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Disciplina:O Humano e O Fenômeno Religioso75 materiais416 seguidores
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o meu “coração” é igual ao seu “coração”: eu tenho exigência de justiça, você também; eu tenho exigência de verdade, você também; eu tenho exigência de amor, você também.

	Nós sabemos logo quando uma coisa corresponde verdadeiramente ao nosso coração. Mas freqüentemente paramos no provar, e então dizemos: “Isso é aquilo que me corresponde”.

	É esse o modo como se justifica entre nós qualquer instintividade. Mas isso é uma enganação, em primeiro lugar para você mesmo! Não só porque você está moralmente enganado: você erra moralmente porque isso não corresponde ao seu ser, mesmo que você pouco ligue para a moral; é que você acaba no vazio, na tristeza.

	A moral é nada em relação ao niilismo (vazio sem sentido) no qual a pessoa mergulha, comparada com a exigência que a pessoa carrega dentro de si. Onde está a confusão aqui? Está na maneira como usamos a palavra “correspondência”.

6. EXPERIÊNCIA DA CORRESPONDÊNCIA
	6. O homem, último tribunal?

	Mas existem na convivência humana bilhões de indivíduos que se comparam com as coisas e com o destino, então, como será possível evitar um subjetivismo geral? Seria a pessoa o juiz de si mesma e da realidade?

	Aliás, essa é uma das grandes e fascinantes tentação do ser humano. Mas não seria esta uma exaltação da anarquia, entendida como idealização do homem como último tribunal?

6. EXPERIÊNCIA DA CORRESPONDÊNCIA
7. Ascese para a libertação
	Quem quer tornar-se adulto, sem ser enganado, alienado, escravo dos outros, deve se acostumar a comparar tudo com essa experiência elementar, com esse senso crítico. Essa é a única hipótese que nos torna realmente livres, criativos. Mas é uma hipótese nada popular, tudo conspira contra isso.

	Portanto, comece a julgar: é o início da libertação.

	Mas, isso exige de nós um trabalho ascético, onde, com a palavra ascese, indicamos a obra do homem enquanto visa ao seu amadurecimento, enquanto está diretamente centrada rumo ao seu destino, à sua realização, á sua verdadeira felicidade.

Músicas sobre o realismo
Lapidar minha procura, toda trama;
Lapidar o que o coração, com toda inspiração,
Achou de nomear gritando: alma.
Recriar cada momento belo já vivido e ir mais,
Atravessar fronteiras do amanhecer
E ao entardecer olhar com calma, então.
Alma vai além de tudo o que o nosso mundo ousa perceber.
Casa cheia de coragem, vida, tira a mancha que há no meu ser.
Ti quero ver, ti quero ser, alma...
Viajar nessa procura toda de me lapidar.
Neste momento, agora,
De me recriar, de me gratificar.
Te busco, alma, eu sei.
Casa aberta onde mora o mestre, o mago da luz,
Onde se encontro o templo que inventa a cor. Animará o amor onde se encontra a paz.

Música sobre o realismo: Alucinação (ENGENHEIROS DO HaVAÍ)
	Eu não estou interessado em nenhuma teoria, / Em nenhuma fantasia nem no algo mais / Longe o profeta do terror, que a laranja mecânica anuncia / Amar e mudar as coisas me interessa mais, muito mais, me interessa...

	Eu não estou interessado em nenhuma teoria / Nem nessas coisas do Oriente, romances astrais/ A minha alucinação é suportar o dia-a-dia / E meu delírio é experiência com coisas reais.

	Um preto, um pobre, um estudante, uma mulher sozinha, / Blus jeans e motocicletas, pessoas cinzas normais, / Garotas dentro da noite, / Revolver ... Cheira cachorro! / Os humilhados do parque com seus jornais.

		
	Carneiros, mesa, trabalho, meu corpo que cai do oitavo andar / A solidão da noite, o movimento do tráfico, / Um rapaz delicado e alegre canta e requebra (é demais?) / Cravos, espinhas no rosto, Rock, hot dog... Play it cool baby! / Doze jovens coloridos, dois policiais / Cumprindo seu duro dever e defendendo o seu amor... /

	Eh! Nossa vida! / Mas eu não interessado em nenhuma teoria / Em nenhuma fantasia nem no algo mais / Longe o profeta do terror que a laranja mecânica anuncia! Amar e mudar as coisas me interessa mais.

