Senso Religioso - Pe Paulo - design 1

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DisciplinaO Humano e O Fenômeno Religioso84 materiais436 seguidores
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porque significa que eu sou constituído por uma outra coisa, ainda que misteriosa.
	- Se a natureza do homem está indomavelmente em busca de uma resposta; se a estrutura do homem é essa esta pergunta irresistível e inexaurível, suprimiremos a pergunta se não admitirmos a existência de uma resposta.
	- E essa pergunta só pode ser insondável. Somente a existência de do mistério e adequada à estrutura de mendicância que o homem é. Por isso, escreve Shakespeare: \u201cO mundo sem Deus seria uma fábula contada por um idiota num acesso de raiva\u201d.
	- Verdade é que o senso religiosa é pergunta de totalidade que constitui a nossa razão. Porque pelo simples fato de viver cinco minutos, um homem afirma a existência de um \u201cporquê\u201d pelo qual vale a pena, no fundo, no fundo, viver aqueles cinco minutos.
I. ATITUDES NÃO RAZOÁVEIS DIANTE DA INTERROGAÇÃO ÚLTIMA
Atitudes não razoáveis diante das perguntas
	Por que usamos o termo não razoável? Porque não é razoável uma postura que pretenda explicar um fenômeno de modo não-adequado a todos os fatores nele implicados.
	1. Negação teórica das perguntas
	 
	As perguntas fundamentais são definidas com sendo \u201csem sentido\u201d. Exemplo: Natalino Sapegno:
	\u201cAs perguntas nas quais se condensa a confusa e discriminada veleidade reflexiva dos adolescentes, a sua primitiva e sumária filosofia (o que é a vida, para que serve, qual é o fim do universo, por que existe a dor), aquelas perguntas que o filósofo verdadeiro e adulto afasta de si como absurdas e carentes de um autêntico valor especulativo, e tais que não comportam resposta alguma nem possibilidade de desenvolvimento, estas mesmas perguntas se tornaram a obsessão de Leopardi, o conteúdo de sua filosofia".
	- Porque a resposta a ele deve representar uma meta impossível, de modo que seja inútil falar dela? Isto é irracional, é desumano. É uma posição inadequada aos termos do problema. 
	
	
	Atitudes não razoáveis diante das perguntas
	2. Substituição voluntarista das perguntas. 
	
	Se for eliminada a energia dinâmica que aquelas perguntas determinam, em que consistirá a energia que nos faz agir? A energia que nos faz agir reduz-se a uma afirmação de si, ou seja, no lugar daquelas perguntas se coloca a energia da vontade, por meio da qual afirma a si mesmo como significado. 	
	3. Negação prática das perguntas.
	 As perguntas machucam, fazem mal. É preciso, então, considerar a vida de modo tal que aquelas perguntas não venham à tona. 
	- O primeiro delineamento é bem geral, conhecido por nós todos: \u201cNão pense nisso\u201d.
	- O segundo delineamento pode ser descrito assim: a sociedade cria interesses para obscurecer o grande interesse da pergunta existencial, a pergunta pelo significado. Mas não pode consegui-lo. Então, a vida em sociedade é suplantada pelo álcool (ou hoje, pela draga).
Atitudes não razoáveis diante das perguntas
	
	4. Evasão estética e sentimental: 
	- Não há um comprometimento da liberdade humana, mas apenas a satisfação expressiva do reflexo emocional suscitado pela interrogação. 
	- Evasão e desperdício: sintoma bem conhecido de muitos relacionamentos, pelo menos no início. 
	\u201cOh, sonho, verdade sem certeza de memória\u201d, escreveu Shakespeare em a tempestade.
	 O sonho tem um impulso verdadeiro, um ímpeto ideal que cria certa aura imaginativa, emocional, mas sem base, sem um fundamento dado, a ser continuamente recuperado para ser obedecido, verificando-o assim numa crescente certeza.
	
