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Disciplina:O Humano e O Fenômeno Religioso75 materiais416 seguidores
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sua integridade também não é automática. Educar a uma atenção e a uma aceitação qualificadas pela sensibilidade para com a totalidade dos fatores em jogo é uma pedagogia que permite abrir as portas que talvez já estejam fechadas, ainda que por razões compreensíveis.

	Educar à atenção e à aceitação assegura a modalidade profunda com que devemos nos colocar diante da realidade: aberta, livre, sem presunção

iii. Educação da liberdade
	1) Educação à uma atitude de pergunta

	A educação para a liberdade deve preparar para a atitude correta diante da realidade. Qual é essa atitude? É permanecer na posição original em que a natureza molda o homem. Tal atitude original é a atitude da espera como pergunta.

	Na criança, tudo é curiosidade: espera e pergunta. No homem adulto, tudo é espera e procura. A procura deve ser real: a procura falsa lança sobre a realidade perguntas para as quais não espera resposta.
iii. Educação da liberdade
	Um busca real implica sempre, como hipótese última, a resposta positiva: de outro modo, não seria busca. Por isso, se o real provoca, a educação da liberdade deve ser educação para responder à provocação. A resposta positiva corresponde à atitude original, aquela cheia de curiosidade com a qual Deus nos criou.

	Que significa essa curiosidade original? A curiosidade, na criança ou no adulto, é uma abertura cheia de positividade. A posição de dúvida, ao contrário, nos torna incapazes de agir. Se a pessoa parte de uma hipótese negativa, mesmo que haja alguma coisa , não a encontra.
III. A experiência do risco
	Onde está a verdadeira dificuldade que o homem encontra para ler o nome misterioso sugerido, assinalado por todas as evocações que sobre ele faz o real?

	É preciso observar novamente que a natureza torna absolutamente fácil para o homem perceber as coisas mais necessárias para viver. De todas elas, a mais necessária é a intuição da existência do porquê, do significado, isto é, a intuição da existência de Deus.	

	
III. A experiência do risco
	A conseqüência inevitável do relacionamento com Deus, mediado pelo fenômeno do sinal, é uma experiência que chamamos experiência do risco. Atenção! O risco não é um gesto ou uma ação sem razões adequadas, porque então não seria risco, mas irracionalidade. A natureza do risco consiste em outra coisa.

	Exemplo: Giussani que escala uma montanha... “Este pânico excepcional fez-me compreender o que a experiência do risco. O que me fez parar não a falta de razões: elas existiam, mas é como se estivem escritas no ar...”
		
III. A experiência do risco
	Acontece a mesma coisa quando as pessoas dizem: “Você tem razão, mas não estou convencido.” É um hiato, um abismo entre a intuição da verdade, do ser, dada pela razão, e a vontade: uma dissociação entre a razão, percepção do ser, e a vontade, que é afetividade, isto é, energia de adesão ao ser.

	Por isso, a pessoa vê as razões mas não se move. Surge, portanto, uma ruptura entre a razão e a afetividade, entra a razão e a vontade: esta é a experiência do risco.
III. A experiência do risco
	Atenção! Não se trata de uma hipótese abstrata, mas de algo muito concreto. Pode haver um homem, por exemplo, que há sete anos está noivo de uma jovem e não se decide, não porque seja mau, mas porque continuamente se pergunta: “e depois..., mas..., como posso ter certeza...”

	Se não se tratasse do matrimônio, este homem não teria nenhum sentido do risco. Com efeito, quando se dá o sentido do risco? O sentido do risco se realiza na medida em que o objeto interessa ao significado da vida. Quanto mais uma coisa interessa ao sentido da existência, mas é possível essa divisão irracional.
III. A experiência do risco
	A mesma coisa que acontece com o noivado, pode acontecer também em relação ao significado da vida, em relação a Deus. Aqui se torna a divisão entre a energia de adesão ao ser e a razão como descoberta do ser; aqui o fogo cerrado do “mas” dos “se”, dos “porém” forma a barreira de fogo que cobre a retirada do nosso compromisso com o mistério.

