Senso Religioso - Pe Paulo - design 1

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Disciplina:O Humano e O Fenômeno Religioso75 materiais416 seguidores
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Se houver qualquer tipo de interferência (por ex. do sentimento), não seria possível um conhecimento verdadeiro e objetivo.
	
	Mas existe um tipo de objeto que constitui o termo de um interesse que o homem não pode evitar: o interesse pelos significados. Nesse tipo de objeto entra o problema afetivo, o problema religioso (do sentido último), o problema político.

	Com efeito, quanto mais algo é vital, isto é, tem valor, tanto mais gera um estado de ânimo, uma reação de antipatia ou simpatia, tanto mais gera “sentimento”, e mais a razão é condicionada por este sentimento, quanto ao conhecimento daquele valor.

	
A moralidade no processo do conhecimento
	Desse modo, a cultura racionalista pode dizer: é claro que com esse tipo de objeto não se pode atingir a certeza objetiva, porque entra demais em jogo o fator sentimento.

	4. Uma questão existencial e uma questão de método

	Neste ponto existem duas observações a fazer.
 
	a) Existencialmente, essa posição, se for tomada na sua lógica, deveria levar ao seguinte resultado: quanto mais a natureza faz com que eu me interesse por algo e, portanto, quanto mais desperta em mim curiosidade, exigência e paixão por conhecê-lo, tanto mais me impede de conhecê-lo.
 
	b) Eis a segunda observação: porém seria um erro formular um princípio explicativo que para resolver a questão tenha a necessidade de eliminar um dos fatores (o sentimento) em jogo.
	

	
A MORALIDADE NO PROCESSO DO CONHECIMENTO
	5. Um outro ponto de vista
	
	Exemplo: a lente de um binóculo...
	
	O sentimento deve ser imaginado como a lente de um binóculo: o objeto englobado por essa lente é trazido para mais perto da energia cognitiva do homem; assim, a razão pode conhecê-lo mais fácil e seguramente.

	Então, o sentimento é uma condição importante para o conhecimento; o sentido é um fator essencial à visão, não no sentido de ser ele quem vê, mas no sentido de representar a condição para que o olho, ou a razão vejam, segundo sua natureza.

 	O problema então, não é que o sentimento seja eliminado, mas que seja colocado em seu justo lugar.

	
A MORALIDADE NO PROCESSO DO CONHECIMENTO
	Ora, que significa “colocar o sentimento em seu justo lugar”? Antes de tudo, é claro que tal problema não é de caráter científico, mas de atitude, isto é, é um problema “moral”, um problema que diz respeito ao modo de colocar-se frente à realidade.

	Exemplo: Pasteur , que descobriu o papel do microorganismo na medicina...; os últimos a aceitarem a nova descoberta foram os membros da academia de Paris. Por que? Estava em jogo dinheiro, prestígio, fama, orgulho, etc.

	Por isso, o centro do problema é realmente uma postura correta do coração, uma atitude exata, um sentimento no justo lugar, uma moralidade.

	6. A moralidade no conhecimento

	Concretamente, trata-se do desejo sincero de conhecer o objeto em questão de maneira verdadeira, mais do que as nossas opiniões pré-fabricadas ou inculcadas em nós pela mentalidade dominante.
		

	
A moralidade no processo do conhecimento
	
	No Evangelho encontramos uma frase que define bem a postura moral da qual estamos falando: “Bem aventurados os pobres de espírito porque deles é o reino do céus”.

	Mas quem é o pobre? O pobre do Evangelho é quem não nada a defender, a não ser a verdade das coisas; não está apegado a nada, possui como se não possuísse....

	Na aplicação ao campo do conhecimento, esta é a regra moral: amor à verdade do objeto mais do que o apego às opiniões que já formamos sobre ele.

	Numa palavra, poderíamos dizer: “amar mais a verdade do que a si mesmo”.

	
A MORALIDADE NO PROCESSO DO CONHECIMENTO
	7. preconceito

	Amar a verdade mais que a idéia que dela fazemos quer dizer ser livres de preconceitos. Porém, “ausência de preconceito” é uma frase equivoca, porque a ausência de preconceitos no sentido literal da palavra é impossível.

	Então, o verdadeiro problema não é não ter preconceitos. Trata-se, ao contrário, daquele processo grande e, ao mesmo tempo, muito simples de desapego de si mesmo do qual fala o Evangelho.

