Senso Religioso - Pe Paulo - design 1

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DisciplinaO Humano e O Fenômeno Religioso84 materiais433 seguidores
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ou conhecimento afetivo). 
	
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	razoabilidade
	Em síntese: A demonstração para se chegar a uma certeza moral é um conjunto de indícios cujo o único sentido adequado, cujo o único motivo adequado, cuja a única leitura razoável é aquela certeza.
	Dois destaques importantes:
	Eu estarei habilitado a ter certeza sobre você quanto mais eu estiver atento à sua vida, isto é, quanto mais eu compartilhar a sua vida (exemplo: rapaz que pede a garota em casamento).
	Ao contrário, quanto mais alguém é poderosamente humano, mais é capaz de obter certeza sobre o outro a partir de poucos indícios. Ou seja, tanto mais é capaz confiar no outro, porque intui os motivos adequados para acreditar em um outro.
	Eis a regra de ouro: convivência + condivisão + tempo = certeza.
	
	
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razoabilidade
	Documentação: 
	\u201cPara o positivismo, a razão científica é a única verdade admitida. O problema crucial do positivismo é que não é capaz de compreender a diferença entre verdade e exatidão. A ciência assim entendia, nada pode dizer diante do problema da busca do sentido da vida (Hokheimer).
	\u201cQuem se esforça com humildade e com perseverança em vasculhar os segredos da realidade, mesmo sem saber é conduzido pela mão de Deus\u201d (Galdium Spes).
	\u201cA missão mais nobre do físico é então a busca de leis elementares, as mais gerais, das quais se parte para chegar, através de simples deduções, à imagem do mundo. Nenhum caminho lógico conduz a estas leis elementares: somente a intuição, fundada na experiência, pode nos conduzir a isso\u201d (Einstein, como vejo o mundo)
	
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Razoabilidade
	5. Uma aplicação do método da certeza moral: a fé
	
	- Fé: acreditar em alguém ou em algo
	- Condição para confiar em uma pessoa...: 1) Ela deve ter conhecimento de causa, ou seja, realmente sabe o que diz; 2) Tal pessoa não quer enganar-me. É sincera, honesta...
	
	- Se chego à certeza de que uma pessoa sabe o que diz e não quer enganar-me, então, repetir com certeza aquilo que ela diz com certeza é ter coerência comigo mesmo. Mas eu posso chegar à certeza sobre a sinceridade e sobre a capacidade de uma pessoa justamente através do método da certeza moral.
	
	- Por isso, sem o método do conhecimento da fé não existiria nem mesmo desenvolvimento humano. Nesse sentido, o problema da certeza moral é um problema capital do próprio desenvolvimento da vida humana, da sociedade, da cultura, da civilização,etc.
SÍNTESE SOBRE A RAZOABILIDADE
	A razão é usada de forma adequada quando:
		- considera todos os fatores do objeto no processo do conhecimento...
		- considera que não basta ter razões ou motivos para acreditar ou confiar; tais razões ou motivos precisam ser adequados...
	A razão é usada de modo não adequado quando:
		- reduz o razoável somente ao exato ou ao lógico...
		- considera somente os métodos de conhecimento que estejam de acordo com as suas medidas...
	Mas, ao contrário, existem diversidades de procedimentos que a razão é obrigada a considerar, se quiser ser coerente consigo mesma.
SÍNTESE SOBRE A RAZOABILIDADE
	Entre a variedade de métodos de conhecimento utilizado pela razão - matemático, científico, filosófico - existe um quarto método, de particular importância. É o método da certeza moral.
 