Músicas sobre o realismo: esquadros (Adriana calcanhoto)
	Eu ando pelo mundo prestando atenção / Em cores que não sei nome / Cores de Almodover / Cores de Frida Kahlo, cores/ Passeio pelo escuro, / Eu presto muito atenção no que meu irmão ouve/ E como uma segunda pele, um calo, uma casca / Uma cápsula protetora / Eu quero chegar antes/ Pra sinalizar o estar de cada coisa, / Filtrar seus graus / Eu ando pelo mundo divertindo gente / Chorando ao telefone / E vendo doer a fome de meninos que têm fome

	Pela janela do quarto / Pela janela do carro / Pela tela, pela janela / (quem é ela, quem é ela?) / Eu vejo tudo enquadrado / Remoto controle...

	Eu ando pelo mundo / E os automóveis correm, pra quê? As crianças correm para onde? / Transito entre dois lados, de um lado / Eu gosto de opostos / Exponho o meu modo, me mostro / Eu canto para quem?

	Eu ando pelo mundo e meus amigos, cadê? / Minha alegria, meu cansaço? / Meu amor, cadê você? Eu acordei / Não tem ninguém ao lado.

SEGUNDA PREMISSA:
RAZOABILIDADE
1. A Razoabilidade: exigência estrutural do homem
	Com o termo “razoabilidade” se indica o atuar-se do valor da razão no agir humano.

	Com o termo “razão” se indica o fator distintivo daquele nível da natureza que chamamos homem, isto é, a capacidade de dar-se conta do real segundo a totalidade dos seus fatores.

	Perguntemo-nos então: como percebemos se uma atitude á razoável ou não?

1. A Razoabilidade: exigência estrutural do homem
	Exemplos:
	1. Se uma pessoa entrasse correndo nesta sala e jogasse sua bolsa pela janela...
	2. O mesmo gesto, porém, com um acréscimo: dois homens armados com pistolas entram correndo na sala atrás dessa pessoa...
	3. Uma passo a mais: eu entro nesta sala com um enorme megafone e justifico dizendo que estou rouco...
	4. Se eu estivesse em uma praça enorme.... Neste caso, todos achariam adequado o uso do megafone...

	Na experiência , o “razoável” se mostra enquanto tal quando a postura do homem se manifesta com razões adequadas.

2. Uso redutivo da razão
	É importante não reduzir o âmbito da razoabilidade

	a) Freqüentemente o racional vem identificado com o demonstrável no sentido estrito do termo. A capacidade de demonstrar é um aspecto da razoabilidade, mas o razoável não coincide com a capacidade de demonstrar.

	b) A razoabilidade tão pouco se identifica com o lógico. A lógica é um ideal de coerência: estabelecemos certas premissas, desenvolvemo-las coerentemente e teremos uma lógica. Se as premissas forem erradas, a lógica perfeita dará um resultado errado.
2. Uso redutivo da razão
	
	Observação: é importante prestar mais atenção ao termo razoável do que ao termo razão, isto porque este último pode ser utilizado de forma inadequada. De qualquer forma, o problema está no conceito de razão.

	Exemplo: aluno que contesta Giussani, dizendo que razão e fé são duas realidades que não tem nada a ver uma com a outra ...; mas depois ficou evidente que o aluno tinha sido influenciado por um professor de filosofia, que era racionalista....
2. Uso redutivo da razão
	Para Giussani, a razão é abertura à realidade, capacidade de agarrá-la e afirmá-la na totalidade dos seus fatores;
	
	Para aquele professor de filosofia, a razão é medida das coisas, fenômeno que se torna verdade quando há demonstrabilidade direta.
	
	Eu consigo demonstrar o meu ser, o meu existir (demonstrar algo significa percorrer todos os passos que levou algo ou alguém a ser o que é)?
3. Diversidade de procedimentos
	A razão humana, ao se dar conta da realidade, move-se empregando motivos adequados.

 	- Ao dizer 2 + 2 = 4, eu afirmo um valor matemático...;

	- Tomamos outro exemplo: a fórmula da água é H2O. Não sigo um caminho matemático: coloco a água num destilador e recebo o resultado da destilação.
	
 	

		
3. Diversidade de procedimentos
	- Terceiro exemplo: “Que direitos tem a mulher perante um homem?” Um ser humano tem certos direitos; a mulher é um ser humano, logo, tem os mesmos direitos que os homens. Não seguimos o método matemático ou científico para reconhecer que a mulher tem o mesmo direito que o homem. Neste caso usamos o método filosófico (silogismo).

	Como se vê,
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