Senso Religioso - Pe Paulo - design 1

Senso Religioso - Pe Paulo - design 1


DisciplinaO Humano e O Fenômeno Religioso84 materiais433 seguidores
Pré-visualização14 páginas
que significa \u201ccolocar o sentimento no justo lugar\u201d? Antes de tudo, é claro que tal problema não e de caráter científico, mas de postura, isto é, é um problema \u201cmoral\u201d. Um problema que diz respeito ao modo de se colocar, de se posicionar frente a realidade. Exemplos: 
		- Pasteur, que descobriu o papel do microorganismo na medicina...
		- se eu estivesse tentando responder uma pergunta feita por um aluno aqui no pátio da PUC... 
	- Do exemplo de Pasteur e deste último, mais banal, parece-me resultar com evidência que o coração do problema cognitivo do homem não esteja numa capacidade particular da inteligência. Com efeito, quanto mais um valor é vital e elementar na sua importância \u2013 afetivo, religioso, sócio-político \u2013 mais a natureza dá a cada um a inteligência para conhecê-lo e julgá-lo. O centro do problema é realmente uma posição justa do coração, uma postura exata, um sentimento no seu justo lugar, uma moralidade.
Síntese sobre a moralidade no conhecimento 
	5. Moralidade no processo do conhecimento. 
	- Se a moralidade está no definir-se de postura uma postura justa, também esta é determinada pelo objeto em questão. Ora, de que aplicação da moralidade estamos tratando? Trata-se de uma postura na dinâmica do conhecimento de um objeto. Como isso se concretiza?
		- é necessário que eu preste atenção ao objeto, que tenha um real interesse por ele; só assim posso dar a ele um juízo de valor.
		- O que quer dizer interesse pelo objeto? Significa ter um desejo de conhecer aquilo que o objeto verdadeiramente é. Parece banal afirmar isso; mas na realidade não o é. Isto porque nós estamos fortemente inclinados a permanecer ligados às opiniões que já temos sobre os significados das coisas, e a pretender demonstrar nosso apego.
		
Síntese sobre a moralidade no conhecimento 
	- Por isso, na aplicação ao campo do conhecimento, esta é a regra moral: amor à verdade do objeto mais do que o apego às opiniões que já formamos sobre ele. Numa palavra, poderíamos dizer: \u201camar mais a verdade do que a si mesmo\u201d. Concretamente, trata-se do desejo sincero de conhecer o objeto em questão de maneira verdadeira, mais de quanto estejamos arraigados a opiniões pré-fabricadas em nós.
	6. Um pequeno corolário a propósito do \u201cpreconceito\u201d. 
		- É claro que amar a verdade mais do que a idéia que dela já fizemos quer dizer ser livres de preconceitos. Porém, \u201causência de preconceitos\u201d é uma frase equivoca, porque ausência de preconceitos no sentido literal da frase é impossível. Por que?
		- Por que, pelo simples fato de que cada um nasce em certa família, teve determinado professor, freqüenta determinada universidade, assiste à televisão, lê os jornais, etc. está totalmente impregnado, como que por osmose, de preconceitos, isto é, de idéias e imagens sobre os valores e significados das coisas.
		
Síntese sobre a moralidade no conhecimento 
	
	- Por que na medida em que a pessoa é fecunda, forte e vivaz, uma vez colocada diante dos problemas, logo reage e o faz também como juízo; faz logo para si uma imagem das coisas.
		- Então, o problema não é ter preconceitos. Trata-se, ao contrário, de ser \u201cdesapegado de si mesmo\u201d ou renúncia de si mesmo, do qual fala o Evangelho. 
		- A questão é esta: se eu percebo que uma outra postura diferente da minha, frente a qualquer objeto, é mais razoável e mais verdadeira do que aquela que já tenho na cabeça, a postura verdadeiramente moral está em abrir-me a ela, em reconhecê-la, em afirmá-la. Mas para que isso aconteça, se faz necessário também uma ascese, um trabalho. De fato, o abrir-me a algo novo, sobretudo quando o novo vai contra o que já penso, não é automático: implica educação e tempo.
O SENSO RELIGIOSO: 
O PONTO DE PARTIDA
1. Como proceder
	
