Senso Religioso - Pe Paulo - design 1

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Disciplina:O Humano e O Fenômeno Religioso75 materiais431 seguidores
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uma palavra, um logos que reenvia, remete a outro além de si, mais acima. Em grego, “acima” se aná. Este é o valor da analogia: a estrutura do impacto do homem com a realidade desperta no homem uma voz que o atrai para um significado que está mais além, mais acima, aná.

	Analogia. Esta palavra sintetiza a estrutura dinâmica do impacto que o homem tem com a realidade.

A EXPERIÊNCIA DO SINAL
	1. Provocação

	A maravilha constitui uma experiência de provocação, uma provocação para uma abertura.

	A realidade me solicita à buscar de algo de Outro, além daquilo que me aparece.

	2. O sinal
	
	Uma coisa que se vê e que, ao vê-la e tocá-la, move-me em direção a uma outra coisa, como se chama? Chama-se se sinal.

Iii. A EXPERIÊNCIA DO SINAL
	Sinal é uma experiência real que me remete a uma outra coisa.

	O sinal é uma realidade cujo sentido é uma outra realidade. Sem essa outra coisa, não haveria sentido para o sinal. O fenômeno do sinal é o método normal dos relacionamentos entre nós.

	3. Negação irracional

	 Diante do fenômeno do sinal não seria racional negar a existência daquela outra coisa. Exemplos: 1) O buquê de flores...; Escuto alguém gritando: “Socorro”...
Iii. A EXPERIÊNCIA DO SINAL
	
	4. Caráter exigencial da vida

	A prova experimental do fato de que a natureza do impacto do homem com o real desenvolve esse pressentimento ou busca de outra coisa é dada pelo caráter exigencial da experiência existencial.

	Eis a seguir, algumas das exigências originais que nos obriga a reconhecer algo de Outro, que está no fundamento de todas coisas, que constitui-se como significado exaustivo de tudo.
Iii. A EXPERIÊNCIA DO SINAL
	a) A exigência da verdade ou do significado nos obriga a reconhecer a necessidade de um significado último. Exemplo: se desmontássemos um objeto que nunca tivéssemos visto antes... Fica a pergunta: “Qual é a sua função?”

	Santo Agostinho dizia: “Que coisa o homem deseja mais do que a verdade?”

	Sócrates: “Amigos, por acaso não é verdade que quando falamos da verdade esquecemos até das mulheres?”

Iii. A EXPERIÊNCIA DO SINAL
	b) A exigência da justiça

	Exemplo: homem condenado à morte...; depois de executado, veio à tona que era inocente... Quem lhe fará justiça a este homem, uma vez que já está morto?...

	c) Exigência de felicidade.

	O que satisfaz o espírito, a alma? Quanto mais levamos a sério a nossa exigência de felicidade, tanto mais tomamos consciência de que nada nos pode preencher totalmente. Todos nós fazemos essa experiência.
Iii. A EXPERIÊNCIA DO SINAL
	d) A exigência do amor

	Exemplo: “Mostra-me uma amante que seja muito bela; que é a sua beleza, senão um sinal onde eu possa ler o nome daquela que é ainda mais bela?” (Shakespeare, em Romeu e Julieta). Quanto mais uma cosa é bela, tanto mais nos remete a uma outra coisa. É uma experiência paradoxal mas muito clara.

	“Quem ama diz ao outro: ‘tu não podes morrer’” (Gabriel Marcel). Se pudéssemos, eternizaríamos a nossa vida e a vida de quem amamos; com isso, fica claro que a nossa exigência de amor nos remete à necessidade de um AMOR eterno.
Iii. A EXPERIÊNCIA DO SINAL
	As exigências humanas constituem referência, afirmação implícita de uma resposta última que está além daquilo que experimentamos.

	5. “Tu”, sinal supremo

	Se no impacto com o homem, o mundo funciona como um sinal, devemos dizer então que o mundo “demonstra” Deus, assim como um sinal demonstra aquilo de que é sinal. O lugar privilegiado onde o homem percebe uma experiência de completude é a companhia, a amizade, particularmente entre o homem e a mulher.
IV. Descoberta da razão
	Procuremos agora esclarecer brevemente o valor racional da dinâmica do sinal.

	a) A razão é exigência de compreender a existência; quer dizer, é exigência de explicação adequada, total da existência;

	b) Essa explicação não pode ser encontrada nas coisas que experimentamos na nossa existência...: a exigência de um porquê permanece: a morte fixa a nossa não-completude.
vi. Descoberta da razão
	c) Se quisermos salvar a razão, isto é, se quisermos ser coerentes com a energia que nos define, o seu próprio dinamismo nos obrigará a afirmar a resposta total para além do horizonte da nossa vida;

	d) Atenção! A resposta existe, porque grita através das perguntas do nosso ser, mas não pode ser medida pela experiência. Por isso, o ponto culminante da conquista da razão é perceber que existe um desconhecido, ao qual todos os homens se destinam, porque dele dependem. É a idéia do mistério.

