” Um aluno respondeu: “A evidência é uma presença inexorável”.

	
COMO DESPERTAR AS PERGUNTAS ÚLTIMAS
	Dar-se conta de uma presença inexorável! Abro os olhos e uma evidência se me impõe: a realidade com a qual me deparo não é feita por mim; porém, dela dependo

	É este estupor que desperta a pergunta última dentro de nós: não é um registro frio, mas uma maravilha prenhe de atrativos, como uma passividade em que, no mesmo instante, se concebe a atração.

	Por isso, não é o medo o primeiro sentimento do homem, mas uma atração. O medo surge num segundo momento, como reflexo do perigo percebido de que aquela atração não permaneça.
	
	
	

COMO DESPERTAR AS PERGUNTAS ÚLTIMAS
	
	A religiosidade é a afirmação e o desenvolvimento da atração. A maravilha da presença me atrai: isto desencadeia em mim uma busca.

	Essa busca me remete a uma outra coisa; com efeito, a realidade com a qual me deparo, é dada a mim; e se é dada a mim, o é por um Outro do qual ela depende; e eu também dependo deste Outro.

	Não existe nada de mais adequado, de mais aderente à natureza do que ser possuído para uma dependência original; de fato, a natureza do homem é a de ser criado.

COMO DESPERTAR AS PERGUNTAS ÚLTIMAS
	
	2. O cosmo

	O homem dá-se conta também de que existe uma ordem dentro desta realidade, que esta realidade e cósmica.

	Sim, naturalmente vãos foram todos os homens que ignoraram a Deus e que, partindo dos bens visíveis, não foram capazes de conhecer Aquele que é, nem, considerando as obras, de reconhecer o Artífice. Mas foi o fogo, ou o vento, ou o ar sutil, ou a abóbada estrelada, ou a água impetuosa, ou os luzeiros do céu que eles consideraram como deuses, regentes do mundo! Se, fascinados por sua beleza, os tomaram por deuses, aprendam quanto lhes é superior o Senhor dessas coisas, pois foi a própria fonte de beleza que as criou. E se os assombrou sua força e atividade, calculem quanto mais poderoso é Aquele que as fez, pois a grandeza e a beleza das criaturas fazem, por analogia, contemplar seu Autor (Sb 13, 1-5)

Como se despertam as perguntas úLTIMAS
	
	3. Realidade providencial

	O homem se dá conta também de que esta presença inexorável é bela, atrai, é conforme a ele na sua ordem; constata também que ela se move segundo um desígnio que lhe pode ser favorável.

	O conteúdo das religiões mais antigas coincide com esta percepção da possibilidade da realidade “providencial”.

	O nexo com o divino tinha como conteúdo (em torno do qual se desenvolviam doutrinas e ritos) o fato deste mistério da fecundidade da terra e da mulher.
	

Como se despertam as perguntas últimas
	4. O eu dependente

	Se neste momento eu estiver atento, isto e, se for maduro, não posso negar que a evidência maior e mais profunda que percebo é que eu não me faço por mim, não me estou fazendo. Não me dou o ser, não me dou a realidade que sou, sou "dado". É o momento adulto da descoberta de mim mesmo como dependente de uma outra coisa.
	
	Quanto mais vou para dentro de mim mesmo, se chego até o fundo, de onde broto? Não de mim, mas de Outro.

	Trata-se da intuição, que em todos os tempos o espírito humano agudo teve, desta misteriosa presença pela qual a consistência do seu instante, do seu eu torna-se possível. Eu sou “Tu-que-me-fazes".
	

Como se despertam as perguntas últimas
	
	"Tu-que-me-fazes" é aquilo que a tradição religiosa chama "Deus", é aquilo que é maior do que eu, mais do que eu mesmo, é aquilo pelo qual eu sou feito.
	
	Por isso, a Bíblia diz de Deus: "tam pater nemo", ninguém é tão pai quanto ele.

	 Exemplos: 1) reação de uma amiga por ocasião do nascimento de sua filha; 2) Diálogo com as crianças da catequese...

	De fato, Deus é pai a cada momento, está me concebendo agora. Ninguém é tão pai, tão gerador. Assim eu não posso dizer "eu sou“ senão identificando o eu com "eu sou feito".

Como se despertam as perguntas últimas
	
	5. A lei do coração
	
	Trata-se do fato de que há no eu algo como uma voz que me diz “bem”, e me diz “mal”. Essa consciência do eu traz consigo a percepção do bem e do mal. É que a Bíblia e São Paulo definiam como “a lei escrita em nossos corações”.

	É o trilho pelo qual Aquele que nos cria reconduz a Si toda a nossa existência. O trilho de um bem, de um justo a que está ligado o próprio sentido da vida, da nossa existência, do real; algo que é bom e justo porque é assim, que não está à mercê de nada.

	 Que uma mãe queira bem ao seu filho é bom porque é bom; que alguém com sacrifício ajude um estranho é bom porque é bom.

	
Como se despertam as perguntas últimas
	
	Qual é a fórmula do itinerário rumo ao significado último da realidade? A única condição para sermos sempre e verdadeiramente religiosos é vivermos sempre intensamente o real.

	 A fórmula do itinerário rumo ao significado da realidade é viver o real sem censuras, isto é, sem renegar nem esquecer nada.

	O que bloqueia a dimensão religiosa autêntica, o fato religioso autêntico, é uma falta de seriedade para com o real, que tem no preconceito o exemplo mais agudo.

	É sinal dos grandes espíritos e dos homens vivazes a ânsia da busca através do empenho com a realidade da sua existência.

	

Como se despertam as perguntas últimas
	Eis, então, a conclusão: o mundo, esta realidade com que nos deparamos, é como se no momento do impacto libertasse uma palavra, fizesse ouvir um significado.

	O mundo é como