Senso Religioso - Pe Paulo - design 1

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Disciplina:O Humano e O Fenômeno Religioso75 materiais430 seguidores
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e suas pretensões totalizantes.

	b) A ideologia: a ideologia construída sobre o ídolo é totalizante por natureza. Exemplo: comunismo na China, em Cuba, etc.

	Conclusão: a realidade é sinal de Deus. O homem intui Deus, mas essa intuição é mal interpretada e decai, corrompe-se em presunção.
	
	
v. UM PONTO DE VISTA QUE ALTERA
	
	Observação: Admitir que Deus existe significa admitir que existe uma resposta à grande pergunta sobre o significado de tudo; isso não tem nada de abstrato.
	
	Porém, se existe uma palavra que melhor se aproxima daquilo que Deus é, só pode ser a palavra amor, no seu sentido mais profundo e sublime, ou seja, dom de si comovido, em cujo único interesse é o bem do outro (o homem).

Obs.: Deus se comoveu com o nosso nada
	Jer 31,3s: “Eu te amei com um amor eterno, por isso te atrai para mim, tendo piedade do teu nada”.

	Eis portanto o ponto: Deus se comoveu com o nosso nada. Não só: Deus se comoveu com a nossa traição, com a nossa rude pobreza, esquecida e traiçoeira pobreza, com a nossa mesquinhez. Deus se comoveu com a nossa mesquinhez, que é ainda mais do que se comover com o nosso nada. “Tive piedade do teu nada, tive piedade da tua indiferença em relação a mim. Comovi-me contigo, porque tu me esqueces e tratas mal a ti mesmo e aos outros; comovi-me como uma mãe e um pai que choram de comoção por causa do ódio do filho. Não choram porque ficam tocados, choram de comoção, quer dizer, com um pranto totalmente determinado pelo desejo de bem do filho: que o filho mude. Choram porque querem o bem do filho.

Deus se comoveu com o nosso nada
	O Homem deriva de Deus infinitamente mais do que uma criança que nasce das entranhas de sua mãe. Portanto, derivando de Deus, o homem tem como lei o amor. Não existe outra lei que seja tão humana.

	 A lei do pessoa humana é só uma: amar. E se entende isso porque é a lei da própria fonte da qual nasce: “A fonte do ser está em Ti, ó Senhor”. Deus, que é a fonte do ser, tem uma só dinâmica, descritível exclusivamente como dom de si, comovido.

Deus se comoveu com o nosso nada
			O meu rosto (Adriana Mascagni)

	Deus, pra mim olho e eis que descubro: não tenho rosto . Olho no fundo e vejo o escuro que não tem fim. E só quando percebo que Tu és, como um eco ouço a minha voz. E renasço como o tempo da lembrança. Coração, porque tremes? Tu não estás só, tu não és só. Amar não sabes. E és amado. És amado. Fazer-te não sabes, mas és feito, mas tu és feito. Como as estrelas lá céu. No ser, Tu, me faças caminhar. Faze-me crescer e mudar como a luz.Que aumentas e mudas nos dias e nas noites. Faze minha alma como a neve que se colore. Como os ternos cimos teus, sob o sol do teu amor.

	De que forma Deus manifestou esse amor pelo homem? Tornando-se um de nós, assumindo um rosto humano e falando a nossa linguagem humana. De fato, Deus teve piedade do homem; e, por isso, Deus se curvou até nós.

iii. A exigência da revelação
	1. A hipótese da Revelação - Santo Tomás de Aquino:

	"A verdade sobre Deus que a razão poderia atingir seria, de fato, somente para um pequeno número, e depois de muito tempo, e não sem mistura de erros. Por outro lado, é do conhecimento desta verdade que depende toda a salvação do ser humano, pois a salvação está em Deus. Para tornar esta salvação mais universal e mais certa, teria, pois, sido necessário ensinar aos homens a verdade divina com uma divina revelação".