	Gabriel Marcel afirmou: “O mistério é esclarecedor”.
vi. Descoberta da razão
	O mistério não é um limite para a razão, mas é a maior descoberta a que esta pode chegar: a existência de algo que não pode ser medida por ela mesma.
	
	Eu não me faço por mim mesmo. Portanto, de onde venho? Venho de um Outro: misterioso, porém real.

	As reais objeções que podemos fazer são duas:
	1) Não é verdade que a razão seja exigência de explicação total;
	2) Não é verdade que a vida não dê resposta completa.
	Que cada um julgue a verdade de tais objeções

	
vi. Descoberta da razão
	Aberturas

	Não podemos dizer o que Deus é; podemos dizer o que Ele não é: Deus não é finito (é infinito), não é mensurável (não pode ser medido), não é possível conhecê-lo (ignoto), etc. Os termos que aplicamos a Deus: “Deus é bondade”, “Deus é amor”, “Deus é justiça”, etc., são apenas pontos de partida e não descrição da sua natureza. São apenas aberturas para uma realidade que está para alem das nossas capacidades de definição.
	
	

V. A energia da razão tende a entrar no desconhecido
	1. Descobrir o Mistério, entrar no Mistério que está sob as aparências, é o que move a razão, é a sua força motriz.
	
	2. A vida do homem é uma luta, isto é, tensão, relacionamento com o além; e essa é uma posição vertiginosa: dizer “sim” ao mistério sem ver seu rosto, simplesmente aderindo às solicitações das ocasiões.

iii. A energia da razão tende a entrar no desconhecido
 	3. Onde está a verdadeira dificuldade para identificar a existência de Deus, do mistério, do significado que está além do homem?

	Essa dificuldade está na experiência a que chamamos “experiência do risco”. O risco não é um gesto sem razões adequadas, porque do contrário não seria risco, mas irracionalidade.
iii. A energia da razão tende a entrar no desconhecido
	
	A experiência do risco pode ser descrita assim: é um hiato, um abismo entre a intuição da verdade, do Ser, dada pela razão, e a vontade, que é afetividade, isto é, energia de adesão ao Ser.

	Por isso, uma pessoa vê as razões mas não se move. Surge uma ruptura entre a razão e afetividade, entre a razão e a vontade.

iii. A energia da razão tende a entrar no desconhecido
	4. Para superar o abismo dos “mas”, dos “se”, e dos “porém”, o método usado pela natureza é o fenômeno comunitário.

	 A comunidade é a dimensão e a condição para que a semente humana (percepção da verdade) dê seu fruto.

	A comunidade não substitui a liberdade da pessoa, mas é a condição para que essa liberdade se move.

iV. A impaciência da razão
	1. A Bíblia revela que "um excessivo apego a si mesmo“ impele a razão do homem a dizer, em certos momentos: "Compreendi: o mistério é isto" (cfr. Ex. 32, 1-4 ). Este isto pode ser: o trabalho, o sucesso, o relacionamento afetivo, etc.
	
	2. Quando a razão diz: “O significado da é ...”, identifica este “é” com um ponto de vista; e este ponto de vista é exaltado como se fosse o significado total, último.
v. UM PONTO DE VISTA QUE ALTERA
	
	3. Onde está o erro dessa atitude da razão? Está no fato de pretender identificar o significado total da realidade a partir de algo compreensível para si. Na realidade, aqui está a decadência da razão: a pretensão de ser a medida do real, ou seja, de definir qual é o significado de tudo.

	 Que significa ter a pretensão ser a medida do real? Significa pretender ser Deus.
v. UM PONTO DE VISTA QUE ALTERA
	2. Conseqüências dessa postura:

	a) O ídolo: algo que parece Deus, tem a mascara de Deus, mas não é Deus: os ídolos não mantêm suas promessas