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Acidentes com animais peçonhentos ofídicos

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Thaís Laurentino UC12
Acidentes com animais peçonhentos ofídicos
1. Identificar os primeiros socorros utilizados no acidente de
animais peçonhentos ofídios e medidas que não devem ser
realizadas.
2. Sobre os acidentes com animais do gênero Botrópico/
Laquético/ Crotálico/ Elapídico:
Epidemiologia
➔ No caso do Brasil, segundo dados do Sistema Nacional de Informações
Tóxico-Farmacológicas – Sinitox, só em 2016, foram 3.322 casos, sendo que a
partir da faixa etária dos 20 anos até os 49 anos, a média é de 519,75
ocorrências, com a maioria dos casos sendo por mordidas de cobras como a
coral verdadeira, a cascavel, a surucucu pico-de-jaca e a jararaca.
➔ Os acidentes mais comuns são por Bothrops 70%, Crotalus com
7,7%, Lachesis em torno de 1%, e Micrurus com menos de 1%.
➔ Óbitos: índice nacional de aproximadamente 0,5%, maior em acidentes
crotálicos. Quanto maior o tempo de picada e o atendimento médico, maior o
risco de complicações: 40% têm intervalo de até 6h. após 6h do evento maior
mortalidade e complicações.
➔ A faixa etária mais atingida é entre 15-29 anos, com prevalência no sexo
masculino 70%
➔ Locais de picadura: 70% pés e pernas e 15% mãos e antebraços
➔ A maioria dos acidentados não fazia uso de EPIs.
BOTRÓPICO
● Espécies mais comuns
conhecidas popularmente por jararaca, ouricana, jararacuçu, urutu-cruzeira,
jararaca-do-rabo-branco, malha-de-sapo, patrona, surucucurana, combóia, caiçara, e
outras denominações.
● características do animal
Possuem fosseta loreal (orifício entre o olho e a narina) e cauda lisa. Dependendo da
espécie, seu tamanho pode variar de pequeno a grande porte, assim como a coloração
e o desenho de sua pele. Habitam zonas rurais e periferias de grandes cidades,
preferindo ambientes úmidos como matas, áreas cultivadas e locais onde haja
facilidade para proliferação de roedores. Têm hábitos predominantemente noturnos
ou crepusculares. Podem apresentar comportamento agressivo quando se sentem
ameaçadas, desferindo botes sem produzir ruídos.
● Ação do veneno
○ Proteolítica: são as responsáveis por lesões locais como edema, bolhas e
necrose. Decorrem da atividade de proteases, hialuronidases e
fosfolipases, liberação de mediadores inflamatórios, ação das
hemorraginas sobre o endotélio vascular e ação pró-coagulante.
○ Coagulante: O veneno botrópico possui capacidade de ativar fatores de
coagulação sanguínea, ocasionando consumo de fibrinogênio e
formação de fibrina intravascular, induzindo frequentemente a
incoagulabilidade sanguínea. A maioria das serpentes do gênero
Bothrops possui, isolada ou simultaneamente, substâncias capazes de
ativar fibrinogênio, protrombina e fator X. Quadro semelhante ao da
CID. Podem também levar a alteração da função plaquetária bem como
plaquetopenia.
○ Hemorrágica: são decorrentes das hemorraginas, que provocam lesões
na membrana basal dos capilares, associadas à plaquetopenia e
alterações de coagulação
● Quadro clínico
Manifestações locais:
➢ Dor e edema endurecido no local da picada, de intensidade variável e,
geralmente, de instalação precoce e caráter progressivo;
➢ Equimoses e sangramentos no ponto da picada são frequentes;
➢ Bolhas, associadas ou não a necrose, estão presentes nos acidentes
graves com cobras adultas (maior fração proteolítica do veneno).
Manifestações sistêmicas:
➢ Sangramentos em ferimentos prévios, hemorragias em gengivas,
epistaxe, hematêmese e hematúria. Em gestantes, há risco de
hemorragia uterina;
➢ Náuseas, vômitos, sudorese, hipotensão arterial, hipotermia e,
raramente, choque;
➢ Complicações são síndrome compartimental, abscessos, necrose,
choque e IRA.
❏ Laboratorial
➢ Tempo de protrombina (TP), tempo de protrombina parcialmente
ativada (TPPA): estar normais ou alargados;
➢ Hemograma completo: leucocitose com neutrofilia e desvio à esquerda
e plaquetopenia de intensidade variável;
➢ CPK: elevada nos acidentes com manifestações locais;
➢ Ureia, creatinina, sódio, potássio: elevados na presença de insuficiência
renal aguda e, também, de desidratação (insuficiência pré-renal);
➢ EAS: hematúria, proteinúria e leucocitúria.
