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Disciplina:O Humano e O Fenômeno Religioso75 materiais432 seguidores
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( Tácito, Germania IX, 2 ).

6. A descoberta da razão
	5. Por isso, sem admitir a existência desse Mistério que está na raiz de tudo, tudo o que é humano tende a decair numa mesquinhez; mesquinhez esta da qual o cinismo materialista de hoje, no que diz respeito ao homem, é uma prova impressionante.

	A convivência baseada no cinismo conduz a uma abolição total da certeza e, portanto, da justiça e do amor, e à redução biológica de tudo.
6. A descoberta da razão
	As reais objeções que poderiam ser feitas são duas:

	1) Não é verdade que a razão seja exigência de explicação total;
	2)Não é verdade que a vida não dê resposta completa.
	Que cada julgue um a verdade de tais objeções.

	Não será inútil sublinhar novamente que a solução da grande pergunta sobre a vida, que constitui a razão, não é uma hipótese abstrata; é uma implicação existencial, porque a exigência é uma experiência vivida.

7. aberturas
	
	Com efeito, admitir que Deus existe significa admitir que existe sim uma resposta à grande pergunta sobre o significado de tudo: isso não tem nada de abstrato. A nossa dificuldade está em se render a uma medida que não é nossa.
	
7. aberturas
	Seja como for, os termos com os quais toda a tradição religiosa autêntica da humanidade designou o mistério, isto é, Deus, são todos termos negativos: in-finito, i-menso, i-mensurável, inefável, in-dizível, i-gnoto. Assim, certas frases que usamos: “Deus é bondade”, “Deus é justiça”, “Deus é beleza”, são antes pontos de partida que, multiplicados, enriquece o nosso pressentimento desse Objeto último, mas não podem ser definições, porque Deus não cabe em definição alguma.

	
A AVENTURA DA INTERPRETAÇÃO
A LIBERDADE COMO RESPONSABILIDADE
introdução
	A natureza da razão (que é compreender a existência), por coerência, obriga a própria razão a admitir a existência de um incompreensível, a existência de Algo (de um quid) constitucionalmente além da qualquer possibilidade de compreensão e de medida (“transcendente”):

		Cada um do sumo bem a idéia apreende, que lhe suaviza a rude 	inquietação e às exigências de sua alma atende. Porém, quem 	és, assim tão presumido, para julgar de coisa dessa alteza, 	com a 	curta visão de que és provido? (Dante, A Divina 	Comédia, “Purgatório).
introdução
	A aventura da razão tem um vértice último no qual intui a existência da explicação exaustiva como algo inatingível para ela: mistério. Não seria razão se não implicasse a existência desse quid último.
	
	O homem, como ser livre, não pode chegar à sua realização, não pode chegar ao seu destino (entendido em sentido etimológico, ou seja, como realização plena) senão através da liberdade. Se não fosse livre, a realização do homem não seria humana, não seria realização do ser humano.
	
I. O FATOR LIBERDADE DIANTE DO ENIGMA ÚLTIMO
	Ora, se a maneira de alcançar o destino, a realização, deve ser livre, a liberdade deve entrar em jogo também na descoberta disso. Mesmo a descoberta do destino,isto é, do significado último, se fosse automática, não seria mais minha.

	A liberdade, portanto, tem a ver não só com o caminhar rumo a Deus como coerência de vida, mas já na descoberta de Deus. Com efeito, existem muitos cientistas que, através da ciência, chegaram a Deus, e muitos outros que acreditaram ter evitado ou eliminado Deus por meio da ciência. Vê-se que, portanto, o problema não é de inteligência, mas de opção.
I. O FATOR LIBERDADE DIANTE DO ENIGMA ÚLTIMO
	Um dos mais conhecidos filósofos neo-marxistas, Althusser, reconhecia isso quando dizia que entre a existência de Deus e o marxismo o problema não é de razão, mas de opção. Certamente, há uma opção que é segundo a natureza, e ela evidencia a razão, e uma opção que é contra a natureza, e ela obscurece a razão. Porém, no fundo, o que é decisivo é a opção.