	
Atitudes não razoáveis diante das perguntas
	
	5. Negação desesperada da pergunta
	- Aqui, as perguntas são levadas a sério; a seriedade impede que sejam negadas. Mas é a dificuldade das respostas que a um certo ponto leva a dizer: \u201cNão é possível\u201d.
	- É atitude mais dramática porque aqui se joga, entre o sim e o não, a pura opção do homem. Mas entre a opção pelo não e a opção pelo sim, qual corresponde mais à origem, a todos os fatores da nossa estrutura, ou seja, qual é a mais razoável? Este é o ponto. 
	- A autêntica religiosidade é a defesa até o fim do valor da razão, da consciência humana. O racionalismo frequentemente reduz a própria razão, ou a razão como categoria da possibilidade.
Atitudes não razoáveis diante das perguntas
	6. Alienação
	O ideal da vida residiria numa hipotética evolução no futuro, para o qual todos deveríamos concorrer como único significado do viver: é o ideal do progresso, da ascensão social, etc. Na fase da juventude, pensa-se que a realização da vida, portanto, a felicidade, vai acontecer quando a pessoa atingir sucesso profissional, financeiro, etc. 
	
	Mas existe uma objeção radical. As perguntas fundamentais assinalam o aparecimento na natureza exatamente da dimensão pessoal do homem, da originalidade irredutível da sua personalidade. Uma resposta não é dada se não for dada a mim, se não for para mim.
	As perguntas são o meu eu: e na solução progressista o eu não encontra resposta - é alienado. Trata-se de uma solução inadequada aos fatores em jogo - não razoável. 
 
	
6. alienação
	Depois desta série analítica de posições, devemos recordar que o valor dialético da nossa denúncia é um só: elas não correspondem inteiramente aos fatores que a experiência nos mostra em ação. Todas têm um aspecto justo, ou um pretexto verossímil, ao qual, porém, se dá um relevo desproporcional. 
	A verdade mais evidente é aquela que foi bem apontada por Dostoievsky: 
	"A abelha conhece a fórmula de sua colméia, a formiga conhece a fórmula de seu formigueiro, mas o homem não conhece sua própria fórmula. Porque a fórmula do homem é o relacionamento livre com o infinito, e por isso não cabe em nenhuma medida, e derruba as paredes de qualquer morada na qual queiramos aprisioná-lo\u201d. 
II. CONSEQUENCIAS DAS ATITUDES NÃO RAZOÁVEIS DIANTE DAS PERGUNTAS ÚLTIMAS
ESVAZIAMENTO DAS PERGUNTAS
	Conseqüências das atitudes não razoáveis...
	A eliminação ou esvaziamento das perguntas originais que temos dentro de nós, leva à perda do significado. E isto tem graves conseqüências trágicas. O homem perde o controle de si, da sua vida, da motivo pelo qual está neste mundo.
	1. A ruptura com o passado
	- A perda do significado tende a anular a personalidade: a personalidade do homem adquire densidade e consistência exatamente como exigência, intuição, percepção e afirmação do significado. Sem a apreensão do significado de uma coisa, ela permanece estranha a nós (exemplo: uma máquina fotográfica na mão de uma criança de um ano de idade...). 
	- O que caracteriza o \u201cbrincar\u201d com um objeto? Que o nexo entre a pessoa e o objeto é determinado por uma finalidade não adequada ao objeto (a menos que o objeto seja um brinquedo...). Não é diferente a pessoa quando perde o significado do seu viver, quando não a respostas a estas perguntas. O critério da sua ação é a reação instintiva, muitas violenta.
	Conseqüências das atitudes não razoáveis...
	2. Incomunicabilidade e solidão
	- Incomunicabilidade: a ruptura com o passado reduz de modo vertiginoso o diálogo e a comunicação humana. Soljenitsin, falando do povo russo, que foi submetido à ideologia comunista durante 70 anos, diz: \u201cA memória do povo foi reduzida a pedaços\u201d.
	
	- Com efeito, de onde brotam o diálogo e comunicação? Brotam da experiência, cuja profundidade está na capacidade de memória: quanto mais sou rico de experiência, mais tenho capacidade de dialogar com quem encontro, mais sou capaz de comunicar-me com as pessoas, mais consigo me identificar com as pessoas.
	- É a falta de compromisso a vida como experiência que nos leva a \u201cbater papo\u201d e não falar de verdade.
	Conseqüências das atitudes não razoáveis
	
	- Mas, para melhor compreender isso, insistimos em dois pontos:
		- A experiência é tutelada, protegida pela memória...
		- A experiência deve ser verdadeiramente tal, julgada pela inteligência, pelo crivo crítico. Como se faz isso: comparando continuamente o conteúdo expressivo com base nas exigências constitutivas do nosso ser.
	- Solidão: perante a vida como ausência de significado, o ser humano experimenta uma solidão terrível. A solidão, na realidade,