● Tratamento
➢ Limpeza e antissepsia local para evitar infecção secundária;
➢ Manter segmento picado elevado e estendido;
➢ Analgésico para alívio da dor;
➢ Hidratação: controlar parâmetro pela diurese - 30 a 40 mL/hora no
adulto, ≥ 1 mL/kg/hora na criança;
➢ Antibioticoterapia na presença de infecção local;
➢ Tratamento de suporte;
A classificação da gravidade e a soroterapia recomendada pelo Protocolo do
Ministério da Saúde do Brasil estão resumidas a seguir.
Leve:
● Manifestações locais (dor, edema e equimose): ausentes ou discretas;
● Manifestações sistêmicas (hemorragia grave, choque e anúria): ausentes;
● Tempo de coagulação (TC): normal ou alterado;
● Soroterapia (SAB/SABC/SABL): 2-4 ampolas EV.
Moderada:
● Manifestações locais (dor, edema e equimose): evidentes;
● Manifestações sistêmicas (hemorragia grave, choque e anúria): ausentes;
● Tempo de coagulação (TC): normal ou alterado;
● Soroterapia (SAB/SABC/SABL): 4-8 ampolas EV.
Grave:
● Manifestações locais (dor, edema e equimose): intensas.
● Manifestações locais intensas podem ser o único critério para classificação
de gravidade nos acidentes com cobra adulta. Nos acidentes com cobras jovens
(menor fração proteolítica do veneno), considerar as alterações do coagulograma e
manifestações sistêmicas na avaliação da soroterapia;
LAQUÉTICO
● Espécies mais comuns
Lachesis muta com duas subespécies. São popularmente conhecidas por surucucu,
surucucu-pico-de-jaca, surucutinga, malha-de-fogo. É a maior das serpentes
peçonhentas das Américas, atingindo até 3,5m.
● características do animal
Fosseta loreal presente. Maior serpente das Américas, podendo atingir até 3,5
metros. Escamas granulares, corpo alaranjado com manchas negras e cauda com
escamas eriçadas. Encontradas em zonas florestais como Amazônia, Mata Atlântica e
em enclaves de matas úmidas do Nordeste. Acidentes são raros.
● Ação do veneno
○ Ação proteolítica: os mecanismos que produzem lesão tecidual local
parece ser os mesmos do veneno botrópico; são as responsáveis por
lesões locais como edema, bolhas e necrose. Decorrem da atividade de
proteases, hialuronidases e fosfolipases, liberação de mediadores
inflamatórios, ação das hemorraginas sobre o endotélio vascular e ação
pró-coagulante.
○ Ação coagulante: ação tipo trombina;
○ Ação hemorrágica: presença de hemorraginas;
○ Ação neurotóxica: age através da estimulação vagal.
● Quadro clínico
Manifestações locais:
➢ Dor e edema endurecido no local da picada, de intensidade variável e,
geralmente, de instalação precoce e caráter progressivo; que podem
progredir para todo o membro;
➢ Vesículas e bolhas de conteúdo seroso ou sero-hemorrágico nas
primeiras horas após o acidente; As manifestações hemorrágicas
limitam-se ao local da picada na maioria dos casos.
Manifestações Sistêmicas:
➢ Caracterizadas por síndrome vagal;
➢ Escurecimento da visão;
➢ Tonturas;
➢ Cólicas abdominais e diarreia;
➢ Hipotensão arterial;
➢ Bradicardia.
❏ Laboratorial
➢ Hemograma completo e plaquetas: leucocitose com neutrofilia.
Plaquetopenia de consumo;
➢ Tempo de coagulação, PT, PTT: alargados;
➢ Ureia, creatinina e eletrólitos: podem estar alterados, dependendo das
manifestações clínicas;
➢ CPK: pode estar elevada pela ação proteolítica do veneno;
➢ EAS: hematúria, proteinúria e hemoglobinúria.
Atenção! Os acidentes laquéticos são classificados como moderados e graves.
● Tratamento
Geral:
➢ Manter segmento picado elevado e estendido;
➢ Analgésico para alívio da dor;
➢ Hidratação venosa: controlar parâmetro pela diurese - 30 a 40 mL/hora no
adulto; 1 a 2 mL/Kg/hora na criança;
➢ Reposição de eletrólitos, se necessário, na presença de diarreia e vômitos;
➢ Antibioticoterapia na presença de infecção local;
➢ Tratamento

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