	Somente uma grande força de vontade poderia fazer superar o medo de afirmar o ser.
III. A experiência do risco
	Eis a verdadeira definição do risco: um medo de afirmar o ser, um medo estranho, porque é contrário à nossa natureza. Quanto mais uma coisa é importante para o significado da vida, mais nós temos medo de afirmá-la. Este medo, então, seria vencido pelo esforço da vontade, isto é, pela força da liberdade. Mas é altamente improvável que isso aconteça.
III. A experiência do risco
	Há na natureza um método que consegue nos dar esta energia de liberdade que nos faz superar, atravessar o medo do risco. Para superar o abismo dos "mas", dos "se" e dos "porém", o método usado pela natureza é o fenômeno comunitário. A comunidade é o húmus da liberdade.

	A dimensão comunitária representa não é a substituição da liberdade, da energia e da decisão pessoal, mas a condição para a sua afirmação.
III. A experiência do risco
	Se eu coloco uma semente de feijão sobre a mesa, mesmo depois de mil anos ( dado que tudo permaneça intacto ) ela não se desenvolverá. Se eu tomo esta semente e a coloco na terra, ela se torna uma planta. O húmus não substitui a energia irredutível, a "personalidade" incomunicável da semente: o húmus é condição para que a semente cresça.

	O verdadeiro drama do relacionamento entre o homem e Deus, através do sinal do cosmo, através do sinal da experiência, não está na fragilidade das razões; está na vontade que deve aderir a essa imensa evidência de Deus, que é o cosmo.
A ENERGIA DA RAZÃO TENDE A ENTRAR
NO DESCONHECIDO
Razão e mistério
i. A FORÇA MOTRIZ DA RAZÃO
	O vértice da razão é a intuição da existência de uma explicação que supera a sua própria medida. Descobrir o mistério, entrar no mistério que está sob as aparências, sob aquilo que vemos e tocamos, é o motivo da razão, a sua força motriz. Assim, é a relação com aquele “além” que possibilita também a aventura do “aquém”.

	Exemplo: o mito de Ulisses, de Dante (“Inferno”): Ulisses é um homem inteligente, que quer todas as coisas com a própria perspicácia. Ele tem uma curiosidade irrefreável: é o dominador do “Mare Nostrum”.... Além das colunas de Hércules não há nada de seguro, só há vazio e loucura. Mas Ulisses avançou e foi além...; e não errou porque foi além: ir além estava na sua natureza de homem...
I. A FORÇA MOTRIZ DA RAZÃO
	Essa é a luta entre o humano, isto é, o senso religioso, e o desumano, isto é, a postura materialista, cética que nega qualquer sentido transcendente para a existência.

	Essa postura diria: “Meu filho, a única coisa segura é aquela que você constata e mede cientificamente, experimentalmente; além disso, o que existe é fantasia inútil, loucura, afirmação imaginosa”.

	
I. A FORÇA MOTRIZ DA RAZÃO
	Mas o que há além do mare nostrum que não podemos possuir, governar e medir? O oceano do significado. É na superação dessas colunas de Hércules que começamos a nos sentir homens: quando superamos esse supremo limite fixado pela falsa sabedoria e avançamos no enigma do significado.

	Com efeito, a vida do homem é luta, tensão, relação – “no escuro – com o além: uma luta na qual não se vê o rosto do outro. Quem chega a se perceber assim é um homem que anda no meio dos outros como coxo, quer dizer, marcado; não é mais como os outros homens, está marcado (luta de Jacó com Deus)
II. Uma posição vertiginosa
	Se esta é a posição existencial da razão, é bastante fácil entender o quanto ela é vertiginosa. É como se por lei, como diretriz do meu viver eu tivesse de permanecer suspenso a uma vontade que não conheço, instante por instante. Seria a única atitude racional.

	A vida racional do indivíduo deveria estar suspensa a cada instante a este sinal aparentemente tão volúvel, tão casual, que as circunstâncias através das quais o desconhecido "senhor" me arrasta, me provoca para o seu desígnio. E dizer "sim" a cada instante sem ver nada, simplesmente aderindo à solicitação das ocasiões. É uma posição vertiginosa. 

III. A impaciência da razão
	A Bíblia
Ronieri Aguiar fez um comentário
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