	Por isso, para amar a verdade do objeto mais que a imagem que dele fizemos, para ter esta pobreza de espírito, este olhar aberto diante do real e da verdade, como o olhar das crianças, é necessário um processo e um trabalho. Mas o que pode levar a esse trabalho, a este treinamento da nossa pessoa? O homem só é movido por um amor e por uma afeição. É o amor a nós mesmos como destino, ou seja, ao nosso desejo de realização plena, que nos leva a aceitar esse trabalho.

	

Síntese sobre a moralidade no conhecimento
	
	1. Há uma unidade profunda no ser humano.
	 De fato, no processo do conhecimento de um objeto, a razão está ligada ao sentimento e é por ele condicionada (exemplos: 1. aula de redação...; 2. prova de cálculo...).
	
	Obs.: quanto mais algo vale a pena, ou seja, tem valor para a vida, tanto mais arrasta consigo o sentimento e, conseqüentemente, tanto mais impede a razão de conhecê-lo de forma verdadeira e objetiva (exemplos: 1. se eu fosse médico, especializado em cérebro humano, jamais poderia operar meu pai ou minha mãe...; um /uma jovem apaixonado...)

	2. Qual é o problema da cultura moderna racionalista e iluminista em relação ao uso da razão no processo do conhecimento?
	Tal problema está no fato de que, em tal cultura, a razão é pensada como capacidade de conhecimento que se desenvolve a partir de uma relação com o objeto sem que nada deva interferir.
Síntese sobre a moralidade no conhecimento
	Já vimos que o sentimento interfere no processo do conhecimento. Portanto, naquela cultura o sentimento deve ser eliminado ou reduzido ao máximo. Mas isso só seria possível em relação à ciência exata. Por isso, para essa cultura, em qualquer outro tipo de conhecimento que não seja o matemático e científico, “cada cabeça uma sentença”: não é possível um conhecimento objetivo e verdadeiro em qualquer outro tipo de objeto.

	Atenção! Esse problema assume um caráter dramático diante daqueles tipos de objetos que mais interessam à nossa vida, isto é, mais tem valor, vale a pena: a vida afetiva, religiosa, sócio-política. Nestes campos, pesam demais o fator sentimento, paixão, etc.
	Observações:
		- que desastre seria se não pudéssemos chegar à certeza de que somos amados pelos nossos pais!
		- Que desastre seria se não fosse possível encontrar o verdadeiro sentido da existência humana!
		- Que desastre seria se não pudéssemos confiar em pessoas envolvidas no mundo sócio-político – infelizmente, tal desastre é visível a olho nu em nossa sociedade!

Síntese sobre a moralidade no conhecimento
	3. Um problema existencial e um problema de método.

	 Dada a importância desse problema para a nossa vida concreta, não podemos deixá-lo sem solução. Mas que caminho seguir? Partindo da nossa própria experiência, podemos fazer duas observações:

	Primeira: quanto mais a natureza faz com que eu me interesse por algo e, portanto, desperta em mim curiosidade, exigência por conhecê-lo, tanto mais me impede de conhecê-lo (o sentimento ofusca a razão).

	Segunda: mas seria um erro tentar resolver a questão eliminando um fator tão importante para a nossa vida, como é o fator sentimento.

Síntese sobre a moralidade no conhecimento
	
	4. Um outro ponto de vista.

	Onde está a solução? Comemos por usar a nossa imaginação. Exemplo: se eu e vocês estivéssemos em cima da pedra da Gávea, e um de vocês tem em mãos um binóculo....

	O que esse exemplo da lente do binóculo nos ensina?
		- que o sentimento não deve ser eliminado, mas, sim, colocado no seu justo lugar. E quem coloca o sentimento no seu justo lugar é a própria razão (exemplo: quando temos que tomar uma decisão importante, pessoas que nos amam dizem: “pense bem, não apresse as coisas, senão você vai se arrepender”).

		- que o sentimento, uma vez colocado no seu justo lugar, favorece o conhecimento: quando uma coisa realmente nos interessa, é natural nos empenharmos mais em conhecê-la.
Síntese sobre a moralidade no conhecimento
	- Ora, que quer dizer “ajustar o foco da lente”,