Senso Religioso - Pe Paulo - design 2

Disciplina:O Humano e O Fenômeno Religioso75 materiais416 seguidores
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3. ESCLARECIMENTO SOBRE A RAZÃO
	A própria experiência, na sua totalidade, leva à compreensão autêntica do termo razão ou racionalidade. Com efeito, a razão é aquele acontecimento singular da natureza no qual esta se revela como exigência operativa para explicar a realidade em todos os seus fatores, de modo que o homem seja introduzido na verdade das coisas.

	Dizer “racional” é afirmar a transparência da experiência humana, a sua consistência e profundidade; a racionalidade é a transparência crítica da nossa experiência humana, que ocorre a partir de um olhar que abrange tudo.
	
	
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3. ESCLARECIMENTO SOBRE A RAZÃO
	É o que demonstra uma carta que Giussani recebeu de uma sua aluna:
 
	Que posso dizer a uma pessoa como meu pai, que afirma que as perguntas sobre o sentido da vida não tem sentido? Segundo meu pai, o homem pode, no máximo, perguntar-se: “Que objetivo quero dar à minha vida? Por quem e para quem quero dar minhas energias?” Para ele, perguntas como: “Qual é o sentido último da minha vida? Por que estou vivendo, porque me encontro aqui, e onde acabarei?” são insensatas, porque o homem é louco se pensa ter um sentido. E se o homem quiser dar sentido ao mundo em função de si mesmo, o exemplo que meu pai me dá é: “Não te pareceria estranho que uma pedra te perguntasse porque existe? Ela está lá e basta, não existe nenhum significado para a sua presença”. Assim, o homem no interior do universo não passa de uma mísera e minúscula partícula sem significado algum. Segundo meu pai, é preciso libertar-se do desejo de estar no centro do mundo e aceitar a nossa situação, aceitar aquilo que somos. A mim, que não me conformo com isso, diz que estou iludida, e que não tem sentido e não constrói a minha personalidade arrastar-me por anos atrás dessas perguntas a que não sei responder. Eu 	compreendo quão desumana é essa posição, mas nunca sei o que lhe responder; suas argumentações me parecem lógicas e racionais.

4. Esclarecimento sobre o senso religioso e a racionalidade
	O senso religioso vive dessa racionalidade, é este o seu rosto, sua expressão mais autêntica. É nesse sentido que Siniavski afirma em livro Pensamentos improvisados:

	“Não é preciso crer por tradição, por medo da morte ou para nos precavermos. Nem porque haja alguém que comande ou incuta o temor, nem mesmo por razões humanísticas, para nos salvarmos e sermos originais. Devemos crer pela simples razão de que Deus existe”.
 
	
4. Esclarecimento sobre o senso religioso e a racionalidade
	O senso religioso aparece como uma primeira e mais autêntica aplicação do termo razão na medida em que não cessa de procurar responder à exigência que para ela é a mais estrutural: a do significado.

	No seu Tractatus, Wittegenstein afirma:
	“O sentido da vida, isto é, o sentido do mundo, pode ser chamado Deus. (...) Rezar é pensar no sentido da vida”.
	
	 

4. Esclarecimento sobre o senso religioso e a racionalidade
	
	Somente numa dimensão religiosa é possível intuir toda a dinâmica estrutural da consciência (ou razão):

	1) porque a dimensão religiosa coloca a exigência do significado, que é como a soma ou a intensidade última de todas os fatores da realidade;

	2) porque nos abre e nos coloca no limiar daquilo que é diverso, é outro, é infinito.
	 

COMO SE DESPERTAM AS PERGUNTAS ÚLTIMAS
I. Senso religioso e realidade
	1. De onde vem a provocação que desperta no homem o senso religioso (ou as perguntas)?

	2. Quais são as características que estão presentes na realidade e que despertam o fascínio no homem?

	3. O que significa dizer que o Mundo dá testemunho de quem o cria?

	4. Qual é a formula do itinerário rumo ao significado ultimo de tudo?
1. O estupor da “presença”
	
	Provocando a imaginação: se alguém estivesse saindo do ventre de sua mãe neste momento com a consciência de uma pessoa de 20 anos, qual seria seu primeiro sentimento diante da realidade?