	 Este método é aquele que está ligado às dimensões da vida que mais afetam a essência do nosso ser:
		- porque tem a ver diretamente com a dimensão afetiva (ter certeza de ser amado, poder confiar em alguém: \u201cminha mãe me quer bem\u201d)...
		- porque está diretamente relacionado à questão do sentido último da vida (a dimensão religiosa). 
		- porque está intimamente relacionado com o desenvolvimento da sociedade, da cultura... (para poder avançar precisar confiar naquilo que foi transmitido.
SÍNTESE SOBRE A RAZOABILIDADE
	A regra da certeza moral é esta: convivendo com uma pessoa e partilhando a sua vida, com tempo os sinais de multiplicam, de modo tal que posso confiar nela (isso vale também para a convivência em sociedade, numa comunidade religiosa, na família,etc.).
	É razoável confiar em uma pessoa quando:
		- chego à certeza de que aquela pessoa sabe o que diz (tem autoridade)...
		- não quer enganar-me (é honesta, leal)...
	Repito: se chega a essa certeza justamente através do método da certeza moral
MÚSICA SOBRE A ABERTURA DA RAZÃO - vida (FÁBIO JUNIOR)
	Pelas ruas das cidades / Pessoas andam num vai e vem / Não vêem cair a tarde / vão nos seus passos como reféns/ De uma vida sem saída / Vida sem vida, mal ou bem.
	Pelos becos desses parques / Ninguém se toca sem perceber / Que onde o sol se esconde / O horizonte tenta dizer / Que há sempre um novo dia / A cada dia em cada ser.
	Não é preciso uma verdade nova, / Uma aventura / Pra encontrar nas luzes que se acendem / Um brilho eterno / E dar as mãos e dar de si além / Do próprio gesto / E descobrir feliz que o amor esconde / outro universo.
	Pelos becos, pelos bares / Pelos lugares que ninguém vê / Há sempre alguém querendo / Uma esperança, sobreviver / Cada rosto é um espelho / De um desejo de ser, de ter.
	Talvez, quem sabe, por essa cidade / Passe um anjo / E por encanto abra as suas asas / Sobre os homens / E dê vontade de se dar aos outros sem medida / A qualidade de poder viver / Vida, vida, vida.
	Músicas sobre a razoabilidade (ânima)
Lapidar minha procura, toda trama;
Lapidar o que o coração, com toda inspiração,
Achou de nomear gritando: alma.
Recriar cada momento belo já vivido e ir mais,
Atravessar fronteiras do amanhecer
E ao entardecer olhar com calma, então.
Alma vai além de tudo o que o nosso mundo ousa perceber.
Casa cheia de coragem, vida, tira a mancha que há no meu ser.
Ti quero ver, ti quero ser, alma...
Viajar nessa procura toda de me lapidar.
Neste momento, agora, 
De me recriar, de me gratificar.
Te busco, alma, eu sei.
Casa aberta onde mora o mestre, o mago da luz, 
Onde se encontro o templo que inventa a cor. Animará o amor onde se encontra a paz.
TERCEIRA PREMISSA
A INCIDÊNCIA DA MORALIDADE NO 
PROCESSO DO CONHECIMENTO
A MORALIDADE NO PROCESSO DO CONHECIMENTO
	Confiar em alguém introduz um fator de postura da pessoa que nós chamamos de \u201cmoralidade\u201d. A terceira premissa quer falar da incidência da moralidade no interior da dinâmica do conhecimento. 
	1. A razão, inseparável da unidade do nosso eu
	
	Iniciamos com alguns exemplos: 
		1) Uma garota é muito boa em matemática. Há um exercício em sala de aula. Mas naquela manhã ela está sofrendo uma forte dor de estômago...; 
		2) Um rapaz é muito bom em redação. Na noite anterior a uma prova de redação, vai a um jantar e exagera na comida, tem uma péssima noite; no dia seguinte não consegue desenvolver bem sua redação... .
	Existe, então, uma unidade profunda entre a razão e o restante do nosso eu, uma relação orgânica entre o instrumento da razão e o resto da pessoa. 
 	
	O homem é uno, e a razão não é uma máquina que se pode arrancar do resto da personalidade para fazê-la agir sozinha. A razão é imanente a toda a unidade do nosso eu, é organicamente relacionada.
A moralidade no processo do conhecimento
	2. A razão ligada ao sentimento
	
		1) Aula de redação. O tempo passa e nada. Depois de 45 anos surge uma idéia inesperada...; 
		2) Uma garota está caminhando na calçada do outro lado da rua e escuta: \u201cpsiu, psiu\u201d. Há três possibilidades: pode dizer: \u201cDe novo aquele chato\u201d; ou: \u201cquem é?\u201d; ou então o coração dela bate mais forte, porque ela sabe quem é.
 
	Com esses exemplos queremos dizer que a razão humana não é um mecanismo desarticulado do restante do nosso eu, mas está ligada ao sentimento e por ele é condicionada.
 
	Leiamos definitivamente a nossa fórmula: para conhecer um objeto, a razão deve acertar as contas com o sentimento, com o estado de ânimo. É filtrada pelo estado de ânimo e, de qualquer forma, está implicada nele. 
Moralidade no processo de conhecimento
	3. A hipótese de uma razão sem interferências
	
	Para cultura racionalista e iluminista a razão é pensada como capacidade de conhecimento que desenvolve a partir de uma relação com o objeto sem que nada deva interferir.