iii. A exigência da revelação
	2. A expressão mais potente da hipótese da Revelação – Fédon de Platão:

	"Parece-me, ó Sócrates, e talvez também a ti, que na vida presente não se possa atingir a verdade segura sobre essas coisas de nenhum modo, ou pelo 	menos com grandíssimas dificuldades. Mas acho que seria uma vileza não estudar sob cada aspecto as coisas ditas sobre e abandonar a pesquisa antes de ser examinado cada meio. Porque nestas coisas, de duas uma: ou se chega a conhecer como estão; ou, se não se consegue, aplica-se ao melhor e mais seguro dentre os argumentos humanos e, com ele, como sobre um barco, tenta-se a travessia do oceano. A menos que não se 	possa, com maior comodidade e menor perigo, fazer a passagem com algum meio de transporte mais sólido, isto é, com a ajuda da palavra revelada de um deus".

iii. A HIPÓTESE DA REVELAÇÃO
	3. No extremo da experiência da vida, no extremo da consciência sofrida e apaixonada da existência, solta-se, apesar do próprio homem (que tende a resistir e permanecer na sua medida), esse grito de humanidade mais verdadeira, que é como uma súplica, uma mendicância:

	a não ser que possa fazer a travessia sobre alguma sólida nau, isto é, com a ajuda da palavra revelada de um Deus”.
iii. A HIPÓTESE DA REVELAÇÃO
	4. Em termos próprios, chama-se a isto de hipótese da revelação. A palavra “Revelação” tem um sentido lato, mais amplo e genérico: o mundo é esta revelação de Deus, do Mistério.

	Mas, em sentido próprio, “revelação” não é mais fruto de uma interpretação humana da realidade: trata-se, ao contrário, de um possível fato real, um evento acontecido na história.

VI. CONDIÇÕES PARA ACEITAR A REVELAÇÃO
	1. Semelhante hipótese é, antes de mais nada, possível. A Maria, que perguntava: “Como é possível?”, o Anjo responde: “Para Deus nada é impossível”.

	 2. Esta hipótese é extremamente conveniente. Uma hipótese é conveniente quando se encontra com o desejo do homem, quando corresponde ao coração e à natureza do homem.

VII. CONDIÇÕES PARA ACEITAR A REVELAÇÃO
	 3. Existem duas condições que esta hipótese deve respeitar para ser aceitável:
	
	a) Se deve ser verdadeiramente uma revelação, como palavra além daquelas que o mundo já diz ao nosso coração indigno e à nossa inteligência indagadora, deve ser uma palavra compreensível para o homem.

	b) Mas o resultado dessa revelação não deve ser uma redução do mistério, mas um aprofundamento d’Ele (Exemplo: Jesus revela Deus como Pai: “Pai Nosso...”).
VII. CONDIÇÕES PARA ACEITAR A REVELAÇÃO
 
	A hipótese da Revelação não pode ser destruída por nenhum preconceito e nenhuma opção. Ela coloca uma questão de fato, à qual a natureza do coração está originalmente aberta. Para o êxito da vida, é preciso que esta abertura permaneça determinante. Esta é a fronteira de dignidade humana: “Mesmo que a salvação não venha, desejo, porém, ser digno dela em cada momento” (Kafka).
O ROSTO DO MISTÉRIO	

	A caridade de Deus assumiu um rosto humano em Jesus Cristo: O verbo que se fez carne é o amor e a misericórdia de Deus que se manifesta na vida do homem de forma humana. Deus vem ao encontro do homem. O destino último do homem mostra o seu rosto

O MISTÉRIO COMO FATO NA
TRAJETÓRIA HUMANA
	O esquema abaixo descreve com clareza como se deu a revelação do Mistério na história:
	

 
 
 
					
 
	Como vimos antes, que Deus possa se revelar na história é um dado que é possível, pois, “para Deus, nada é impossível”. A partir disso a pergunta que se faz agora é: Aconteceu ou não?