	Seria tomado por um sentimento de maravilha, de estupor diante de uma realidade que não é sua, que existe independentemente de si e da qual depende: á a percepção original do dado, do dom.
1. A maravilha da “presença”
	“O estupor absoluto está para a inteligência da realidade de Deus, assim como a clareza e a distinção estão para a compreensão das idéias matemáticas. Sem a maravilha permanecemos surdos ao sublime” (A. Haschel).

	Exemplo: Giussani que pergunta em sala de aula: Segundo vocês, o que é a evidência? Quem poderia defini-la?” Um aluno respondeu: “A evidência é uma presença inexorável”.

	Dar-se conta de uma presença inexorável! Abro os olhos e uma evidência se me impõe: a realidade com a qual me deparo não é feita por mim; porém, dela dependo

1. A maravilha da “presença”
	É este estupor que desperta a pergunta última dentro de nós: não é um registro frio, mas uma maravilha prenhe de atrativos, como uma passividade em que, no mesmo instante, se concebe a atração.

	Por isso, não é o medo o primeiro sentimento do homem, mas uma atração. O medo surge num segundo momento, como reflexo do perigo percebido de que aquela atração não permaneça.
1. A maravilha da “presença”
	
	A religiosidade é a afirmação e o desenvolvimento da atração. A maravilha da presença me atrai: isto desencadeia em mim uma busca. Essa busca me remete a uma outra coisa; com efeito, a realidade com a qual me deparo, é dada a mim; e, se é dada a mim, é dada por um Outro do qual ela depende, e eu também.

	Não existe nada de mais adequado, de mais aderente à natureza do que ser possuído para uma dependência original; de fato, a natureza do homem é a de ser criado.
2. O cosmos
	O homem dá-se conta também de que existe uma ordem dentro desta realidade, que esta realidade e cósmica.

	Sim, naturalmente vãos foram todos os homens que ignoraram a Deus e que, partindo dos bens visíveis, não 	foram capazes de conhecer Aquele que é, nem, considerando as obras, de reconhecer o Artífice. Mas foi o fogo, ou o vento, ou o ar sutil, ou a abóbada estrelada, ou a água impetuosa, ou os luzeiros do céu que eles consideraram como deuses, regentes do mundo! Se, fascinados por sua beleza, os tomaram por deuses, aprendam quanto lhes é superior o Senhor dessas coisas, pois foi a própria fonte de beleza que as criou. E se os assombrou sua força e atividade, calculem quanto mais poderoso é Aquele que as fez, pois a grandeza e a beleza das criaturas fazem, por analogia, contemplar seu Autor (Sb 13, 1-5)

3. Realidade “providencial”
	
	O homem se dá conta também de que esta presença inexorável é bela, atrai, é conforme a ele na sua ordem; constata também que ela se move segundo um desígnio que lhe pode ser favorável.

	O conteúdo das religiões mais antigas coincide com esta percepção da possibilidade da realidade “providencial”. O nexo com o divino tinha como conteúdo (em torno do qual se desenvolviam doutrinas e ritos) o fato deste mistério da fecundidade da terra e da mulher.

4. O EU DEPENDENTE
	Se neste momento eu estiver atento, isto e, se for maduro, não posso negar que a evidência maior e mais profunda que percebo é que eu não me faço por mim, não me estou fazendo. Não me dou o ser, não me dou a realidade que sou, sou "dado". É o momento adulto da descoberta de mim mesmo como dependente de uma outra coisa.
	
	Quanto mais vou para dentro de mim mesmo, se chego até o fundo, de onde broto? Não de mim, mas de Outro. Trata-se da intuição, que em todos os tempos o espírito humano agudo teve, desta misteriosa presença pela qual a consistência do seu instante, do seu eu torna-se possível. Eu sou “Tu-que-me-fazes".
	

4. O EU DEPENDENTE
	"Tu-que-me-fazes" é aquilo que a tradição religiosa chama "Deus", é aquilo que é maior do que eu, mais do que eu mesmo, é aquilo pelo qual eu sou feito.
	
	Por isso, a Bíblia diz de Deus: "tam pater nemo", ninguém é tão pai quanto ele.

	 Exemplos: 1) reação de uma amiga por ocasião do nascimento de sua filha; 2) Diálogo com as crianças da catequese...

	De fato, Deus é pai a cada momento, está me concebendo agora. Ninguém é tão pai, tão gerador. Assim eu não posso dizer "eu
Ronieri Aguiar fez um comentário
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