	Reflitamos sobre uma comparação. Se, estando na penumbra, vocês voltarem as costas para a luz, exclamarão: “Tudo é nada, é obscuridade, sem sentido”.” Se voltarem as costas para o escuro, dirão” “O mundo é o vestíbulo da luz, o início da luz.” Essa diversidade de postura é exclusivamente fruto de uma escolha.
I. O FATOR LIBERDADE DIANTE DO ENIGMA ÚLTIMO
	Contudo, é verdade que todo o problema não está aqui. Das duas posições, aquela de quem volta as costas para a luz e diz: “Tudo é sombra”, ou aquela de quem volta as costas para a sombra e diz “Estamos no início da luz”, uma tem razão e outra não. Uma das duas elimina um fator, embora este seja apenas acenado: de fato, se existe a penumbra, existe a luz.

	Com efeito, o homem, na sua liberdade, afirma aquilo que já decidiu desde um recôndito início. A liberdade não se demonstra tanto nas escolhas clamorosas, mas joga-se no primeiríssimo crepúsculo do impacto da consciência com o mundo. Eis a alternativa na qual o homem quase insensivelmente se joga:

I. O FATOR LIBERDADE DIANTE DO ENIGMA ÚLTIMO
	- Ou se coloca diante da realidade com uma postura de abertura, com os olhos arregalados de uma criança, dizendo lealmente “pão, pão, queijo, queijo”, e então abraça toda a sua presença, acolhendo também o seu sentido;

	- Ou então, coloca-se diante da realidade numa postura de defesa, como alguém que pusesse o cotovelo diante do rosto para evitar choques desagradáveis ou inesperados, submetendo ao tribunal da sua própria opinião. Esta é a escolha profunda que fazemos diante de tudo.
II. O mundo como parábola
	
	O mundo “ensina” Deus, demonstra Deus, do mesmo modo que o sinal aponta para aquilo de que é sinal.

	Em que sentido a liberdade joga neste terreno? Ela age no terreno da dinâmica do sinal na medida em que o sinal é uma acontecimento a ser interpretado.
	
II. O mundo como parábola
	
	A liberdade se joga na interpretação do sinal. A interpretação é a técnica do jogo; a liberdade opera dentro desta técnica.

	O mundo, enquanto desvela, “vela”. O sinal desvela, mas ao mesmo tempo vela. Somente uma atenção particular é que nos faz sentir a vibração de um corpo vivo por trás de uma cortina aparentemente imóvel.
	
	

	
II. O mundo como parábola
	Atitude positivista é a de quem, como se fosse míope, colocasse um quadro a um centímetro do olho e, fixando os olhos num ponto, dissesse: “Que mancha!” Sendo o quadro grande, poderia percorrê-lo inteiramente, centímetro por centímetro exclamando a cada momento: “Que mancha”. O quadro apareceria como um conjunto de manchas diferentes, sem sentido. Mas se afastasse três metros, seria possível ver a pintura na sua unidade, na perspectiva total e diria: “Ah, entendi! Que lindo” A medida positivista parece olhar o mundo com uma grava miopia.

	
II. O mundo como parábola
	Einstein estava bem longe dessa miopia quando afirmava que a realidade implica, em última instância, um enigma e que, portanto, o que dá ao mundo uma vibração inextirpável é o fato de que ele é sinal.

	 “A mais bela e profunda emoção que podemos experimentar é o senso do mistério; está aqui a semente de toda arte, de toda verdadeira ciência”.
II. O mundo como parábola
	Por isso podia revelar o desconsolo sufocante que deriva daquela miopia:

	“Toda aquele que acredita que a sua vida e a de seu semelhante não tenha significado não só é infeliz, mas mal-e-mal é capaz de viver” (Como vejo o mundo)
iii. Educação à liberdade como responsabilidade
	Responsabilidade vem de "responder". A educação à responsabilidade é educação a responder àquilo que nos chama. Como isto acontece?

 	 a) Antes de mais nada, a educação à responsabilidade implica uma educação à atenção. Porque a atenção não necessariamente se impõe à nossa liberdade; não é automaticamente fácil prestar atenção. Ou por concentrarmos a sensibilidade naquilo que nos agrada, e por isso nos tornamos aos poucos insensíveis a outros aspectos ou particulares de uma proposta; ou por tomarmos uma atitude simplista, que se torna até um delito, quando aplicada a um problema grave.

iii. Educação à liberdade como responsabilidade
	b) Educar à responsabilidade significa, além da educação à atenção, educar à capacidade de aceitação. A capacidade de acolher uma proposta na
Ronieri Aguiar fez um comentário
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