	Premissa: observações metodológicas:
	Nós somos feitos para a verdade, entendendo por verdade a correspondência entre consciência e realidade.
	A verdade última é como encontrar uma linda coisa no próprio caminho: só a vemos e reconhecemos se estivermos atentos.
	O problema, portanto, é essa atenção. 
1. Como proceder
	Como abordar a experiência religiosa de modo a captar os seus fatores constitutivos? Definamos, por ora, o método que queremos utilizar.
		a) Se a experiência religiosa é uma experiência, não podemos senão partir de nós mesmos para olhá-la de frente e captar os seus aspectos constitutivos.
		b) Mas \u201cpartir de nós mesmos\u201d é uma proposição que pode prestar-se a equívocos. Quando é que se parte realmente de si mesmo? 
	Este \u201ceu mesmo\u201d pode correr o risco de ser definido a partir de uma imagem que tenho de mim mesmo (muitas a partir de um pré-conceito imposto pela sociedade). 
1. Como proceder
	Quando é que se parte realmente de si mesmo? Partir de si mesmo é realista quando a própria pessoa é olhada em ação, isto é, observada na experiência cotidiana.
	Os fatores que nos constituem emergem portanto quando nos vemos em ação. Santo Tomás dizia que a pessoa percebe que existe \u2013 que vive \u2013 pelo fato de que pensa, sente e executa outras atividades semelhantes.
	Exemplos: 
	1) Um jovem que, por vários motivos, não goste de aritmética...;
	2) Uma garota que acorda de manhã dizendo: \u201ceu não valho nada, não nada que eu saiba fazer\u201d. Mas, se na tarde daquele dia o rapaz de quem ela gosta finalmente lhe dissesse: \u201ceu te amo\u201d, o que aconteceria...;
	3) Por isso, numa sociedade, homem desempregado tem um sentimento negativo de si mesmo: a percepção dos seus valores fica enevoada...
2. O eu-em-ação
	
	Mas atitudes análogas ao \u201cnão sou capaz\u201d não se encontram, porém, apenas entre as expressões da adolescência. 
	Se um homem adulto assume, em relação ao fato religioso, uma postura que o leva a dizer: \u201cNão sinto Deus, não tenho a exigência de enfrentar esse problema\u201d, ele assume essa atitude impelido por uma série de condicionamentos centrífugos, que o distrai, mas não conduzido pela razão, a qual, corretamente empenhada, não poderia eliminar tal problema.
3. o compromisso com a vida
	O significado da vida é um ponto de chegada possível somente para quem leva a sério a vida, seus acontecimentos e encontros, isto é, para quem está comprometido com a vida.
	Atenção! Estar empenhado com a vida não significa um compromisso exasperado com um ou outro de seus aspectos: o compromisso com a vida nunca pode ser parcial. 
	Por isso, a condição para poder surpreender em nós a existência e a natureza de um fator sustentador e decisivo como o senso religioso é o compromisso com a vida inteira, na qual tudo está comprometido: amor, estudo, política, dinheiro, relacionamentos, religião, etc.
4. Aspectos do compromisso
	1) Entre os aspectos da vida, termos do nosso compromisso com toda a existência, está um que é essencial: a tradição. Este fator está fortemente conexo com o problema religioso.
 	- A tradição é, pois, a complexa herança com a qual a natureza arma a nossa pessoa. Por exemplo, tudo o que carregamos como bagagem (valores morais e religiosos, formação humana e intelectual, etc.), recebemos por herança familiar, ao longo da nossa história pessoal 
	- Atenção! Para desenvolver aquilo que nos foi dado, devemos, inicialmente, agir \u201ccom\u201d o que nos foi dado, isto é, devemos usá-lo. Somente agindo assim podemos ser criativos. Por isso, é preciso que a pessoa seja leal à riqueza que recebeu da sua tradição.	
	
4. Aspectos do compromisso
	- Mas a fim de que a lealdade com tradição possa realizar-se como hipótese de trabalho verdadeiramente ativa, é preciso que a riqueza tradicional seja aplicada à problemática da vida através do senso crítico. 
	- Ou seja, usar criticamente este fator da vida não significa levantar dúvidas sobre os seus valores - mesmo que isto seja sugerido pela mentalidade corrente - mas usar aquela riquíssima hipótese de trabalho através de um princípio critico que está dentro de nós, inato, porque dado originalmente.
	- A tradição: a educação acontece quando os filhos encontram nos pais uma hipótese explicativa da realidade, isto é, quando os pais comunicam aos filhos aquilo de que eles mais precisam: